Meio Ambiente

A Bahia vai ter a maior mina de níquel da América Latina em Itagibá

No inicio de dezembro, a Bahia deverá inaugurar a maior mina de níquel descoberta nos últimos dez anos na América Latina, nos direitos minerários da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), no município de Itagibá, localizada a 8 km de Ipiaú. O projeto de exploração é da empresa Mirabela Mineração do Brasil Ltda., com um investimento de U$ 450 milhões e a geração entre 300 a 500 empregos diretos na fase de produção.

Na última sexta-feira (16), a direção da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) visitou a sede da Mineração Mirabela do Brasil, em Itagibá, para observar o andamento das obras do projeto de implantação para a exploração de minério e acertar a ida do governador Jaques Wagner ao local para inaugurar a mina, prevista para o próximo mês de dezembro.

Durante a tarde, os diretores da CBPM visitaram as principais instalações da Mineração Mirabela, em Itagibá. Após rápida visita às instalações gerais, o Gerente Paulo Roberto Oliva levou os diretores da CBPM para conhecerem o escritório central da empresa, onde foi exibido um filme sobre as instalações da mina e a operacionalização da produção do minério.

Depois, aconteceu a visita ao local da extração bruta do minério. Na oportunidade, além da apresentação com mapas e gráficos demonstrativos, foram observados os trabalhos na mina. Na terceira etapa os diretores visitaram as instalações do moinho para o beneficiamento do minério, além de conhecerem o laboratório para o controle de qualidade do concentrado.

O presidente da CBPM, Alexandre Brust, ficou muito satisfeito com o andamento do projeto, não só pelo orgulho de ter sido um trabalho decorrente das pesquisas e prospecção desenvolvidas pela CBPM, como pelo o que ele representa para o Estado e a região. “Sou testemunha da importância desse empreendimento. Com a decadência do cacau, a mineradora veio trazer um novo alento para a economia da região”, revelou Brust, durante a visita à mina.

Brust esteve acompanhado pelo diretor técnico da CBPM, Rafael Avena Neto e pelo geólogo Antônio Santana, assessor técnico da diretoria. “É um investimento que fizemos a longo prazo que, agora, após as áreas pesquisadas pela CBPM terem sido licitadas e arrendadas, serão exploradas através de um contrato com a empresa Mirabela”, disse Avena.

O Projeto Santa Rita

O Projeto Santa Rita está localizado no sul da Bahia no município de Itagibá, região que foi grande produtora de cacau. Esta região sofreu severamente os impactos sociais e econômicos com a grande queda da produção de cacau, agravada com a praga da vassoura de bruxa, que reduziu drasticamente as plantações de cacau no sul do Estado da Bahia.

A implantação e a posterior operação produtiva do Projeto Santa Rita nesta região contribuirá para a consolidação de bases econômicas geradas pelos benefícios da atividade mineral, incentivando a diversificação econômica como forma de manter sua independência social e financeira. Por outro lado, os benefícios virão também sob a forma de recursos significativos para os municípios de Ipiaú e Itagibá, representados pelos impostos e taxas municipais e pelo retorno da parcela  do CFEM, no caso de Itagibá, possibilitando a implementação de políticas públicas direcionadas à elevação da qualidade de vida dos seus moradores.

O Projeto desenvolvido pela Mirabela já recebeu a licença de operação e deverá começar a produzir em novembro de 2009. A estimativa é que sejam produzidas 4,6 milhões toneladas de minério por ano, inicialmente, o que compreende uma produção de cerca de 150 mil toneladas de concentrado/ano, com 13% de níquel.

A metade da produção anual de concentrado será transportada por 140 km via rodovias (BR-330 e BR-101) até o porto de Ilhéus e daí será exportada para a Finlândia, sendo que a outra metade será retirada na mina pela Votorantin e transportada para Fortaleza de Minas, no Estado de Minas Gerais.

