Cultura

Globo e Record – A briga do gato e o rato

O Brasil acompanha atentamente a briga entre a Globo e a Record, ou melhor, entre o cachorro e o gato. Não há diferenças entre uma e outra. A bem da verdade, e antes que o mais inocente não saiba, é tudo em nome da audiência. Uma porque está perdendo; a outra, porque quer ganhar. E no meio desse samba de crioulo doido, o telespectador paga o preço, e alto.

Ao contrário do que ocorre em países ditos civilizados, Estados Unidos, Grã Bretanha, França, etc, o Brasil não dispõe de uma legislação que regule a comunicação eletrônica. Quando se tentou, a Globo partiu para cima com tal voracidade que, a todos os governos, inclusive os do período da ditadura militar, faltou coragem para peitar a rede.

O que era para ser um veículo de comunicação, ganhou tal poder, cresceu de forma tão inexplicável, que hoje a simples tentativa de mostrar tanto à Globo quanto à Record que ambas são concessões públicas, se transformou numa idéia impossível ou inimaginável, tamanha a força que elas têm. E assim o País segue, refém das duas, à mercê dos seus interesses.

Hélio Costa, ministro das Comunicações do atual governo, é ex-funcionário da Globo, como prepostos foram os ministros anteriores. Assim, um dos mais poderosos instrumentos de comunicação deixa de cumprir seu papel de informar, educar, entreter, para mergulhar numa guerra em disputa de fiéis que se dispõem a ficar estáticos ouvindo e repetindo as “verdades” de cada quadrilha. Fiéis, sim, a Globo não busca outra coisa diferente do que a Record.

A Record segue quase o mesmo caminho. E, em nome da audiência, não existe escrúpulo, tampouco limites. Religiosidade? Princípios? Família? Faz tempo que a Rede de Edir Macedo jogou tudo isso na lata do lixo, preferindo se nivelar à sua concorrente. As duas são tão iguais que o telespectador pode se atrapalhar, tal a semelhança da programação, a violência das cenas, o troca-troca dos profissionais, a insensatez das idéias, a incoerência do discurso.    

Em toda essa guerra, a Record levantou a história da Globo, seus vínculos com a ditadura militar, sua origem no capital estrangeiro (em franco desrespeito à lei), seu silêncio na campanha das Diretas Já, o processo de Impeachment de Collor, e a fraude da Proconsult tentada nas eleições de 1982 contra Leonel Brizola. Isso, sem falar na “máfia do futebol”, quando todo o País viu a Globo veicular matérias pesadas contra Ricardo Teixeira, o Rei da CBF, e hoje os dois estão de braços dados em nome de uma suspeita parceria.

E tampouco no processo permanente e muito bem montado de idiotização do telespectador brasileiro, que não está só na desinformação do Jornal Nacional, mas nas besteiras de Fausto Silva, no oba-oba intragável de Luciano Hulk e na erotização da infância praticada por Xuxa. Enfim, em todo o complexo, digamos assim, de colonização do brasileiro, de um Nordeste caipira, quintal, atrasado e subserviente da Avenida Brasil, da Vênus Platinada.

Por Evandro Matos

(Abaixo, uma matéria do Portal Comunique-se, especializado em Comunicação).

Globo e Record voltam a se atacar em seus telejornais

Na noite da última quinta-feira, após a veiculação da propaganda eleitoral gratuita, a Globo e a Record se agrediram mutuamente por meio de matérias veiculadas em seus telejornais. No Jornal Nacional, quase sete minutos foram utilizados para, mais uma vez, falar sobre as acusações que pesam contra o bispo Edir Macedo e membros da cúpula da Igreja Universal. Além disso, a reportagem da emissora carioca repercutiu o assunto entre políticos da oposição e do governo.

No Jornal da Record a “guerra” com a Globo ocupou cerca de 23 minutos do programa. A emissora paulista classificou as matérias veiculadas pela Globo como “ataques de desespero (…) sem apresentar nenhuma novidade”.

“O mesmo medo de perder o monopólio que transformou verdades em mentiras durante décadas no Brasil”, diz a matéria da Record.

“Ligação com o submundo dos golpes financeiros”

A matéria traz as acusações do livro “A Fundação Roberto Marinho”, escrito por Roméro Machado, ex-funcionário da Globo. “No livro o ex-funcionário da Globo ainda acusa a emissora de desviar dinheiro público da Caixa Econômica Federal para construir o Projac, uma operação que até hoje não foi devidamente esclarecida”.

A Record também lembrou da ação que herdeiros do ex-deputado federal Oswaldo Ortiz Monteiro, morto em 1984, movem contra a Globo por causa da compra da Rádio Televisão Paulista pela emissora carioca. “A ligação com o submundo dos golpes financeiros está presente na Rede Globo desde o seu nascimento”, acusa a matéria.

 
Queda na audiência da TV Globo

De acordo com a emissora paulista, a Globo “ataca a Record” por causa da queda da audiência. Pelos números apresentados, a Globo perdeu cerca de dez pontos de share entre 2004 e 2009, enquanto a Record cresceu quase oito pontos.

Como defesa das acusações, Celso Freitas leu partes de uma carta do advogado Arthur Lavigne que está publicada no blog do bispo Edir Macedo. Segundo o texto, as denúncias são requentadas e o “procedimento devidamente arquivado pela Corte Suprema do nosso país”.

A Record também repercutiu o assunto em Brasília, mas, ao contrário da Globo, que mostrou parlamentares defendendo a apuração das denúncias, ouviu políticos que falaram sobre a “necessidade de democratizar a informação”.

A emissora ainda ouviu dezenas de fiéis da Universal que se dizem satisfeitos com a igreja e que defendem o pagamento do dízimo.

No fim do telejornal, Celso Freitas declarou: “A Rede Record reafirma que não está em guerra com ninguém. Apenas está exercendo o seu direito de defesa”.

Fonte: Comunique-se

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