Cultura

“Redenção”, 1º longa metragem produzido na Bahia, vai ser restaurado

Foi assinado na semana passada, entre a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e a Iglu Filmes Produções Ltda, o Termo de Acordo e Compromisso (TAC) para o projeto "Redenção – 50 Anos do Cinema Baiano".

O projeto contempla a restauração do primeiro longa metragem produzido na Bahia, “Redenção”, dirigido por Roberto Pires, exibições da cópia restaurada em diversas salas de cinema de Salvador e em cinco cidades do interior baiano (Lauro de Freitas, Santo Amaro, Jequié, Juazeiro e Vitória da Conquista).

O projeto consiste ainda na distribuição de DVDs entre as secretarias de Educação, Cultura e bibliotecas do interior, além da apresentação Mostra Roberto Pires, que exibirá cinco filmes do diretor: “Redenção” (1959), “A Grande Feira” (1961), “Tocaia no Asfalto” (1962), “Abrigo Nuclear” (1981), e “Césio 137 – O Pesadelo de Goiânia” (1990) em Salvador e interior.

A tramitação do projeto durou cinco meses na Secretaria de Cultura. Espera-se que na primeira semana de setembro a Iglu Filmes, empresa proponente e de propriedade de Petrus Pires, filho de Roberto Pires, receba parte da verba (R$ 486.369,27) do Fundo de Cultura do Estado para iniciar a restauração. Quem assina a co-parceria do projeto é a Teleimage, responsável pela execução do restauro e que contribuiu com R$ 142 mil para a sua viabilização.

Sobre “Redenção”


Em 9 de março de 1959, “Redenção” foi exibido pela primeira vez nos cinemas de Salvador. O primeiro longa-metragem baiano foi dirigido por Roberto Pires e é o marco da produção cinematográfica no Estado, que antes se restringia a documentários e filmes de curta duração. O lançamento do filme de Roberto Pires deu impulso ao Ciclo Baiano de Cinema, tido, até o momento, como o período de maior produção cinematográfica na Bahia, e o qual revelou, entre outros, os feitos de Glauber Rocha e Olney São Paulo.

O filme foi rodado ao longo de três anos e contou apenas com os recursos dos sócios da Iglu Filmes: cerca de três milhões e duzentos mil cruzeiros, uma fortuna para a década de 50. Desta soma, dois milhões de cruzeiros foram garantidos por Élio Moreno Lima (um dos idealizadores) e a quantia foi destinada à compra de equipamentos de filmagem.

“Redenção” foi filmado com sistema de som magnético acoplado à película, criação dos seus realizadores (além de Roberto Pires, diretor, participaram Élio Moreno Lima, Braga Neto e Oscar Santana) e lente anafórmica, a Igluscope – criação de Roberto Pires. Estas duas tecnologias eram dominadas apenas pela indústria cinematográfica de Hollywood e o ineditismo motivou a visita de dois técnicos da Motion Pictures ao Brasil para conhecer o sistema inventado por Roberto Pires.

As cenas de “Redenção” mostram uma Salvador do final da década de 50, ainda não totalmente urbanizada, e com cenários já transformados pelo tempo. Além da importância para o cinema baiano, o primeiro longa-metragem de Roberto Pires tornou-se um documento de valor histórico para a Bahia. A única cópia deste filme estava em avançado estado de deteriorização, sob o risco de perda total deste que é um importante documento histórico da cinematografia nacional.

Com informes do Blog Demais

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