De acordo com Paulo Oliva, o projeto vai transformar a região, com influência nas cidades de Itagibá, Ipiaú, Ubatã, Gongogi, Jitaúna, Barra do Rocha e Ibirataia. Na conversa com os diretores da CBPM, Paulo Oliva explicou que a implantação da Mirabela em Itagibá já possibilitou o surgimento de hotéis, restaurantes, bares e o incremento nas atividades sócio-culturais da região. “Há muita gente retornando de São Paulo, pois agora existe mais oportunidade de trabalho por aqui. A mineração fixa o homem no local, porque ela tem uma rigidez locacional que não pode ser mudada”, avaliou Oliva.

Durante a implantação do projeto houve um pico na contratação de 3 mil empregados. Agora, na fase de produção, a empresa prevê que serão contratadas pelo menos 250 pessoas da região. “Os serviços específicos e especializados serão preenchidos por mão de obra de fora. Mas têm outros que poderão ser desenvolvidos pela mão de obra da região”, observou Paulo Oliva. 

Estrutura e preocupação social

Com uma extensão de 2 quilômetros e uma profundidade aproximada de 500 metros, a mina tem uma vida útil inicial prevista para 20 anos. Contudo, com as novas pesquisas, ela poderá chegar a 40 anos. A implantação foi concebida com 80% de tecnologia nacional. Os diretores da CBPM ficaram impressionados com a estrutura montada pela Mirabela para a exploração e refino do minério. “Isso aqui é coisa de primeiro mundo”, disse o diretor Rafael Avena.

A obra de implantação começou em outubro de 2007, há dois anos, portanto. Além de toda a infraestrutura da mina em Itagibá, a Mineração Mirabela Ltda também mantém um escritório em Ipiaú, onde estão armazenados cerca de 200 mil metros de testemunho, com um investimento na ordem de U$ 30 milhões, só com gastos de sondagem. “Não existe um projeto como este no Brasil, feito em apenas cinco anos. Isso orgulha muito todos os integrantes da família Mirabela”, comemorou o Gerente da empresa, Paulo Oliva.

Com a implantação do projeto Santa Rita no município de Itagibá, a Mirabela já construiu três quilômetros de estrada asfaltada e uma ponte com 200 metros de extensão sobre o Rio de Contas, que já foram cedidas ao Derba para o domínio público.

A missão da Mirabela é desenvolver um empreendimento minero-metalúrgico de níquel com tecnologia de ponta, respeito e responsabilidade para com as pessoas e o meio-ambiente. O atendimento, sob o ponto de vista urbano e social da população atuante no Projeto Santa Rita, se fará através da infraestrutura existente na região.

De acordo com o gerente do Departamento de Segurança, Saúde, Meio Ambiente e Sustentabilidade da Mirabela, Claudinei Mariano Alves, a empresa desenvolverá o seu próprio SGA (“Sistema de Gestão Ambiental”), estabelecendo uma “Política Ambiental” própria e comprometendo-se a implantar todas as medidas de proteção ambiental cabíveis, minimizando impactos negativos e potencializando impactos positivos. “A Mirabela, como toda empresa privada, visa lucros, porém vem cumprindo o seu papel na geração de emprego e renda, bem como assumindo totalmente a sua responsabilidade socioambiental com a comunidade”, assegurou Claudinei, enfatizando que o projeto é considerado modelo ambiental no Brasil.

O presidente da CBPM, Alexandre Brust, também aprovou o trabalho social que é desenvolvido pela Mirabela na região. “Impressionou-me a capacidade de adaptar a planta da mineradora à topografia da região, encaixando as várias etapas do projeto com o mínimo de agressão ao meio ambiente”, concluiu Brust.

Os benefícios diretos e indiretos atingem não apenas a economia municipal, mas, também, a estadual e federal, com resultados mais evidentes na transformação de recurso potencial em riqueza real, a geração de empregos, o aumento da receita tributária e a geração de divisas.

A entrada da Bahia como um novo produtor de concentrado de níquel no cenário mineral brasileiro, além de contribuir para a melhoria e capacitação técnica do setor do País, irá promover novas oportunidades de locação de mão-de-obra especializada aos profissionais desse ramo.

A CBPM, por ser detentora dos direitos minerários da mina, receberá 2,51% de royalties da receita sobre o concentrado. Isso fará com que a empresa se torne autosuficiente em termos de investimento a partir de 2011.

Texto e foto de Evandro Matos

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