Política

Especial – O Rei e o Novo Maranhão

Fechamos mais uma enquête deste Portal. Desta feita, sobre o que o nosso leitor acha da crise no Senado. No final, 47,62% marcaram que a máscara do PT caiu; 33,33% disseram que faz parte da crise ética do País; 11,11% disseram que Sarney é inocente; e 7,94% disseram Lula apoiar Sarney é estranho.

A bem da verdade, o próprio resultado da enquête pode não expressar a realidade, o que pode representar, também, um desvio de ética, ou de falta de informação. Mas que o leitor não se ofenda, é apenas uma forma direta de expressar, talvez uma pressa em querer ser entendido logo na primeira esquina. Quer dizer, seria mesmo o PT o principal culpado de tudo que está se passando no Senado, e no País? Ou o partido estaria sendo levado a comprar essa triste idéia? Mas, de qualquer forma, o leitor é sábio, porque não se pode admitir que um conjunto de homens – todos anjos e cegos? – não tenha capacidade para reagir a tamanha cretinice.

Então, vamos por partes. O presidente do Senado é o José Sarney, certo? Sarney tem cometido uma série de desatinos, atos secretos e coisas que tais, não é verdade? Parentes, amigos, apaninguados enriquecem a sua biografia no comando daquilo que o senador Jarbas Vasconcelos profetizou, já em fevereiro, de um Novo Maranhão. Certo?

Mas, antes disso, Sarney foi presidente da antiga Arena, depois PDS, enfim, o comandante dos partidos que se opuseram à conquista da democracia nas décadas de 60, 70 e 80. Fingiu romper com a Ditadura, e se filiou à Frente Liberal, depois entrou no PMDB para ajudar o povo brasileiro desvinculá-lo de vez do velho MDB de figuras como Chico Pinto a Ulisses Guimarães.

A fatalidade o levou ao Palácio do Planalto, com a morte de Tancredo Neves. Das tribunas, país afora, Lula e quem mais de direito, enxortavam o seu governo. “Xô Sarney” e “Grileiro” foi o mínimo que Lula e os seus seguidores lhe atribuíram.

O que dizer de um presidente que…

Então, vamos aos fatos. Quem, hoje, vive lado a lado com Sarney? Lula. Quem, na contramão do país, vive a defender Sarney e a segurá-lo na Presidência do Senado? Lula. Quem telefona para Renan Calheiros – outro câncer deste País – e pergunta: “O que vamos fazer agora?” Lula. Quem está tapando os ouvidos para o que disse no passado? Lula. Quem está fechando os olhos para a corrupção, o nepotismo, o abuso de poder, o tráfico de influência? Lula.

Essa triste realidade, creio, entristece a todos nós. “Nunca na história desse pais” um Presidente da República se arvorou a ir de encontro a uma realidade tão nociva a uma Nação. O que o presidente Lula vem fazendo, não passa de uma canalhice sem tamanho, banalizando o que resta de valores nessa democracia conturbada.

É de uma irresponsabilidade absoluta. Detentor de 80% de popularidade, Lula se acha acima do bem e do mal e, a pretexto de fazer o seu sucessor, não mede sacrifícios ao País e ao seu próprio partido. Com as suas atitudes, Lula está muito mais para um déspota do que para um democrata. Não custa lembrar a censura ao jornalista norte-americano, a sua tentativa de criar o Conselho de Jornalismo para “enquadrar” a imprensa, a criação da TV Brasil para impor um “chavismo” ao País, e as chantagens que faz quando vê as suas posições ameaçadas.

Ao defender Sarney abertamente, o presidente Lula foi aconselhado de que sua popularidade fora atingida. Então, era melhor não insistir. Mas na posse do novo Procurador Geral da República, esta semana, ele criou constrangimento e surpresa total, ao dizer: “É importante olhar a biografia dos que serão julgados”, aludindo a mais uma defesa da biografia de Sarney que, um dia, ele próprio jogara no lixo.

Faz muito tempo que o presidente destruiu o próprio partido que ajudou a construir, tudo para poder se perpetuar no poder ou para impor a sua vontade na futura eleição presidencial. Antes rotulado de democrata, o PT nem teve oportunidade de discutir um candidato dentro do partido. Lula impôs o nome de Dilma Rousseff e todos tiverem que engolir calados. Agora, o presidente coloca o seu partido a pique, exigindo apoio e solidariedade a Sarney.

 

PT é conivente

 

Mas, nesse e noutros casos, Lula não erra sozinho. Não se pode conceber que um partido que se dizia tão aberto, de repente abaixe a cabeça para um único homem e deixe ele ditar as regras ao seu bel prazer. Portanto, o PT peca pela omissão e submissão, alternando-se entre atender o chefe e querer voltar à lata do lixo para pegar o que já jogou fora há muito tempo. Suplicy, Mercadante, Genuíno, Wagner, Tarso, cadê essa gente?

Aliás, o PT e Lula agora agem para livrar Sarney de todos os pecados, mas, quando chegar a eleição, certamente contratarão o melhor marqueteiro e dirão que, como no Mensalão, nada existiu. Ou que era uma velha prática. Mas, todos nós não fomos em busca de uma coisa nova, mais vibrante, e menos triste, como disse o Raul?

Contudo, o partido não pensa, não reage e o presidente faz o que bem quer. Reduz o seu espaço no próprio Senado, onde deixou de apoiar o nome de Tião Viana para ficar com o “aliado” José Sarney. E por que o País não faz as indagações que mereciam ser feitas? Por que o presidente, por exemplo, não aceitou apoiar a candidatura de Pedro Simon à Presidência do Senado? É que Simon não lhe é submisso como Sarney o é. E pronto.

Aos seus adversários, Lula também trata com deboche e chantagem. Vive a provocá-los nos palanques, eternamente fazendo política, como se fosse um Rei absoluto, sem contestações. Se criam uma CPI para apurar as irregularidades na Petrobras, desdenha e procura jogar a opinião pública contra. “Querem privatizar as Petrobras”, brada. Agora, com o apoio que vem dando às maracutaias de Sarney, não demora para dizer que a oposição também quer privatizar o Senado. E o pior é que boa parte da população, desinformada, acredita. E onde estão a CUT, Força Sindical e a UNE? Procure saber da dinheirama que eles tem recebido que você saberá por quê estão todos calados.      

Certamente por essas e outras, faz muito tempo que as principais cabeças pensantes desse país deixaram o barco do PT. Não há mais como suportar tanta incoerência. Heloisa Helena? “Ah, essa é apenas uma radical”, sustenta a gente de Lula, só porque ela não rasgou o discurso que ajudou ao partido chegar ao poder. Chico Oliveira, Chico Alencar, vão passando…

O país ainda não se deu conta que hoje existem dois brasis: o da esmola do Bolsa Família; e o que teima em produzir. Pois bem. À reboque da maioria absoluta dos “miseráveis”, Lula explora justamente aquilo que antes condenava: o assistencialismo. E por conta dessa gente inocente e sem instrução, esmola e esfola. E tome discurso bonito, crítica às “elites” que ele tanto beneficia e provocações à Justiça e à Constituição. Parece que tudo lhe subiu á cabeça.

Evandro Matos

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