Polícia

Especial – A droga avança no interior

Ausência de delegados, ineficiência da Justiça e omissão das autoridades políticas contribuem para a proliferação da droga também no interior baiano.

Lamentavelmente, a droga avança em todo o Estado. Até os becos e bodegas do interior, antes virgens da maldade, são palcos da ação clandestina das gangues organizadas. E o pior é que a ação dos bandidos e traficantes cresce na mesma proporção da ausência do estado. Em Salvador, a criminalidade apresenta números alarmantes nas estatísticas semanais, e a cada anúncio da mídia o quadro é de mães desesperadas e jovens com as vidas abreviadas. No interior, o crack se tornou a droga mais popular, contribuindo para o aumento da violência e dos assaltos.

Riachão: Adeus inocência de um povoado

Antes palco da inocência, no interior agora a droga também se espalha na mesma velocidade da capital baiana. Nas últimas semanas dois casos chamaram a atenção. O primeiro em Riachão do Jacuipe, quando uma operação da policia invadiu a cidade, especialmente o bairro do Alto do Cruzeiro, em busca de traficantes e consumidores da droga. O curioso é que a policia local só foi saber da operação quando ela já estava iniciada.

Mas o porquê disso tudo não é difícil de compreender, tal a facilidade que a ação criminosa se espalha pelas bibocas e mansões dos nossos grotões. E tudo com a omissão e vistas grossas de boa parte da Justiça e dos poderes constituídos. Uma das explicações, quem sabe, é que a cidade tem aproximadamente cinco meses sem um delegado. Enfim, como diria o ex-governador Otávio Mangabeira: Pense num absurdo, você encontra em Riachão do Jacuipe.

Em Chapada, um outrora povoado tranquilo, formado basicamente por uma população pobre, agora é invadido pela droga de forma criminosa. Enquanto isso, o prefeito da cidade deixa o estádio local completamente abandonado e uma quadra que nunca chega à sua conclusão.

Além disso, o prefeito não promove qualquer atividade esportiva ou cultural no município para entretenimento da juventude. Ao contrário, a cidade assiste indefesa às denúncias de nepotismo, laranjadas e corrupção desenfreada. Na Câmara de Vereadores, eleita com a força do capital público em 2008, as ações seguem as ordens expressas da Prefeitura. Com maioria absoluta, o prefeito faz o que quer.   

O “Toque de recolher”

Nos últimos dias, mais três municípios do interior, todos próximos de Feira de Santana, apresentaram flagrantes da proliferação da droga. A decisão do juiz de Santo Estevão, José Brandão Neto, de aplicar o toque de recolher a partir de hoje em Santo Estevão, Antônio Cardoso e Ipecaetá para crianças e adolescentes representa o reconhecimento de que os traficantes estão vencendo a batalha contra o estado, assumindo o comando das ruas destas cidades.

O crescimento do uso do crack e de outras drogas nos pequenos municípios é uma realidade que avança por conta da incompetência do estado e ineficiência e complacência de boa parte das autoridades.

Como medida drástica, agora ressurge o toque de recolher, só visto antes no período da ditadura, quando a censura aos direitos humanos corria solta. Reconhecidamente polêmica, esta foi a saída encontrada pelo juiz da comarca de Santo Estevão para tentar impedir que crianças e adolescentes circulem pelas ruas das três cidades a partir de determinados horários. Sem dúvida, é uma medida difícil de ser entendida pela sociedade, principalmente nos dias de hoje. Mas, o que fazer?

Flagrante em Coité

No último sábado, em Conceição do Coité, o jovem Diogo Ferreira de Souza, de 24 anos, e o menor F.G.S.O, de 13 anos, foram presos em flagrante na Avenida Senhora Santana, após uma abordagem policial. De acordo com as informações, após uma ronda, a PM resolveu fazer mais investigações e encontrou um saco com 72 pedras numa residência. A dupla foi conduzida para a Delegacia de Polícia local e deverá ser interrogada nesta segunda-feira (15).

Segundo o Tenente Lessa, os dois jovens detidos já vinham sendo procurados e com eles, além das 72 pedras de crack, foi encontrado também material para embalar a droga, eletrodomésticos e uma lista com anotações de possíveis nomes de compradores e repassadores, constando ainda as suas respectivas dívidas.  

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