Política

Zé Ronaldo concede entrevista ao BE

O ex-prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho, em entrevista ao Bahia Econômica fala sobre temas como economia, o governo Wagner e sua posição com relação às eleições de 2010.

Bahia Econômica –  A rodovia Salvador – Feira  é a principal via de entrada e saída de mercadorias e pessoas para a capital do Estado, e acaba de ser privatizada, sendo que em breve os usuários passarão a pagar pedágio. Como ex prefeito de Feira de Santana e conhecedor dos problemas da região, qual a sua avaliação? 

José Ronaldo: A rodovia BR 324, a Salvador-Feira, encontra-se em estado lastimável.  É a pior estrada federal do Nordeste do Brasil e isso vem prejudicando sobremaneira, não só o deslocamento das pessoas, como também as atividades econômicas e de toda ordem.  O governo estadual fez poucas gestões no sentido de sua recuperação e o governo federal nada realizou.  Às vezes eu penso que deixaram a estrada chegar a esse ponto, para que a população, depois que a estrada for privatizada, achar que o pedágio foi o “salvador da pátria”.  Mas o pedágio não é o ideal para a comunidade, que já paga muito imposto. O ideal era o governo federal,  que recebe os impostos da região, fazer isso retornar em forma de obras e melhoria da rodovia.  Eu não tenho dúvida de que o pedágio vai ser prejudicial a comunidade da região.

 
BE – Em sua opinião o pedágio vai ter impacto na economia regional?

 

JR: Sim, aliás, na economia como um todo, pois os custos de transporte  vão aumentar e as empresas devem repassar esses custos aos preços das mercadorias.  Além disso, a privatização não vai ser apenas da Salvador – Feira, está incluída também uma parte da BR 116 até o Paraguaçu e uma parte do contorno de Feira de Santana. Tudo isso representará um custo que era da responsabilidade do governo e que está sendo transferido para a população. O governo passa a se ver livre dessas despesas, mas elas aumentam as despesas da população.  Muitas pessoas fazem esse trajeto diariamente e, contando tudo, o custo aproximado será de 9 reais/dia.  Ora, isso representa, de segunda a sexta, um custo da ordem de  R$ 180,00. É um custo considerável, uma despesa que poderia ser realizada em outras áreas, dinamizando o comércio e a economia como um todo.

BE –  Qual a sua avaliação sobre a atuação do governo estadual em Feira de Santana?

JR:-Com recursos estaduais, apenas, eu desconheço uma obra do governo estadual em Feira. A principal obra que está sendo realizada é a de esgotamento sanitário, com recursos do PAC. Feira de Santana tinha 48% de sua área urbana com saneamento básico e, com esses recursos,  a Embasa está saneando parte da Bacia do Rio Jacuípe  e do Rio Subaé.  Mas deixou a bacia do Pojuca de fora.   O governo estadual está colocando algum recurso na construção do Hospital da Criança, com 90% de recursos federais,  que, ao meu ver, não é uma prioridade para a cidade ou para a região.  A prioridade da cidade e do seu entorno é um hospital de emergência . O Hospital Cleriston Andrade, que está precisando ampliar e reequipar.  A Prefeitura já possui um hospital para crianças e o governo otimizaria mais os recursos  se ampliasse esse hospital, construindo um centro cirúrgico pediátrico que é uma necessidade, e destinando recursos a um hospital de emergência. E o pior é que o governo, além de investir pouco,  paralisou muitas obras que estavam em andamento. 

BE – Por exemplo?

JR: O Centro de Convenções de Feira que foi iniciado no governo Paulo Souto e agora está paralisado. E o projeto de relocalização da invasão Anchieta, que tem empréstimo aprovado pelo Banco Mundial, e está sendo tocada a passos de cágado, por incapacidade de gerenciamento. Aliás, não existe desde que começou o governo, um convênio sequer  entre governo do Estado e Prefeitura.

BE – Nesse contexto, qual a sua avaliação do desempenho da Prefeitura de Feira?

JR: A Prefeitura de Feira vem fazendo a sua parte, mesmo neste momento de dificuldade. Tem honrado seus compromissos, não atrasa faturas, e vem cumprindo a programação de eventos, como Micareta, São João e outros. Além disso, digitalizou a saúde, colocou internet gratuita para as localidades de Feira X e a Rua Nova, que são as mais populosas, está pavimentando ruas e continua trabalhando pelo município.

BE – Em relação à economia de Feira,  têm surgido novos investimentos?

JR – Nos dois anos e meio do atual governo, não me recordo de uma nova empresa em Feira de Santana. No governo anterior,  a Nestlé se instalou aqui, a Pirelli, que ia fechar, fez novos investimentos e hoje é uma das principais fábricas do grupo, veio uma nova unidade da Belgo Mineira, a Rigesa, empresa de embalagens, enfim, dezenas de empresas industriais e quase uma centena de novas empresas na área comercial, incluindo todas as grandes redes internacionais .  Agora, nesse governo, o investimento foi zero. Aliás, o governador, após uma viagem aos Estados Unidos, anunciou que uma empresa, a PepsiCo – Elma Chip, viria se implantar aqui, mas parece que deu azar. Até hoje não veio.  Aliás, o protocolo com essa empresa foi firmado no governo Paulo Souto.

BE –  Para finalizar uma pergunta política. Fala-se muito em sua candidatura para o Senado ou para Vice governador numa chapa do seu partido, essa é a sua expectativa?

JR – Meu nome tem sido ventilado e o incentivo tem sido grande para que eu me candidate. Sou candidato em 2010, mas não sei para que cargo.  Minha intenção é somar, unir o grupo do qual faço parte e ampliar a aliança com outros segmentos. As conversas estão adiantadas com partidos como o PSDB e o PR, mas o meu sonho é trazer o PMDB para a aliança.  Mas vou em busca do meu espaço, até porque tenho o incentivo de prefeitos e parlamentares da região e de toda a Bahia. Meu desejo é representar Feira de Santana e a Bahia.

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