Política

Rapidinhas – Candidatura do PV vai abrir mais um palanque na Bahia

A Executiva Nacional do Partido Verde (PV) decidiu no último sábado (31.10), durante encontro em Belo Horizonte, que os diretórios estaduais devem apresentar até dezembro um calendário para a construção dos palanques da pré-candidata da legenda à Presidência da República em 2010, a senadora Marina Silva (AC). Na Bahia, o partido está dividido. Bahia terá candidato.

No encontro de Belo Horizonte o PV baiano foi representando pelo presidente estadual Ivanilson Gomes, o deputado federal Luiz Bassuma, o secretário de Finanças do partido André Fraga, e Eduardo Mattedi, Superintendente de Desenvolvimento Sustentável da Secretaria do Meio Ambiente, que representou o secretário Juliano Matos. Segundo Ivanilson, o encontro entre os diretórios da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerias e Rio de Janeiro “avaliou como ambiente favorável o quadro para o lançamento de candidatura própria na Bahia”.   

Correntes divergem

 

A orientação já havia chegado aos dirigentes do partido na Bahia desde a semana passada. Contudo, o partido recebeu a notícia dividido entre a corrente que quer candidatura própria, liderada pelo presidente estadual Ivanilson Gomes, os deputados federais Edson Duarte, Luiz Bassuma e Edigar Mão Branca; e a que quer apoiar a reeleição do governador Jaques Wagner (PT), integrada pelo secretário estadual do Meio Ambiente, Juliano Matos, a Diretora do Centro de Recursos Ambientais (CRA), Beth Wagner, o ministro Juca Ferreira e Ari da Mata.

Juliano vê precipitação

 

O secretário estadual Juliano Matos definiu como “precipitada” a posição de Ivanilson Gomes, que defende o lançamento de candidato próprio ao governo estadual em 2010. “Já temos o palanque do governador (Jaques Wagner) para a Marina (Silva). Então, por que inventar outro nome do PV na Bahia?”, questionou o secretário, antes do encontro de Belo Horizonte. “Por que improvisar onde o PV tem uma relação muito boa com o governador e o PT? Não é hora de improvisar na Bahia”, reforçou. Juliano.

“Por que improvisar?”

 

Juliano também reagiu à sua posição de “disciplinado” em relação ao Partido Verde colocada por Ivanilson Gomes. “É óbvio que sou disciplinado ao partido, mas já temos o palanque do governador (Jaques Wagner) para a Marina (Silva). Então, por que inventar outro nome do PV na Bahia?”, questiona o secretário estadual. “Por que improvisar onde o PV tem uma relação muito boa com o governador e o PT? Não é hora de improvisar na Bahia”, reforça. Juliano.

Questão fechada

 

Questionado sobre a decisão ser uma imposição da executiva nacional, Juliano Matos insistiu com a sua tese, afirmando que, mesmo assim, o assunto terá que ser discutido amplamente na Bahia. “A matéria provocou uma conversa entre todos nós. Tanto eu quanto a Beth (Wagner), o ministro Juca Ferreira, o Ary (da Mata), enfim, a maioria do partido já conversou sobre o assunto e vai fechar questão em relação ao apoio à reeleição do governador (Jaques Wagner)”, adiantou o secretário.

Avaliação política

 

Juliano Matos insiste ainda na tese de que uma defesa pela candidatura própria seria precipitada, por isso defende que deve haver diálogo antes de qualquer decisão do partido. Segundo ele, “a executiva (nacional), para tomar uma decisão, antes vai ter que fazer uma avaliação política no Estado”. O membro do Partido Verde argumenta que o PV tem uma relação confortável na Bahia, por isso “não terá uma alternativa a não ser Wagner”.

Dividir palanque

 

Lembrado de que poderia gerar complicação juntar num mesmo palanque um candidato à Presidência da República de um partido diferente do candidato ao governo estadual, o secretário argumentou que o PV pode perfeitamente armar um palanque para Marina Silva na Bahia estando apoiando a reeleição do governador Wagner. “A posição da Marina não será anti-Lula ou anti-Wagner. Não significa o contraditório automático. Até porque ela fez parte do governo. Por isso, serão críticas construtivas, no sentido de aperfeiçoar o projeto”, explicou.

Contraponto de Ivanilson

 

 “Sou presidente, por isso me cabe conduzir o partido ouvindo a todos. Mas é evidente que num processo eleitoral as diferenças vão surgir. Hoje, os principais aliados do governador não são os históricos, são os ex-carlistas”, disse Ivanilson Gomes. “Onde iríamos ter espaço neste palanque? Vamos ser engolidos pelo PT, que é um partido maior. Seríamos tragados e a Marina teria um desempenho pífio na eleição”, avaliou.

PSOL como empecilho

 

A argumentação de Ivanilson parece de ter lógica, uma vez que PV e o PSOL, por exemplo, já deram inicio a conversas para a formação de uma aliança, que passaria pelo apoio da ex-senadora Heloisa Helena à candidatura de Marina Silva. Com isso, a principal estrela do PSOL na Bahia, Hilton Coelho, que foi a maior surpresa da última eleição para a prefeitura de Salvador, poderá subir no mesmo palanque dos verdes para receber a senadora Marina Silva. Dessa forma, estaria longe de se admitir um discurso de Coelho que não focasse também o PT, um dos seus alvos na eleição de 2008.

“O trem que não vem”

 

Aliás, a corrente que defende a tese de candidatura própria dentro do PV está tão convicta dessa novidade que nem esconde mais as suas divergências em relação ao governo do estado. Além de Ivanilson Gomes, os deputados federais Edgar Mão Branca, Edson Duarte e Luiz Bassuma também apresentam as mesmas argumentações, fechando com a orientação da executiva nacional. “Estamos cansados de esperar pelo trem que não vem”, disse Mão Branca numa alusão às reivindicações dos verdes junto ao governo estadual, que ontem lançou o nome de Edson Duarte para disputar o governo.  

           

Bassuma é opção

Tão logo a Executiva Nacional sugeriu a abertura de discussão sobre candidatura própria do PV em alguns estados, na Bahia o deputado federal Luiz Bassuma, que deixou o PT recentemente, defendeu que a sigla tem que concorrer ao Executivo na maioria das unidades federativas e ratificou o seu desejo de compor a chapa majoritária dos verdes para disputar o Palácio de Ondina. “Meu nome está à disposição”, adiantou.

Não é hora de improvisar

 

“Não está na hora de um projeto pessoal. Nós temos uma candidata que vai provocar um novo debate na agenda ambiental, por isso não é hora de improvisar”, adverte o secretário Juliano Matos, reagindo às argumentações do mais novo reforço do PV na Bahia. “Bassuma colocou o seu nome de forma precipitada, muito mais ainda porque está chegando agora”.

Reunião para avaliar

 

Diante de tanta polêmica, nesta quinta-feira (05) Ivanilson Gomes informou que a Executiva Estadual do PV vai se reunir em Salvador para avaliar a posição da nacional. “Precisamos definir as coisas com mais rapidez. Até porque os outros candidatos já estão em campo”, disse Gomes, dando como certo o lançamento de candidatura própria em 2010. 

Por Evandro Matos       

To Top
%d blogueiros gostam disto: