Política

Rapidinhas – Discursos antecipam temperatura da futura campanha eleitoral

Os três principais pré-candidatos ao governo baiano nas eleições do próximo ano já estão em campanha aberta pelo interior. Petistas, peemedebistas e democratas vivem se digladiando, sinalizando desde já como será a futura disputa eleitoral.

Além da rotineira troca de farpas entre governistas e oposicionistas, surge agora o rompimento entre o governador Jaques Wagner (PT) e o ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), que vai esquentar ainda mais o quadro pré-eleitoral. 

Não bastasse a antecipação da campanha, o clima entre os principais pré-candidatos ao governo do estado em 2010 já dá para perceber como será o tom da próxima eleição. Até o estilo republicano adotado pelo governador Jaques Wagner (PT) parece ter chegado ao fim. As recentes declarações do petista após a saída dos peemedebistas do governo não deixam dúvidas de que a temperatura da campanha vai mesmo ser alta, podendo não ficar pedra sobre pedra.

Mesmo sem citar diretamente o nome do ministro Geddel Vieira Lima, principal liderança do PMDB e já atuando como pré-candidato à vaga de Wagner nas eleições do próximo ano, o governador tem enviado recados diretos, insinuando traição e ingratidão dos peemedebistas em relação ao seu governo. Com a mesma intensidade, percebe-se uma forte dose de mágoa entre os governistas, que não digeriram ainda a idéia do ministro tentar um voo próprio ao Palácio de Ondina.   

Neste fim de semana, durante o Encontro Regional realizado em Santo Antônio de Jesus, os peemedebistas não perderam a oportunidade para dar a resposta ao governo. Além do ministro Geddel Vieira Lima, praticamente todos os deputados federais e estaduais subiram o tom dos discursos na direção de Ondina. Do líder do PMDB na Assembleia, Leur Jr., ao deputado Arthur Maia, os ex-secretários Rafael Amoedo e Batista Neves e prefeitos, todos soltaram o verbo contra o governador Jaques Wagner.

O ministro Geddel Vieira Lima, além de criticar os números do governo em relação à segurança pública, colocou-se como um portador da esperança, estabelecendo diferenças administrativas entre ele e o governador. Geddel chegou a usar termos como “incompetência” para ilustrar no seu discurso as críticas aos números do governo.

“Um governo constrangido com o movimento Polícia Legal consegue trazer numa noite 3.600 coletes. E porque não fizeram isso em três anos? Por incompetência de gastar o dinheiro. E quem diz isso?”, indagou Geddel, continuando: “É o TCE, a Unifacs, a UFBA, que em relatório mostra R$139 milhões empenhados para atividades fins da PM e foram gastos, apenas, R$81 milhões. Em 2008, dos R$125 milhões, foram gastos R$42 milhões, e o próprio relatório diz que isso é incompetência administrativa”.

Por fim, depois de apresentar mais um punhado de críticas na atuação do governo Jaques Wagner, o ministro perguntou: “É essa a Bahia que nós queremos? É essa a Bahia que desejamos para nossos filhos?  Não, não é isso que desejamos”.

Dos parlamentares, o mais duro em relação ao governo Wagner foi o deputado Arthur Maia. Para ele, a única interpretação que se pode ter do governo atual é que eles só pensam na manutenção do poder. “Eu acho muito curioso que algumas pessoas na Bahia tenham questionado a postura do PMDB. O que acontece na política é uma corrida desenfreada atrás daqueles que estão no poder. Entregamos as secretarias para não trair o povo da Bahia, porque o traidor é ele (Wagner)”, criticou o deputado.

Maia afirmou ainda que o caminho que o PMDB está trilhando é o caminho do desenvolvimento pautado em bons projetos, e aproveitou para fazer duras críticas ao governador: “Jaques Wagner é especialista, sim, mas em greves. Geddel é o especialista em trabalho”, comparou o peemedebista.

Democratas agem na Assembleia

Embora o discurso peemedebista tenha foco direto no governo, não é certo que nas eleições de 2010 ele “cole” nas ruas. Responsável por duas secretarias até recentemente, os defensores da candidatura de Geddel poderão perder o posto de oposicionistas “originários” para os democratas, que trabalham a candidatura do ex-governador Paulo Souto. Da tribuna da Assembleia Legislativa, os soutistas armaram a sua principal trincheira oposicionista, fiscalizando e denunciado os erros do governo.

De estilo calmo, o pré-candidatado da oposição, Paulo Souto, também não tem resistido aos tropeços do governo. Vez em quando Souto sai da sua tranquilidade, até mesmo para responder possíveis ataques dos governistas. Contudo, nos últimos meses, além de aumentar a sua movimentação pelo interior, Souto não tem deixado pergunta sem resposta, nem ataque sem contra-ataque. 

Assim, com tanto tempo de antecedência, e numa eleição que será disputada junto com a sucessão presidencial, além das disputas para o Senado e as Câmaras federal e estadual, é mais do que certo que a temperatura vai estar sempre quente. Tudo o que já aconteceu é apenas o grid de largada, já que a prova verdadeira será disputada mesmo no próximo ano.

 

Por Evandro Matos

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