Polícia

SSA – Perito é enterrado sob protestos

Um dia de protestos, comandados pela Policia Civil, praticamente parou o trânsito de Salvador durante toda a manhã desta quinta-feira (30). Os protestos foram contra o assassinato do perito Hilton Rivas por agentes da Policia Militar.

Mais de 200 policiais civis protestaram na manhã desta quinta-feira (30) em frente à Secretaria de Segurança Pública (SSP), na Piedade. Os protestos foram contra o assassinato do perito-técnico Hilton Martins Rivas (ocorrido ontem) por integrantes da Policia Militar, que, mais uma vez, mostraram arrogância e despreparo.

À tarde, os manifestantes seguiram para a Avenida Centenário, onde fica a sede da Policia Técnica, e continuaram a manifestação. Nos municípios do interior como Feira de Santana, Ilhéus, Itabuna, Juazeiro e Vitória da Conquista, os protestos também aconteceram. Isso tudo, no mesmo dia em que o ministro da Justiça, Tasso Genro, veio a Salvador para lançar o apenas demagógico “Território da Paz”.

Como era de se esperar, o comando da Policia Militar da Bahia já adiantou a sua versão, agindo com corporativismo. A versão inicial é que houve reação, mesmo diante das declarações de várias testemunhas de que o perito não esboçou nenhuma reação, buscando apenas se identificar perante a arrogância dos policiais, que não é raro nesses momentos.     

Os manifestantes disseram que só iriam parar quando os policiais que mataram o perito-técnico Hilton Martins Rivas, 25 anos, se apresentassem à Corregedoria da Policia. Foi grande o engarrafamento no local e nas ruas adjacentes. Há um clima de revolta tanto por parte da Policia Civil quanto dos familiares e amigos do perito assassinado. A Associação dos Funcionários Públicos do Estado da Bahia já aderiu aos protestos.

O crime (mais um)

 

O perito foi morto a tiros na quarta-feira, 29, durante uma abordagem de quatro policiais militares, lotados no 18º Batalhão (Centro Histórico), no Largo do Santo Antônio Além do Carmo.

“Vamos suspender todas as atividades até que a PM apresente o tenente na 2ª Delegacia. O que aconteceu foi um absurdo, uma execução”, reclamou Cláudio Lima, diretor jurídico do Sindpoc. São realizadas apenas levantamento cadavérico e flagrantes. Os manifestantes colocaram uma faixa preta em sinal de luto na frente da secretaria e fecharam a rua com cerca de 30 viaturas com sirenes ligadas.

O caso pode provocar um racha da PM com a Polícia Civil já que representantes do Sindpoc se confessaram indignados com as declarações do coronel Manoel Francisco Bastos, corregedor da PM, confirmando que o tenente Fagner Santos continuará trabalhando normalmente.

De acordo com Bastos, “não existe razão para prender alguém que agiu no legítimo cumprimento do dever. O perito sacou a arma e, felizmente, o tenente atirou primeiro. Foi um caso de legítima defesa evoluído do estrito cumprimento do dever”. O perito técnico deve ser sepultado às 16h desta quinta-feira, 30, no cemitério Jardim da Saudade, no bairro de Brotas.

Evandro Matos 

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