Economia

Feira- SR protesta contra Grupo Lomes

Sindicato dos Radialistas fez protesto nesta quinta-feira em frente à Rádio Jovem Pan, do Grupo Lomes. Sindicalista Valter Vieira: “ele vai escravizar radialista em outro lugar, aqui não”.

O Sindicato dos Radialistas de Feira de Santana realizou nesta quinta-feira uma manifestação em frente à Rádio Jovem Pan (antiga Rádio Antares), em protesto contra o tratamento que, conforme o presidente da entidade sindical, Valter Vieira, a empresa do Grupo Lomes de Radiodifusão vem dando aos seus profissionais.

O grupo chegou cedo à sede da emissora, na Rua Sabino Silva, bairro Kalilândia, onde também funciona a Rádio Eldorado, do mesmo grupo. Através de um carro de som, os dirigentes do Sindicato denunciaram que a diretoria da Rádio Jovem Pan estaria há dois anos sem reajustar os salários dos seus profissionais. Também acusaram a empresa de estar obrigando funcionários a trabalhar além da carga horária, sem a devida remuneração.

“O presidente do Grupo Lomes (o empresário Antônio Lomes do Nascimento) pensa que pode escravizar os radialistas em suas empresas nesta cidade. Aqui, ele não vai escravizar, não”, bradava o dirigente Valter Vieira. Ele disse que nenhum radialista da Rádio Jovem Pan participava da manifestação por receio de retaliações. “Eles estão sofrendo diante da indiferença da empresa, mas não podem dizer nada. Quem colocar a cara aqui, certamente é demitido na hora”, afirmou.

Valter Vieira disse que foi negativo, para os radialistas, a experiência de ter transformado uma emissora com programação local, a Rádio Antares, em uma retransmissora da Rádio Jovem Pan. “Isto acarretou em demissão em massa e prejudicou a comunidade, que perde uma programação local para ter de engolir atrações de São Paulo”, disse ele.

Tânia Lomes nega abuso contra profissionais

 

 A diretora do Grupo Lomes, Tânia Lomes do Nascimento (esposa do presidente Antônio Lomes), disse ao jornal Tribuna Feirense que não procedem as denúncias de exploração de mão-de-obra pela rede, em Feira de Santana. “A gente entende algumas reações. Sempre que ocorrem mudanças, acontecem reações. Algumas pessoas são contra”, disse ela.

“Mas toda empresa tem o direito de proceder as mudanças que lhe convém, reestruturar o seu quadro”, acrescentou a diretora. Ela disse que as demissões que foram feitas envolveram pessoas que não vinham fazendo um bom trabalho ou correspondendo às expectativas da emissora.

O enxugamento no quadro, segundo ela, foi normal, na medida em que a Rádio Eldorado absorveu a programação da Jovem Pan, mas a emissora mantém profissionais locais e produz diariamente um bem estruturado programa de jornalismo. Garantiu que, ao contrário do denunciado pelo sindicato, não há estagiários fazendo trabalho de profissionais do rádio na emissora. “A medida de trazer a programação da Jovem Pan atende a um segmento importante de Feira de Santana, que é o público jovem. A experiência tem dado um significativo retorno de audiência”, acrescentou.

Quanto à questão salarial, ela disse que no ano passado foi incorporado à remuneração dos radialistas da empresa uma diferença que era paga há alguns meses. “Então, na realidade, isto representou um reajuste”, disse.  Tânia Lomes garante que as emissoras da rede pagam acima do piso exigido pela lei, e sinaliza para o diálogo com os profissionais. “Não nos negamos a negociar e a conceder um novo reajuste”, afirmou.

Nesta quinta, a direção da emissora manteve uma conversa com os profissionais e pediu que os problemas fossem expostos para avaliação. Contudo, Tânia Lomes observou que, como o presidente da emissora, e ela própria, têm atividades políticas, por isso “é possível que interesses políticos estejam movendo algumas dessas pessoas”.

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