Economia

População aprova a mudança da feira livre em Euclides da Cunha

No último sábado (26.09), a tradicional feira livre de Euclides da Cunha passou a ser realizada no Centro de Abastecimento, que fica situado às margens da BR-116.

A Prefeitura Municipal, depois de um século, realizou a mudança que muitos almejavam. Com a alteração, objetiva-se a reorganização da feira, a setorização do comércio e a reordenação da cidade e do trânsito. 

Podia-se notar a alegria de muitos rostos enquanto transitavam entre os pavilhões limpos e ventilados, como descreveu a comerciante Maria Dilma dos Santos Andrade. “Estou surpresa. Está maravilhoso. Um lugar ventilado, com muita assepsia, e sem o desconforto do sol e da chuva. Pois quando chovia, fazer a feira,  era uma tarefa terrível”, disse emocionada. 

O proprietário da Eletrocruz, Ivan Cruz, afirmou que essa foi uma das obras mais significativas da nova gestão. “Excelente isso aqui. Até que em fim acabou aquela bagunça no centro comercial da cidade. Vai ser bom para o meu comércio, para o comércio de todos e para os clientes, já que o trânsito fluirá melhor. Esta é uma obra que trará desenvolvimento para o município”, ressaltou. 

A professora Maria Cicleide dos Santos disse que estava com receio, mas, ao chegar à pista, logo a desconfiança passou. “Fiquei feliz ao ver a polícia local orientando o trânsito e as pessoas que por aqui transitam. Com esse cuidado, o risco de acidente diminuirá consideravelmente. Está maravilhoso. Muito melhor do que era antes”, frisou. 

Mesmo com a mudança do lugar da feira, do centro da cidade para o Centro de Abastecimento, a mesma ainda configura-se numa atração à parte. Como o comércio da cidade é um dos melhores da região, a feira estava muito movimentada e dela participavam pessoas de várias localidades.

Encontrava-se de tudo, desde utensílios domésticos, artesanato, carnes (principalmente a de bode), comida feita na hora, buchada, ensopados diversos, tapioca, bolos, doces, mingaus de tapioca e milho e outras iguarias típicas do sertão. Do artesanato,  são encontradas ainda cestas de palha de ouricuri e de cipó, além de chapéus de couro de boi, bode e carneiro.

A história da feira livre da cidade

Os caminhos surgiram em Euclides da Cunha na segunda metade do século XVIII, com eles foram abertas algumas estradas que passavam pelas fazendas Jibóia, Contendas e Garrote, além das trilhas abertas entre Monte Santo e Massacará,  e Monte Santo e Tucano, para que os produtos agropecuários pudessem circular na região.

Na fazenda Curirici, onde existiam várias cajaranas, ocorreu a primeira feira livre.  Com o passar do tempo, Francisco da Silva Dantas mandou cortar algumas cajaranas e construiu um grande barracão para as feiras livres. Nesta época já existia em Cumbe, na Fazenda Carrancudo, uma feirinha onde eram vendidos produtos da terra como fumo, cacau, café, milho, legumes, feijão, farinha, batata-doce, banana, caça, carnes, cerâmica, ferragens e outras.  

Com o tempo, a população aumentou e a construção de casas desordenadas levou à mudança do local da feira. A intenção era alinhar as casas, construir uma capela, para dar início a um vilarejo. Em 1877, tentaram transferir a feira para a o Alto do Lúcio, onde já havia uma capelinha rústica que tinha à sua volta algumas pessoas sepultadas. Meses depois, a feira mudou-se para junto de uma cajarana frondosa, que ficava na roça do Longuinho.

Em 1888, a nova feira era freqüentada por tropeiros dos sertões em busca das especiarias cumbenses. No início dos anos 1930, entre os prefeitos Joaquim Santana Lima e José Camerino de Abreu, a feira foi finalmente transferida para a Avenida Ruy Barbosa, e permaneceu, em maior abrangência, até o dia 26 de setembro de 2009.

Por Maria Karina – correspondente em  Euclides da Cunha e região

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