Política

2 de julho – Wagner escutou protestos

As comemorações deste 2 de Julho foram marcadas por muitos protestos contra os governos do Estado e de Salvador. No inicio, houve uma ligeira confusão quando a caravana do PMDB se aproximava do palanque oficial, na Lapinha, mas logo foi contornada.

Passo a passo

Leia adiante as primeiras impressões do desfile. Inicialmente, do agrupamento do governador Jaques Wagner, que foi acompanhado passo a passo durante o desfile.  

Protestos do inicio ao fim

As comemorações do 2 de Julho, data que marca a Independência da Bahia, ocorreram ontem com grande participação popular. O governador Jaques Wagner (PT), que chegou ao local da abertura cívica, na Lapinha, antes da 9h, se portou com tranqüilidade, apesar de todo um clima marcado por um ano pré-eleitoral. Durante o desfile, tanto o governador quanto a claque política que lhe seguiu, tiveram que ouvir vários protestos, principalmente dos policiais civis, que reclamavam por “nomeação já”, e da Cultura, que portavam várias faixas denunciando a crise na área.

 “Ó Pai Ó”

Os protestos mais fortes foram contra a Secretaria de Cultura, que buscavam atingir, principalmente, o secretário Marcio Meirelles, que esteve o tempo todo ao lado do governador Jaques Wagner. À medida que o desfile foi se aproximando das ruas de acesso a Santo Antônio Além do Carmo e ao Terreiro de Jesus, os protestos se intensificaram, e os manifestantes, que usavam máscaras cirúrgicas, gritavam palavras de ordem do tipo “Na UTI” e o refrão “Ó Pai Ó”. Uma manifestante se aproximou do governador e exibiu uma faixa com os dizeres: “A cultura está um caco”. Os protestos da Policia Civil também foram fortes, e seguiram a caravana governista o tempo todo. Outra cobrança também presente em meio aos protestos foi na área da educação, com os professores cobrando o pagamento da URV ao governador.

 Contra e a favor

No final do desfile, antes de se dirigir ao palanque oficial, no Terreiro de Jesus, o governador Jaques Wagner falou rapidamente à imprensa. Sobre as manifestações que aconteceram durante todo o trajeto, Wagner disse que encarava com naturalidade e os atribuiu à democracia. “A sociedade é democrática. Há aqueles que gostam de mim, e há aqueles que não gostam. O que acho que é incorreto é você ser desrespeitoso. Eu não quero ter 100%; quero ter a maioria”, observou.

 Mudou o vício

Perguntado sobre as manifestações contra o secretário de Cultura Márcio Meirelles e as críticas sobre a sua pasta, o governador minimizou os protestos. “Acho que parte do que reclamam tem razão. Uma parte deve ser pelos vícios do passado, mas vão ficar muito tempo chorando, porque nós não vamos carimbar a verba da cultura”, respondeu. Alertado de que os protestos se arrastavam há muito tampo, o governador explicou: “É porque a cultura, assim como a imprensa, tem capacidade de fazer mais barulho do que outros. É que nós mudamos um vício que tinha nesse estado”.

 Adeus, PMDB!

O governador também falou sobre a sucessão de 2010 e deixou claro que ainda confia numa aliança com o PMDB. “Não adianta vocês provocarem. Eu estou no meu passo. Se depender do governador Jaques Wagner, a aliança de 2006 será ampliada, ao invés de ser reduzida”, assegurou. Wagner alegou também que o PMDB ainda não havia tomada qualquer posição, por isso não via motivos para tanta cobrança. “O PMDB ainda não tem uma posição. Se tivesse tomado, não estaria no governo. Agora, se o PMDB tomar a decisão de fazer uma carreira solo, eu vou desejar sucesso”, disse.

 Otto e o PSC

Sobre as conversas com o Conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios Otto Alencar, Wagner disse que continua tudo se encaminhando bem e desmentiu que Otto teria se manifestado em não conversar com o governo. “Não acredito que ele disse isso. Ontem (anteontem) ele falou comigo por telefone e não tem nada disso”, garantiu. Em relação á composição da chapa majoritária para as eleições de 2010, o petista disse que não adianta precipitar os fatos. “O ponto final será no dia de inscrição da chapa no TRE, em 2010. Então, não adianta precipitar os fatos”, ponderou. Sobre as conversas com o PSC, ele revelou: “Eu conversei com o presidente nacional e o estadual do PSC e falei da vontade de ter o partido na nossa aliança em 2010, mas não tem nada fechado”.

 Abertura oficial

O governador Jaques Wagner participou da abertura oficial do desfile de 2 de Julho por volta das 9 horas, no Largo da Lapinha, onde ocorreu o hasteamento das bandeiras do Brasil, da Bahia, de Salvador e do Instituto Geográfico da Bahia. Em seguida, o governador, que estava acompanhado da primeira-dama Fátima Mendonça, depositou uma coroa de flores em homenagem ao general Labatut, que comandou as tropas nas batalhas pela Independência da Bahia. “Sem dúvida, é a data mais importante da Bahia. É quando os baianos elevam aqueles que foram heróis da Independência e fizeram a história da Bahia”, disse o deputado Marcelo Nilo, presidente da Assembléia Legislativa, e um dos presentes na cerimônia de abertura.

 A Bahia da afirmação

Durante o desfile, além de outros locais, o pelotão que seguia o governador Jaques Wagner parou em frente ao Convento da Soledade, onde aconteceu a execução do Hino ao 2 de Julho, executado pela Banda da Marinha e pelos alunos de escolas do bairro, e uma homenagem a Maria Quitéria e outros heróis da Independência. “É uma data muito significante para os baianos. Hoje, a nossa luta é que haja um reconhecimento do Brasil de que, aqui, no dia 2 de julho de 1823, a independência do Brasil se consolidou. Se não houvesse a luta popular contra as tropas portuguesas, o Brasil talvez não fosse o que é hoje”, defendeu Nelson Pelegrino, secretário de Justiça. “É uma manifestação cívica, talvez a maior que temos, para comemorar a independência da Bahia e a consolidação da do Brasil”, reforçou o ministro Juca Ferreira.   

 Tropa de choque

O governador seguiu todo o desfile ao lado da claque política da aliança de partidos que lhe dá apoio. Além do presidente da Assembléia Legislativa, deputado Marcelo Nilo (sem partido), a caravana oficial também foi formada pelos secretários Walter Pinheiro, Nelson Pelegrino, Batista Neves, Walmir Assunção, Rui Costa, Robinson Almeida, César Nunes e Domingos Leonelli, o ministro da Cultura Juca Ferreira, os ex-governadores Waldir Pires e Roberto Santos, vários deputados federais e estaduais, os prefeitos Luiz Caetano (Camaçari) e Moema Gramacho (Lauro de Freitas), entre outros.

Por Evandro Matos

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