Educação

Alunos de Itabela sofrem com descaso público

Falta de estrutura adequada compromete o aprendizado dos alunos, comprometendo o futuro de cada um.

Telhados quebrados, paredes sem pintar, portas velhas, falta de merenda escolar e de transporte para os alunos e até fossa aberta em plena sala de aula. Estes são alguns dos problemas por que passa a educação de Itabela, extremo sul baiano. De acordo com a APLB-Sindicato, que representa os professores municipais, a conseqüência desses problemas é o aumento da evasão escolar.

Para conseguir estudar, Romário Rodrigues Pinto, 13, Pámela de Jesus Rocha, 11, e seu irmão Pablo de Jesus Rocha, de 9 anos, têm de acordar, todos os dias, às 4h e sair de casa às 5h para chegar à Escola Municipal David Ramos Motta, situada nas margens da BR-101, às 7h30. A distância entre a casa deles e a escola é de 5 km. Se o dia está chuvoso, eles não estudam porque o rio enche e a ponte fica encoberta, sem eles ter como passar. “É muito ruim isso”, opina Romário.  

Só há um ônibus escolar no município, segundo conta a professora da escola, Juciara Maia, que se diz cansada da situação de não ter material para ensinar. “Vamos nos virando do jeito que dá”, lamenta ela, informando que na unidade educacional onde leciona para 15 alunos da 1ª à 4ª série, falta merenda.  

“Quando acaba, só vem chegar duas semanas depois”, diz. No dia que a reportagem esteve na escola, na dispensa da unidade tinha um achocolatado, mas não havia nem leite nem açúcar.

Fossa – No Colégio Municipal de Itabela, o mais antigo da cidade, com 28 anos, as cadeiras quebradas estão no pátio da unidade, expostas ao tempo. A obra da biblioteca da escola foi iniciada em 2004. Foram levantadas as paredes e depois a obra parou.  

Bem próximo ao Colégio Municipal de Itabela, está o Colégio Municipal Augusto Nunes da Costa, onde o chão de uma sala de aula se abriu e revelou uma fossa de cinco metros de profundidade.  A Secretaria Municipal de Obras, para resolver o problema, fez outra fossa e esvaziou a da sala de aula. “Vamos levar o conteúdo de uma fossa para outra”, informou o secretário, Regilmar Pereira Souza.  

A diretora da escola, Maria Lúcia Soares dos Santos, ponderou que os 88 alunos (soma dos três turnos) que estudavam na sala onde houve o problema da fossa estão tendo aula na sala da diretoria. A situação deve ser regularizada  mês que vem. “É pequena a sala, mas pelo menos eles não ficam sem aula”, amenizou Maria Lúcia. No Colégio Augusto Nunes da Costa, estudam cerca de 750 alunos da 1ª à 4ª, 200 a menos do total de estudantes que iniciaram o ano letivo.  

Turma – Com esses e outros problemas, como goteiras, cadeiras quebradas, banheiros sujos e malcheirosos e salas de aula apertadas, diz o presidente da APLB-sindicato, Emanoel Souza de Oliveira, quando chega o meio ano, “tem um monte de turma que se desfaz para formar uma só”.  

O secretário da Educação, Rubens Alves, disse que a prefeitura tem feito as reformas nas escolas, porém não informou quais obras estão sendo feitas, onde, nem o custo. “Reformamos as escolas da cidade e dos distritos”, declarou o secretário.  

Segundo Rubens Alves, o município está tentando resolver o problema da falta de transporte escolar e da merenda. “Estamos buscando formas para isso. Pegamos uma prefeitura quebrada. É nosso primeiro ano de governo. Vamos melhorar”, disse.

Com informações de A Tarde

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