Política

Especial – O fim da aliança PT-PMDB

O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, declarou nesta segunda-feira (13) que “não aguenta mais responder para todo mundo que é candidato ao governo da Bahia”. Com isso, ele sela o fim da aliança PT-PMDB que elegeu o governador Jaques Wagner (PT) em 2006.

A declaração foi dada durante uma entrevista a Mário Kertész, na Rádio Metrópole, quando o ministro alegou que “a pergunta e a resposta já são uma repetição chata”. Com isso, cai por terra qualquer esperança petista de ainda contar com o ministro na chapa em que o governador Jaques Wagner vai formar para disputar a sua reeleição. “O partido está desejoso de uma candidatura própria e eu estou disposto”, afirmou Geddel.

O ministro disse ainda que não tem qualquer novidade desde que falou pela primeira vez que iria às urnas contra o governador Jaques Wagner em 2010. Sobre a participação do PMDB no governo, Geddel falou que as secretarias estaduais ocupadas pelos peemedebistas estão à disposição do governador. Segundo ele, o assunto já foi tratado diretamente com Wagner. “Nossa posição é extremamente clara. Quando achar conveniente, que o governador demita, exonere, retire o PMDB do Governo”, afirmou. “Para que depois o PT não diga que está enganado com nossas posições”, alertou.

Provando que o clima azedou de vez entre o líder peemedebista e o Palácio de Ondina, neste final de semana o site Terra Magazine veiculou matéria dando conta da formalização do rompimento do ministro Geddel Vieira Lima com governador Jaques Wagner (PT). Segundo a matéria, assinada pelo repórter Cláudio Leal, “a união entre os dois, no pleito passado, é apontada como a principal responsável pela vitória que impediu em 2006 a reeleição do governador Paulo Souto (DEM) e quebrou um ciclo de quase duas décadas de domínio carlista no Estado”.

A matéria do TM destaca em sua abertura que, “depois de uma aliança de três anos com o PT baiano, o ministro da Integração Nacional decidiu lançar-se candidato ao governo da Bahia e pôs os cargos dos peemedebistas à disposição do governador Jaques Wagner”. Ao Terra Magazine, Geddel afirmou que não consultou o presidente Lula antes de tomar a decisão, mas que ainda apóia a candidatura da ministra Dilma Rousseff à presidência da República. “Comuniquei que havia uma tendência de o PMDB vir a apresentar um candidato e que o nome que estava sendo colocado era o meu”, pontuou.

A matéria destaca ainda que a troca de ameaças de rompimento entre o ministro e o governador Jaques Wagner cresceu nas últimas semanas. Segundo a matéria, Wagner recebia pressões das bases petistas para conter a liderança de Geddel no Estado. Com o racha, cria-se um impasse em mais um Estado para a aliança PT-PMDB em nível nacional em 2010.

De fato, o PMDB prossegue com os seus Encontros Regionais, com os quais busca justamente uma resposta das suas bases para saber a posição que deve seguir nas eleições de 2010. Até agora, dos seis encontros já realizados no interior, existe uma tendência muito forte para que o ministro da Integração Nacional saia candidato ao governo estadual. Além de pedirem a candidatura de Geddel, os prefeitos e lideranças peemedebistas têm aproveitado os encontros também para criticar o governo estadual.

  

 “Aliados” petistas já atuam como adversários

 

Assim, à medida que vai ficando clara a posição do ministro Geddel Vieira Lima sobre o futuro pleito eleitoral, os “aliados” petistas soltam os primeiros petardos contra ele. Também numa entrevista ao site Terra Magazine, o deputado federal Emiliano José (PT) criticou a posição do ministro, taxando-o de grosseiro com um aliado e “com um governo no qual tem secretarias”. Segundo Emiliano “o ministro copia gestos e reproduz ecos do passado, da antiga oligarquia baiana (…) Numa oligarquia lá atrás, com ACM, era tragédia, pela voz do Geddel, é farsa”.

Emiliano José revelou ainda que sempre defendeu em reuniões internas do PT que o rompimento entre o PMDB e o seu partido estava próximo porque “o ministro estaria sempre destacando o trabalho das secretarias estaduais sob responsabilidade do PMDB e não defendia as realizações do governo Wagner”.

O petista disse também que “não gostaria de citar quem já não está”, referindo-se a ACM, com quem teve inúmeros entreveros, mas disse que agora o faz porque, ao ser questionado sobre semelhanças com Antônio Carlos Magalhães, o ministro Geddel tem respondido com críticas a Jaques Wagner e Waldir Pires. “Ao comparar Wagner a Waldir, ele não agride nem a um nem a outro, apenas pretende que isso seja uma agressão (…). E creio que ACM não gostaria dessa comparação com o ministro Geddel, creio por recordar tudo o que ele disse sobre Geddel quando era vivo”, provocou.

Mas não foram só as palavras do deputado federal Emiliano José que provocaram um novo ambiente entre petistas e peemedebistas. Antes mesmo de Emiliano, o deputado federal e ex-secretário estadual da Agricultura Geraldo Simões também alertara abertamente a possibilidade de um rompimento da aliança. No desfile do Dois de Julho, por exemplo, Simões se mostrou cético sobre a presença do ministro Geddel na chapa que deverá ser encabeçada pelo governador Jaques Wagner nas eleições de 2010. “Acho difícil. Mas, se acontecer, política é assim mesmo”, declarou Simões, reavaliando a sua posição de crítico do ministro.  

Contudo, vem do deputado estadual José Neto as principais “pressões” contra o ministro Geddel Vieira Lima. Neto tem funcionado como um para-raio na defesa do governo e devolve respostas e criticas com a mesma dose e velocidade que elas chegam. Na semana passada, por exemplo, o petista declarou que Geddel queria sair de vitima, ao comentar o seu relacionamento com o governo Wagner. “Quem quer abandonar um projeto, pega o boné e vai embora. Mas Geddel quer ser expulso do governo para vira vítima”, comentou Neto.

Por Evandro Matos

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