Política

Especial – “O governo faz assédio moral”

Por mais que insista, está cada vez mais distante a entrada oficial do Partido Democrático Trabalhista (PDT) na base de apoio do governo estadual, principalmente se as discussões forem estendidas ao projeto de reeleição do governador Jaques Wagner em 2010.

Nem mesmo os últimos movimentos do secretário estadual de Relações Institucionais, Rui Costa, que esteve em Brasília ao lado do deputado estadual Marcelo Nilo para conversar com o Ministro Carlos Lupi, presidente licenciado do partido, alteraram essa realidade.

 

Ao contrário, pelas declarações feitas nesta quarta-feira (15), o deputado federal Severiano Alves, presidente estadual da legenda brizolista, disse que a situação só fez piorar. Embora tivesse admitido em nota distribuída à imprensa de que a ida do deputado Marcelo Nilo e do secretário Rui Costa ao ministro Carlos Lupi havia representado “apenas uma mera visita de cortesia”, ontem ele reagiu diferente. “O que o governo está fazendo é um assédio moral ao PDT, que considero até imoral”, desabafou Severiano. “Nunca me recusei de conversar. Como é que eles querem fazer uma ligação com a direção nacional dessa forma?”, questionou. 

 

Segundo o parlamentar, agora a situação piorou ainda mais. “O que azedou a relação foi essa falta de consideração de Rui Costa. Ele ir a Brasília, procurando fazer uma negociação por cima, como se quisesse atropelar o diretório estadual”, condenou Severiano, que revelou não ter sido a primeira vez que o secretário Rui Costa agiu dessa maneira. “O governador nunca conversou comigo, a não ser uma vez, durante um encontro social. Ele disse que queria conversar para discutir uma possível entrada do PDT no governo, mas isso nunca aconteceu. Ele passou tudo para Rui Costa”, disse.

 

Severiano falou ainda que, quando conversou com Rui Costa para a entrada do PDT no governo, o partido não aceitou a oferta da Secretaria de Ciência e Tecnologia, principalmente porque ela veio desvinculada da Fundação Fapesb. “Seria um perigo assumir uma secretaria agora, sem tempo para fazer um serviço. Além disso, não tem dinheiro e a Fundação está sem orçamento”, avaliou. “Não queremos assumir uma secretaria para dar emprego. Queremos ajudar o governo. Mas na secretaria não há mais como fazer algum trabalho”, comentou, praticamente descartando novas negociações. Questionado se o governador Jaques Wagner fez pouco caso na condução das negociações para a entrada do PDT na sua base de sustentação, Severiano foi sintomático: “Totalmente”.

 

Aliança com o PMDB

No pacote das negociações do governo, através do secretário Rui Costa e do deputado Marcelo Nilo, em Brasília, estaria também a investida para tentar acomodar os onze deputados que estão procurando uma nova filiação partidária no PDT. “Nós não aceitamos nenhuma pré-condição. É possível que o PDT não tenha interesse em todos (os deputados). Mas esse assunto não pode ser misturado com 2010” comentou Severiano. Na nota distribuída á imprensa, com o titulo “O nome do presidente do PDT na Bahia é Severiano Alves”, ele disse que “o PDT não faz negócios. Se porventura as mencionadas autoridades foram negociar a legenda, não obtiveram êxito. Aliás, até onde conheço o deputado Marcelo Nilo, ele não cometeria tal indelicadeza”, ponderou.

O deputado pedetista informou ainda que soube antecipadamente da visita, mas que não lhe trouxe nenhuma preocupação pelo fato de conhecer o partido, a sua tradição e, principalmente, pela seriedade do presidente nacional da legenda, o ministro Carlos Lupi, que depois lhe comunicou a proposta feita por Rui Costa para que o PDT ingressasse na aliança com o PT. “Estou mais do que seguro e verdadeiramente convicto porque gozo de prestigio na Direção Nacional. E o partido não costuma intervir nos estados com negócios. O PDT quer uma aliança que lhe traga grandeza. E Lupi disse que qualquer acordo na Bahia passa por mim”, avisou.

Convicto da posição de Lupi, o parlamentar afirmou também que a aliança com o PMDB de Salvador e o prefeito João Henrique está mantida e que já está conversando com o ministro Geddel Vieira Lima – provável candidato peemedebista ao governo do Estado – sobre as eleições de 2010. “Estamos conversando uma aliança estadual com o ministro Geddel. O PDT tem uma proposta que é participar da chapa majoritária, por ser um partido conceituado”, defendeu. “E o Lupi nos deu carta branca para tratar do assunto com os dois partidos (PT e PMDB) e optar com o que for melhor”, revelou.

O pedetista também desmentiu qualquer boato de que o ministro Carlos Lupi tenha interesse que o PDT feche uma aliança com o PT. “Ele não tem interesse que o PDT fique com Wagner. Na época (referindo-se à visita do ministro à Bahia para conversar com o governador Jaques Wagner sobre a possível entrada do partido no governo), ele disse que seria melhor para o partido, mas não foi uma coisa de preferência”, alegou Severiano.

Em relação às discussões dentro do próprio partido sobre com quem deve fazer aliança em 2010, mesmo que os deputados estaduais já venham votando com o governo na Assembleia Legislativa, Severiano disse que a posição da maioria dos militantes é contrária a uma aliança com os petistas. “Recentemente, nós reunimos o partido e não houve um voto a favor da aliança com o PT”, explicou o pedetista.         

 

Por Evandro Matos

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