Economia

Granola baiana conquista o mercado

Nascida dentro de casa, a empresa Tia Sônia se destaca por utilizar em seu mix de cereais elementos regionais como a rapadura e a tapioca.

Uma receita familiar de granola sai de casa e conquista o consumidor. Esta é a história da empresa Alimentos Tia Sônia, da cidade de Vitória da Conquista (BA). A idéia do negócio nasceu a partir de uma viagem turística, quando Marcos Fenício, hoje diretor administrativo da Tia Sônia, vislumbrou uma oportunidade de empreender.

Formado em Agronomia e filho de um comerciante, Marcos Fenício conta que não passava pela sua cabeça virar empresário. “Fugia disso”, lembra. Em 1995, viajou para Machu Pichu, no Peru. Para que o filho aguentasse o ritmo do passeio, sua mãe, Sônia Maria Lopes, conhecida como Tia Sônia, preparou uma grande quantidade de granola.

Marcos recorda que achou que havia granola demais só para ele. Antes ir ao Peru, distribuiu para amigos. Em Machu Pichu, presenteou turistas brasileiros e de várias nacionalidades com a iguaria, que fez enorme sucesso. “Os viajantes se encantaram com a granola e quando voltei à Bahia todo mundo veio comentar sobre a qualidade do alimento”, revela Fenício.

Ao explicar para os amigos que sua mãe fazia a granola só de vez em quando, ouviu deles a sugestão de que passasse a fabricá-la. Marcos contou a idéia para Sônia, que se dispôs a ensinar a receita. Em 1996, nasceu a Alimentos Tia Sônia, dentro de casa.

Adepto de uma alimentação natural, Fenício diz que sua família sempre consumiu a granola com leite, principalmente no café da manhã. Em seu produto, ele usa a receita materna com alguns elementos que introduziu, como o gérmen de trigo.

O sabor original da Tia Sônia começou a conquistar clientes e, consequentemente, motivou a ampliação do negócio. De dentro de casa, Fenício levou a empresa para a garagem. Em seguida, reformou a residência para montar uma pequena fábrica. Com o passar dos anos, comprou um terreno e instalou uma indústria.

A Tia Sônia produz 50 toneladas por mês, principalmente de granola e também de produtos como cereais integrais, barras de cereais e massa de tapioca. A empresa emprega 80 pessoas e tem boa parte de sua clientela em supermercados do Nordeste.

A granola do empreendimento de Vitória da Conquista também já chegou ao Distrito Federal, a São Paulo e ao Rio de Janeiro, mas ainda enfrenta dificuldades em atingir outros mercados. Marcos acredita que o preço contribua para isso. Ele calcula que a granola da Tia Sônia custe 15% a mais que os produtos regionais.

Apesar do custo mais alto, Fenício diz que seus clientes abrem mão do preço em troca de um alimento diferenciado. “Poderia fazer uma granola bem mais barata, porém crio um produto com sabor e qualidade, usando ingredientes da Bahia”, explica Marcos. A granola da Tia Sônia usa, por exemplo, tapioca no lugar dos cereais corn flakes e rapadura ao invés de açúcar mascavo.

Como resultado da receita, o produto tem ganhado repercussão nacional. Para Fenício, o segredo do sucesso de seus alimentos reside na produção industrial com “gosto de artesanal”.

Empretec

Marcos Fenício afirma que apesar de ter “um ótimo produto”, pensa que o desempenho de um negócio se relaciona a mais aspectos, como a distribuição e a administração. Desde que montou a empresa, ele já fez MBA de Marketing e Gestão e agora cursa o de Finanças.

O empresário baiano também passou pelo seminário Empretec, metodologia da ONU – desenvolvida no Brasil pelo Sebrae – que trabalha no aluno os comportamentos empreendedores. “O Empretec dá motivação e é abrangente sobre as várias faces de se criar um negócio. O seminário chama a atenção sobre a importância de se adquirir conhecimento e nos ajuda a identificar nossos pontos fortes e o que precisa ser melhorado”, elogia. Fenício diz ainda que incentiva a capacitação dos seus funcionários com o financiamento de cursos.

Ao lembrar de como começou e ao ver a posição de sua empresa no mercado, Marcos Fenício deixa um recado para quem pensa em montar um negócio: “Procure algo com que você se identifique e goste. Com isso, a possibilidade de sua empresa dar certo será bem maior”.

Da Agência Sebrae

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