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ACM Neto afirma que onda de violência em Salvador ofusca Seleção Brasileira

Em um discurso no plenário da Câmara Federal nesta terça-feira (8), o deputado federal ACM Neto (Democratas) disse que, diante do clima de insegurança que tomou conta de Salvador nas últimas horas, teme pela vida e integridade do próprio governador Jaques Wagner (PT).

Para Neto, o governador precisa deixar as “vaidades eleitorais” de lado e pedir ao Palácio do Planalto a ajuda da Força Nacional de Segurança Pública.

“Infelizmente, desde a posse de Wagner, já são mais de 10 mil assassinatos na Bahia, um aumento de 80% apenas em Salvador e Região Metropolitana”, lembrou o democrata. “Não quero que violência na Bahia se escreva com W de Wagner”, acrescentou.

ACM Neto afirmou ainda que a chegada da Seleção Brasileira a Salvador foi ofuscada pela nova onda de violência, que ganhou as manchetes de todo o país. Ele lembrou dos ataques aos módulos policiais e aos ônibus feitos nos últimos dias. O parlamentar informou que tem recebido mensagens de policiais baianos que estão com medo porque não têm condições ideais de trabalho. “São depoimentos de policiais que estão com medo de ir às ruas porque não tem colete ou munição”, ressaltou.

“Chegou a hora de o governador Jaques Wagner deixar as vaidades e interesses eleitorais de lado e reconhecer que precisa do apoio da Força Nacional de Segurança porque perdeu o controle. Digo isso com muito pesar”, declarou o democrata. ACM Neto afirmou ainda que Salvador está protagonizando cenas que aconteciam em São Paulo em relação ao PCC.

“Temos de dar um basta nessa situação. Fica aqui o apelo para que ele (Wagner) simplesmente pare de fazer política e de se preocupar com sua reeleição e comece a governar o estado, a tomar conta do problema da segurança, e entenda que são homens e mulheres de bem que estão perdendo a vida”, criticou o parlamentar.

Repercussão na Assembleia Legislativa

Na Assembléia Legislativa, o clima não foi diferente. O deputado estadual Capitão Tadeu (PSB) avisou que vai acionar a cúpula da segurança pública da Bahia na Justiça em função dos três PMs atingidos na ação dos criminosos. Segundo o parlamentar, que foi um dos idealizadores do manifesto “Policia Legal”, a situação preocupa e as guarnições estão impotentes diante da ação ousada dos bandidos.

Os deputados da oposição também comentaram sobre a onda de violência em Salvador. O deputado João Carlos Bacelar (PTN), ex-presidente da comissão de Diretos Humanos e Segurança Pública da Casa, disse que apóia a decisão de Capitão Tadeu acionar o Estado em razão dos ataques que vem sendo realizados em módulos policiais e ônibus em Salvador. Bacelar disse que há um desencontro entre os discursos do governador Jaques Wagner e do secretário de Segurança, César Nunes, e insinua uma divisão entre as polícias Civil e Militar.

Bacelar denunciou ainda que existem irregularidades na Central de Telecomunicações das Polícias Civil e Militar (Centel). “Todos são contratados pelo Reda e indicados pelos deputados da ‘petralhada’. São pessoas que não têm vínculo empregatício e segmentos da polícia acusam que informações estão sendo vazadas a serviço da bandidagem”, acusou o deputado.

Gaban culpa Wagner pelo aumento da violência

Em discurso no plenário da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Carlos Gaban (DEM) responsabilizou o governo Jaques Wagner (PT) pela onda de violência que tomou conta de Salvador nas últimas horas. Segundo ele, se o governador tivesse investido mais na segurança pública, a situação não seria esta. “Em 2008, o governo tinha no orçamento R$121 milhões para investir em segurança e só executou R$26 milhões. Este ano, dos R$138 milhões previstos, só foram investidos R$12 milhões”, afirmou ele, citando dados oficiais.

Para Gaban, o PT “pinta” um cenário ilusório sobre a situação da segurança pública na Bahia. “O que estamos vendo são policiais sem a menor condição de trabalho. No interior a situação é ainda pior. De modo que, sem uma polícia preparada, não há como enfrentar o crime”, afirmou.

Por Evandro Matos

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