Polícia

Ravengar cobra até R$ 2 mil por proteção a presos na cadeia Lemos Brito

A vida de um preso na Penitenciária Lemos Brito tem preço; e no Pavilhão 1 quem diz quanto ela custa é Raimundo Alves de Souza, o Ravengar. Conheça a história abaixo.

Acusado de cobrar dinheiro e favores em troca de proteção e garantia de vida, o traficante é alvo de uma nova sindicância – menos de um mês após ser punido com 30 dias de isolamento em uma cela, por ter criado e distribuído um código de comportamento dentro da prisão.  

Alguns presos denunciaram as extorsões e tiveram coragem de relatar ainda crimes como roubo, agressão e tráfico de drogas. Os fatos são apurados pela Superintendência de Execuções Penais e os nomes dos internos serão preservados por motivo de segurança.  

Os preços cobrados por Ravengar variam de R$200 a R$2 mil. Segundo um agente carcerário, que pediu anonimato, o traficante mantém informantes fora da prisão, para subsidiar a cobrança. Eles são responsáveis por “avaliar” as famílias e comprovar se os presos falam a verdade, quando, por exemplo, assumem não ter condição de pagar pela “segurança”. “Se o cara for pobre, vira soldado dele”, afirmou.  

Os soldados, na engrenagem do sistema de extorsão, são responsáveis por cobrar pagamento, ameaçar quem não paga e invadir celas em busca de alguma forma de recompensa. As cobranças, denúncia o agente, acontecem também nos outros pavilhões. “ Na cadeia ninguém manda, nem vive sozinho”.  

O nome do atirador do shopping, Mateus da Costa Meira, 34 anos, é apontado por carcereiros e policiais militares que trabalham na escolta de presos como um dos que estão sob a influência de Ravengar.  

Após a agressão a um colega de cela em maio, Mateus só não foi agredido porque estaria sob proteção do traficante. “Ninguém mexe nele”, disse Ravengar, segundo um agente carcerário. “Se Ravengar não fala, ele teria morrido no mesmo dia. Mateus custa caro. A família paga R$2 mil”, contou um policial militar que trabalha na escolta de presos. O advogado de Mateus, Vivaldo Amaral, afirmou desconhecer a cobrança.

O superintendente de Assuntos Penais da Secretaria de Cidadania, Justiça e Direitos Humanos, Isidoro Orge, confirmou a sindicância, mas minimizou as denúncias. “Podem ser boatos, uma forma de vingança contra determinado preso”. Disse ter conhecimento dos depoimentos e observou a existência de um prazo de 30 dias para apurar os fatos.

Com informações do Jornal O Correio

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