História

Cachoeira vira sede do governo ontem

Pelo segundo ano consecutivo, a cidade de Cachoeira, a 111 quilômetros de Salvador, no Recôncavo baiano, foi transformada em sede do governo estadual.

A transferência está prevista na Lei 10.695/07, aprovada pela Assembléia Legislativa e sancionada pelo governador Jaques Wagner. O decreto determina que todos os anos, no dia 25 de junho, a sede do governo seja instalada no município. O governador e seu secretariado participam das comemorações pela Independência da Bahia, além de assinar atos e despachos da administração estadual.

A programação começa às 8h, com o hasteamento das bandeiras na Praça da Aclamação. Às 9h, acontece a solenidade religiosa do Te Deum na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário. A agenda oficial inclui ainda assinatura de ordens de serviço no Centro de Convenções do Carmo, almoço, sessão solene na Câmara de Vereadores e desfile cívico, entre 11 e 17h. Às 10h, em São Félix, o governador entrega obra na BR-420 trecho que liga Maragogipe a São Félix.

O 25 de Junho é a data magna da cidade de Cachoeira, porque em 1822 os cachoeiranos deram início às lutas pela independência da Bahia, que culminaram com o 2 de Julho. Em 2008, a cidade abrigou pela primeira vez a sede do governo.

O início de tudo

25 de junho de 1822. Reunidos na Câmara Municipal de Cachoeira, Antônio de Cerqueira Lima, José Garcia Pacheco de Aragão, Antônio de Castro Lima, Joaquim Pedreira do Couto Ferraz, Rodrigo Antônio Falcão Brandão, José Fiúza de Almeida e Francisco Gê Acaiaba de Montezuma anunciam o resultado da consulta feita ao povo, se concordava que se proclamasse dom Pedro de Alcântara regente constitucional e defensor perpétuo do Brasil. Mesmo sob ameaça de uma escuna militar portuguesa, fundeada no Rio Paraguaçu, a resposta foi “Sim!”.

Na comemoração, o povo foi alvo de tiros vindos da casa de um português e da escuna. Os cachoeiranos proclamam uma Junta Conciliatória e de Defesa para governo da cidade. O primeiro combate foi pela tomada da embarcação, que, cercada, resistiu até a captura e prisão dos sobreviventes (28 de junho).

As vilas do Recôncavo e algumas localidades do Sertão vão aos poucos aderindo. Posições estratégicas são tomadas nas ilhas, em Pirajá e Cabrito. Itaparica, que já aderira, é bombardeada. Em Cachoeira, é organizado um novo governo para comandar a resistência, a 22 de setembro de 1822, sob a presidência de Miguel Calmon du Pin e Almeida.

Em outubro de 1822, chega do Rio de Janeiro o primeiro reforço efetivo. Sob o comando do general francês Pedro Labatut, a tropa foi impedida de desembarcar, indo aportar em Maceió (AL), de onde veio por terra, conseguindo arregimentar mais soldados.

A independência no sentimento popular

A partir da Conjuração Baiana de 1799, o sentimento de independência ficou arraigado no povo. A Revolução do Porto, em Portugal, em 1820, teve repercussão na Bahia. Em fevereiro de 1821, uma conspiração constitucionalista começa em Salvador, com a participação de Cipriano Barata.

Os conspiradores queriam, como em Portugal, uma Constituição que limitasse o poder real. Os revoltosos forçam a renúncia do governador, conde da Palma, que era apoiado pelo então coronel Inácio Luís Madeira de Melo. Uma Junta Governativa foi constituída por brasileiros e portugueses.

A 12 de novembro de 1821, soldados portugueses saíram pelas ruas, atacando soldados brasileiros, num confronto corporal na Praça da Piedade, com feridos e mortos. Em 31 de janeiro de 1822, uma nova Junta Governativa foi eleita e em 11 de fevereiro chegou a notícia da nomeação de Madeira de Melo, comandante das Armas da província, destituindo o brigadeiro Manuel Pedro, que fortalecera os nativos.

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