História

Salvador – Morre Neguinho do Samba, o criador do samba-reggae

Morreu no início da tarde deste sábado, 31, por volta das 14 horas, o baiano criador do samba-reggae, Antonio Luís Alves de Souza, mais conhecido como Neguinho do Samba, 54 anos, em decorrência de uma parada cardíaca. O músico deixou sete filhos e uma legião de admiradores e alunos.

O corpo do artista, que foi um dos fundadores do Olodum e criador da Escola Didá, está sendo velado na Câmara dos Vereadores de Salvador. O local e horário do enterro ainda não foram definidos, pois a família aguarda a chegada de um dos filhos, que mora na Itália.

Segundo informações da família, Neguinho já vinha reclamando da saúde nos últimos 15 dias. Nesta madrugada, por volta das 3 horas, o músico sentiu um mal estar e foi de táxi ao posto médico de Pernambués. No local, ele foi medicado e retornou à sua residência, no Pelourinho, voltando a se sentir mal no início desta tarde, quando veio a falecer.

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, enviou uma Nota de Pesar pelo falecimento de Neguinho do Samba, que este Portal divulga quase em primeira mão:

 

“Familiares, amigos, músicos e toda a gente do Olodum, estou agora ao seu lado para dizer que o Brasil – não apenas a Bahia – acaba de perder uma pessoa das raras que se pode dizer geniais. Neguinho do Samba criou uma nova forma musical num país e num estado já por si repletos de ritmos.

A matriz seminal que Neguinho inventou – o samba-reggae – o torna um dos músicos mais importantes do século 20 e deste. Do Brasil e do mundo – Michael Jackson, Paul Simon, Sadao Watanabe, quantos não buscaram nele ousadas sonoridades para suas criações!

E ali bebiam porque sentiam o enraizamento profundo – raízes que iam dos terreiros e da Bahia à Jamaica, de Caymmi a Bob Marley e, ainda, à sua singela profissão primeira, a de serralheiro. Profissão que foi fundamental para que a música que então surgia clamasse, por sua vez, outra camada da inventividade de Neguinho, a da criação de instrumentos. Instrumentos criados e dominados no seu conjunto, o que o tornou um regente de banda de primeira – a ponto de o Museu de Berlim consagrar as suas partituras.

Neste momento, Neguinho dispara por todo o Brasil a súbita batida de timbales que marcava a saída do Olodum – e que agora traduz nossa profunda emoção”.

Juca Ferreira

Ministro de Estado da Cultura

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