Política

Rapidinhas – “Caso Agerba” pode azedar relação do PP com o governo

Embora ainda não se saiba a dimensão política que o “Caso Agerba” venha a ganhar, é quase impossível imaginar que ele não deixará fortes seqüelas sobre a base de sustentação do governador Jaques Wagner (PT), com reflexos nas eleições de 2010.

O caso, que explodiu desde a última terça-feira, além de afastar de vez a possibilidade de reaproximação entre PT e PMDB, pode também azedar a relação do PP com o governo.

Os Carletto atingidos

Filiado a esta legenda, o deputado Ronaldo Carletto, irmão do empresário Paulo Carletto, também foi atingido pela “Operação Expresso” deflagrada pela Secretaria de Segurança Pública do estado. Os dois são sócios das empresas Viação Jequié Cidade Sol e Rota Transportes, que inclui também a empresária Elaine Reis Carletto.

Deputado voltou para a base

 

Preocupado com os fatos, desde que a noticia surgiu que o deputado Ronaldo Carletto viajou para o interior. Como o assunto teve ampla repercussão na mídia, assim que seu irmão Paulo Carletto e a advogada da empresa Ana Luzia Dórea Velanes foram libertados que um intenso foguetório foi disparado na sede das empresas, em Itabuna.

Argolo acha que aliança não afeta

 

Para o deputado estadual Luiz Argolo (PP), o fato não atinge a relação do partido com o governo nem o projeto de reeleição do governador Jaques Wagner. “Acho que não. No partido a gente não trata (os fatos) de forma isolada. A gente ainda não conversou com o Ronaldo (Carletto) para saber a posição dele, mas não há como afetar a relação com o governo”, adiantou Argolo. Segundo o parlamentar, nesta segunda-feira o partido vai reunir com as suas principais lideranças para avaliar o caso.     

Outros precedentes

 

Indagado sobre outros episódios que aconteceram recentemente e que envolveram o partido, como o caso da Bahiapesca, quando o líder do governo na Assembléia Legislativa, Paulo Rangel (PT), denunciou a existência de superfaturamento na empresa, Argolo disse que o episódio já foi superado. “O secretário Roberto Muniz mandou abrir sindicância e o próprio deputado Zé Neto repudiou o pronunciamento de Rangel”, disse. A denúncia atingiu a principal liderança do partido, o deputado federal Mario Negromonte, já que o seu filho Mario Negromonte Júnior é o diretor da empresa.

O Chapão de 2010

 

Outro episódio recente que pode pesar na formação da aliança para as eleições de 2010 é o que envolve as disputas na Assembléia Legislativa e na Câmara Federal. Defensor do “Chapão”, o PP já avisou que “sem ele, nada feito”. Embora afirme que a aliança esteja firme, Argolo confirma a proposta.

Critérios da aliança

 

“Esse foi um dos critérios exigidos para que o partido passasse a apoiar o governo na Assembleia e fechasse questão sobre o projeto de reeleição de Wagner”, informou. “O compromisso da aliança do PP com o PT foi feito no gabinete do governador, que garantiu a aliança. Se o governador garantiu, acho que a palavra dele já basta”, acrescentou Argolo.  

Briga nas bases

O principal ponto de discórdia com os petistas estaria nas bases municipais, sobretudo onde reside a força das principais lideranças dos pepistas. Assim é em Lauro de Freitas, onde o ex-deputado estadual e atual secretário da Agricultura Roberto Muniz trava uma verdadeira briga de foice com a prefeita Moema Gramacho. Os dois se enfrentaram na última eleição municipal e Moema nunca digeriu a nomeação do desafeto para o primeiro escalão do governo estadual. Para completar, a outra liderança do PP do município, o deputado João Leão, também foi nomeado secretário estadual.

Paulo Afonso e Glória

O mesmo ocorre em Paulo Afonso, principal reduto do deputado federal Mário Negromonte, que vem a ser o presidente estadual do PP, líder do partido na Câmara Federal, mas que vez em quando se estranha com o petista Paulo Rangel, líder do governo na Assembléia. A disputa de espaço entre os dois se estende para outros municípios da região, como em Glória, onde a prefeita da cidade é esposa de Negromonte e mãe de Negromonte Júnior, diretor da Bahiapesca, que disputará uma vaga para a Assembleia Legislativa no mesmo espaço de Rangel.

Aliança macro

A situação não é diferente para o próprio deputado Ronaldo Carletto, que mede forças com o prefeito de Itamaraju, Frei Dílson Santiago (PT). E para não fugir à regra, o próprio deputado Luiz Argolo tem o PT de Entre Rios (o seu principal reduto) no seu encalço, embora admita que hoje o quadro não é igual ao que foi no passado. “Não devemos colocar os problemas locais com o PT. Eu mesmo já superei isso. Devemos pensar a aliança no sentido macro”, avaliou Argolo.  

Evandro Matos

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