Política

Especial – A metamorfose de Lula

Depois de defender a permanência do senador José Sarney (PMDB) na Presidência do Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sentindo o efeito negativo junto à opinião pública, começa a recuar. Sobre o assunto, a imprensa nacional publicou várias matérias e charges, que trazem Lula ao lado de figuras como Sarney, Renan Calheiros e Fernando Collor.

Além de cometer uma falta de respeito com a sua própria história e do cargo que ocupa na defesa de um senador acusado de inúmeras irregularidades, Lula agora dá mais uma demonstração da sua incoerência e arrogância, como se todos nós fôssemos cegos e sem memória.

Lula começa a recuar e a negar tudo, como se ninguém soubesse do seu esforço para eleger Sarney Presidente do Senado, como se não se reunisse constantemente com Renan para traçar os destinos desta Pátria, como se não estivesse com conversa marcada com Sarney às escondidas, como se a turma que manda no Senado, e na Câmara, a chamada Tropa de Choque, não tenha sido escolhida por ele mesmo para barrar CPIs e aprovar o que quer e não quer na Casa. Quem, por exemplo, escolheu o Conselho de Ética, sem ética, do Senado?

Não, não foi Lula quem defendeu José Sarney ardorosamente, que obrigou a sua candidata também a defendê-lo publicamente (e depois recuar), e o seu próprio partido ir e voltar nas posições sobre a permanência do dono do Maranhão na Presidência do Senado, numa tentativa de ludibriar a opinião pública.

E por que a maioria da população não censura e não pune tais posições? A esmola, a esmola, que deixa o povo sem emancipação. Adiante, um texto do jornalista Ricardo Noblat, que ilustra toda a incoerência do presidente falastrão:

Perdão, presidente! (Ou: Ensaio sobre a cegueira)

 

Peço desculpas públicas ao presidente da República por ter criticado seu comportamento diante da crise que abala o Senado e ameaça o mandato do senador José Sarney.

Precipitei-me. Fui leviano. Imaginei ter visto Lula interferir várias vezes na vida do Senado – antes da crise irromper e com ela em curso.

Antes: quando Tião Viana (PT-AC) foi ao Palácio do Planalto e saiu de lá com o sinal verde dado por Lula para disputar a presidência do Senado.

Antes: quando Sarney foi a Lula e jurou três vezes que não seria candidato.

Antes: quando Sarney voltou a Lula e disse que seria candidato atendendo a uma convocação do PMDB.

Antes: quando Lula então abandonou Tião e ficou com Sarney.

Depois que a crise foi detonada: quando ele afirmou que Sarney era uma pessoa incomum e que, portanto, merecia ser tratado como uma pessoa incomum.

Depois: quando ele disse e repetiu várias vezes que o Senado não poderia ser paralisado por denúncias publicadas diariamente pelos jornais – e desdenhou delas.

Depois: quando ele mandou Dilma Rousseff avisar a Sarney que o apoiaria para o que desse e viesse.

Depois: quando ele forçou o PT no Senado a mudar de posição e esquecer o pedido para que Sarney se licenciasse do cargo.

Depois: quando ele escaloui o ministro José Múcio Monteiro, das Relações Institucionais, para desautorizar o líder do PT Aloizio Mercadante que voltara a defender a licença de Sarney.

Foi tudo um tremendo engano da minha parte. E não me consola o fato de que a maioria dos meus colegas também se enganou.

Fomos vítimas de um ataque de cegueira coletiva.

Lula disse hoje, irritado, que nada tem a ver com a crise do Senado. E disse também que a permanência de Sarney na presidência do Senado não é problema dele.

Foi uma declaração coerente com com suas atitudes recentes.

Sarney foi devolvido ao estágio anterior de homem comum.

Perdão, presidente!

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