Interior da Bahia

Política

Rapidinhas – Formação dos palanques eleitorais na Bahia ainda está indefinida

A filiação da senadora Marina Silva ao PV, neste domingo, provoca um novo direcionamento no debate sobre a sucessão presidencial e coloca mais dúvidas sobre a formação dos palanques eleitorais para 2010.

Não tanto pela força da ex-ministra do Meio Ambiente, mas pelo quase sepultamento da vontade do presidente Lula de ver a sua sucessão como plebiscitária. Sonhava o presidente em submeter ao eleitorado brasileiro um julgamento do seu governo, comparando-o com o dos tucanos comandado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que pode vir representado pelo governador José Serra (PSDB-SP) ou pelo governador Aécio Neves (PSDB-MG).

Mas está cada vez mais evidente de que esta tese não vai prosperar. Além de Marina Silva, o deputado federal Ciro Gomes (PSB) também continua sustentando a sua intenção de disputar a Presidência, e a ex-senadora e atual vereadora por Maceió, Heloisa Helena (PSOL), ainda não decidiu se sairá ou não candidata. Isso, sem falar que esta semana o senador Cristovam Buarque (PDT) também voltou a sonhar com o Palácio do Planalto.

A indefinição desse quadro nacional deixa a política confusa também nos estados, o que leva a entender que os palanques estaduais ainda vão sofrer muitas mudanças, ou estão ainda em fase de gestação. Na Bahia, por exemplo, já existem três pré-candidatos ao governo, mas a possível candidatura da senadora Marina Silva poderá forçar o PV a lançar um candidato para disputar o governo. Isso se confirmando, altera as coligações partidárias e, consequentemente, a formação dos palanques eleitorais.

O palanque do governador Jaques Wagner (PT) já está pronto para receber o candidato do presidente Lula, provavelmente a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Wagner espera formar uma coligação com o PT encabeçando a chapa, mais o PSB, PCdoB, PDT e PP, além de outros partidos menores que ainda depende de negociações.

Contudo, confirmando-se a candidatura presidencial do deputado federal Ciro Gomes (PSB), provocaria novas alterações na política baiana. Com a presença quase certa da deputada federal Lídice da Mata na chapa majoritária a ser encabeçada por Wagner, nesse caso, seria aberto mais um palanque para o governador, o que seria favorável ao seu projeto de reeleição.

No caso do ministro Geddel Vieira Lima, que deverá disputar a eleição pelo PMDB em aliança com o PTB, o mais certo é que ele também receba em seu palanque a candidatura defendida pelo Palácio do Planalto. Há, contudo, a dúvida sobre como estará o cenário nacional em 2010 para se saber sobre a situação da aliança PT-PMDB nos estados.

Em caso de um ambiente favorável à oposição, não está descartada a possibilidade de Geddel Vieira Lima receber o candidato da oposição em seu palanque. Mas isso só aconteceria se o peemedebista resolvesse formar uma aliança que envolvesse democratas e tucanos baianos, projetando um cenário que hoje é difícil de ser vislumbrado.

Paulo Souto receberá um candidato tucano

Pelo lado da oposição, o ex-governador Paulo Souto deverá formar uma aliança com o Democratas encabeçando a chapa, contando ainda com a participação do PSDB e, talvez, do PPS e do PR. Souto receberá no seu palanque o candidato do PSDB, a ser definido entre os governadores José Serra (São Paulo) ou Aécio Neves (Minas Gerais).

Até dias atrás, a tendência era que o PV não lançasse candidato à presidência e apoiasse, nos estados, o candidato que mais se afinasse com as suas propostas. Na Bahia, o Partido Verde certamente apoiaria a reeleição do governador Jaques Wagner. Agora, com o lançamento da candidatura à Presidência da senadora Marina Silva, os verdes deverão lançar candidatos tanto ao Governo quanto ao Senado. O nome do deputado federal Edson Duarte, por exemplo, já é especulado para disputar o Senado.

A posição de alguns partidos, no entanto, só será conhecida mais adiante. O caso do PR é o mais complexo. Fazendo parte da base aliada do presidente Lula, na Bahia o senador César Borges, presidente do partido, luta para levá-lo para a coligação oposicionista, mas contraria a vontade do ministro Alfredo Nascimento, que dá as cartas a nível nacional.

Além disso, o senador republicano enfrenta resistência de alguns deputados federais e estaduais, que defendem uma aliança com o governador Jaques Wagner. Nesse bloco estão o federal José Carlos Araújo e os estaduais Pedro Alcântara, Gilberto José, Ivo de Assis e Ângelo Coronel.

Mas essa situação confusa não é privilégio apenas do PR. Outros partidos também tem dúvidas sobre como deverão se posicionar nas eleições de 2010. Assim, a tendência é que eles permaneçam indefinidos, deixando para assumir com quem irão se coligar somente depois que o quadro eleitoral ficar mais delineado.

Por Evandro Matos

Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais Lidas