Política

MPF ajuiza ação civil pública contra Coriolano Sales e mais 4

Na Máfia dos Sanguessugas, o ex-deputado recebia comissão na venda de emendas parlamentares para aquisição de unidades móveis de saúde por municípios do interior da Bahia.

O Ministério Público Federal (MPF) em Vitória da Conquista ajuizou ação civil pública por ato de improbidade administrativa contra cinco integrantes da “Máfia dos Sanguessugas”. Dentre os réus, estão o ex-deputado federal Coriolano Sousa Sales; Weliton Brito David Carvalho, assessor parlamentar do ex-deputado; e os empresários Darci José Vedoin, Luiz Antônio Trevisan Vedoin e Ronildo Pereira de Medeiros.

Atuação – O então deputado federal Coriolano Sales, após acordo prévio com os empresários Darci José Vedoin e Luiz Antônio Trevisan Vedoin, apresentava emendas parlamentares ao Orçamento da União direcionadas à aquisição de unidades móveis de saúde para diversos municípios do estado da Bahia. Montou-se, assim, um esquema de venda de emendas mediante pagamento de propina, do qual, também se beneficiou Ronildo Pereira de Medeiros.

Segundo depoimento dos empresários citados na ação, o ex-deputado recebia um pagamento de 10% sobre o valor das emendas apresentadas ao Orçamento da União. Também ficava sob responsabilidade do parlamentar, o contato com as prefeituras para combinar os trâmites dos processos de licitação, realizados fraudulentamente para favorecer as empresas indicadas por Coriolano Sales. Na prática, quem realizava este contato com os prefeitos era o assessor parlamentar Welinton Brito David Carvalho.

O assessor do ex-deputado ainda era responsável por providenciar formas de recebimento das comissões de maneira a esconder a real destinação do dinheiro. Como opção, utilizou a conta da própria ex-namorada para receber os depósitos referentes às vendas das emendas, declarando que o dinheiro seria proveniente de serviços de consultoria prestados por ele.

Como adiantamento da venda das emendas, o ex-deputado também recebeu uma máquina gráfica ‘off-set’ para ser utilizada em campanha para prefeito do município de Vitória da Conquista, a 509 Km de Salvador, no ano de 2004. Apesar de ter sido comprada pelo ex-deputado, segundo depoimento, a máquina foi paga pelos empresários Luiz Antônio Vedoin e Ronildo Medeiros.

Na ação civil pública, os procuradores da República Mário Alves Medeiros e Melina Castro Montoya Flores pedem a condenação dos réus nas sanções previstas na Lei de Improbidade Administrativa: perda da função pública que porventura estiverem exercendo, ressarcimento integral do dano, pagamento de multa civil, além da suspensão dos direitos políticos e proibição de contratar com o poder público e dele receber benefícios ou incentivos fiscais e creditícios pelo prazo de dez anos.

Operação Sanguessuga – Os réus fazem parte de uma organização criminosa especializada no fornecimento fraudulento de unidades móveis de saúde, ambulâncias, odontomóveis, veículos de transporte escolar, unidades itinerantes de inclusão digital e equipamentos médico-hospitalares a prefeituras municipais de todo o país.

O descortinamento da atuação da quadrilha – cuja investigação ficou conhecida como Operação Sanguessuga – começou em 2006 quando 81 pessoas envolvidas no esquema foram denunciadas pelo Ministério Público Federal em Cuiabá (MT). As investigações realizadas desde 2002 e a análise da documentação apreendida revelaram a prática, sobretudo, de crimes de fraude a licitações, contra a administração pública e de lavagem de dinheiro em todas as unidades da Federação, possivelmente com exceção apenas do Estado do Amazonas.

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