História

Feira e Riachão na saudade de Gonzaga

Feira homenageou Luiz Gonzaga com uma missa, acompanhada por vários artistas. Mas Riachão do Jacuipe, que teve a sorte de receber o Rei do Baião em 1967, sente apenas saudade. Mas as homenagens se multiplicaram em todo o Nordeste.

Uma missa festiva em homenagem aos 20 anos de morte do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, foi realizada nesta segunda-feira (3), na Igreja Senhor dos Passos, em Feira de Santana. Sanfoneiros tocaram durante a homenagem, que contou com a participação de cerca de 100 pessoas.  .

“Não podemos falar do Nordeste sem falar de Luiz Gonzaga. Ele propagou através de suas obras o que a igreja católica busca atender que é o sofrimento do povo nordestino, atingido pela seca, pela fome e pela pobreza”, frisou o padre Marildo Ferreira, que celebrou a missa.

 

Músicas do maior artista nordestino foram usadas para embalar a missa e sucessos como “Asa Branca”, “Vida de Viajante” e “Xote Ecológico” levaram muitos fiéis à emoção. “Sou fã incondicional de Luiz Gonzaga e, ao passar em frente à igreja, ouvi as musicas dele e resolvi assistir a homenagem. Foi a melhor surpresa que já tive”, revelou emocionada a dona de casa Corina de Oliveira.

 

Segundo o idealizador da homenagem, o músico J. Sobrinho, desde a morte de Luiz Gonzaga o grupo faz homenagens ao Rei do Baião, que é considerado, por eles, o ícone da música nordestina. “Luiz Gonzaga é um marco na história da música nordestina, ele é a referência e vive em nossos corações. O sanfoneiro que não toca Luiz Gonzaga não é sanfoneiro”, destaca.

Para o historiador e escritor Franklin Maxado, todo nordestino tem um pouco de Luiz Gonzaga no sangue. Ele acredita que a homenagem dos artistas feirenses é um agradecimento a tudo que o artista fez pelos músicos. “Fui criado ouvindo as músicas de Luiz Gonzaga e já adulto fui amigo pessoal dele, tenho vários contos e cordéis sobre suas obras. O considero o maior cantor da música nordestina e não perco nenhuma homenagem a ele”, afirmou.

Luiz Gonzaga nasceu em Exu, Pernambuco, em 13 de dezembro de 1912. Foi um compositor popular que aprendeu a ter gosto pela música ouvindo as apresentações de músicos nordestinos em feiras e em festas religiosas. Tocou de tudo um pouco, inclusive em bares localizados no sul do país. Participou de concursos de calouros e, em 1941, foi ao programa de Ary Barroso, onde cantou “Vira e Mexe”, que lhe rendeu o primeiro prêmio. Com o resultado, o cantor chamou a atenção da Rádio Nacional, que fechou contrato com o artista.

O Rei do Baião esteve várias vezes em Feira de Santana e em uma destas visitas recebeu o titulo de cidadão feirense. “Ele foi o primeiro músico a assumir a nordestinidade com sua sanfona e seu chapéu de couro cantando a dor e o amor de um povo sem voz: o Povo Sertanejo”, disse J. Sobrinho.

Gonzaga cruzou as BRs 324 e 407

 

O amor do nordestino a Luiz Gonzaga é tanto que as homenagens pelos vinte anos de sua morte aconteceram em todos os lugares. Com ampla programação, cidades como Recife, Caruaru e Exu (PE), Fortaleza, Juazeiro do Norte e Crato (CE), Teresina (PI), Campina Grande e João Pessoa (PB), Senhor do Bonfim e Feira de Santana (BA), celebraram missa, organizaram festa, promoveram discussões e debates, e lembraram a data com muita ênfase.

Durante os longos anos em que dominou com Rei absoluto da música nordestina, Gonzaga foi a estrela maior dos festejos juninos, com passagens em vários municípios. Em Senhor do Bonfim e Entre Rios, por exemplo, ele era cadeira cativa no período de São João.

Mas Luiz Gonzaga tinha o hábito também de sentar pouso em Feira de Santana, a capital nordestina do gado, terra do aboio, de Lucas, da farinha, do vaqueiro, das coisas que “Lua” gostava de cantar. Por isso, ele não deixava de passar na terra do Monsenhor Galvão.

Homem bom e humilde, Gonzaga rasgou muito as BR-324 e 407 de carro, no vai e vem para o seu Pernambuco. Em 1967, o município de Riachão do Jacuipe, quase vizinho a Feira de Santana, e no caminho de Bonfim, teve a sorte de receber Gonzagão. Na oportunidade, ele fez um grande show no Clube Euterpe, daqueles que o povo nunca esquece.

Gonzaga deixou na cidade o registro da sua passagem através de um livro, que autografou para vários amigos. “O Sanfoneiro do Riacho do Brígida”, de Sinval Sá, narra parte de sua bela história. Jacuipenses como José Aristides e Plínio Enódio estão aí para testemunharem o que representou aquela data histórica. De qualquer forma, mesmo sem ser lembrado de forma oficial, Gonzaga não passa despercebido na cabeça dos que pensam na nação nordestina.

Evandro Matos

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