Política

Rapidinhas – O jogo do faz de conta e as dúvidas para a eleição de 2010

Raramente um ano pré-eleitoral foi tão carregado de dúvidas como este de 2009. Faltando pouco mais de 20 dias para chegar ao fim, o ano terminará sem que se saiba com clareza qual o cenário que ele tenha desenhado para 2010.

Certeza só nas cabeças

De certeza apenas a candidatura à reeleição do governador Jaques Wagner (PT) e as prováveis candidaturas do ex-governador Paulo Souto (Democratas) e do ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), que também deverão concorrer ao Palácio de Ondina. Mas, para não dizer que os nomes que irão encabeçar as chapas majoritárias estão todos definidos, surge de ultima hora a candidatura do PV, a ser anunciada oficialmente no próximo dia 12.

Estratégia futebolística

Mas se há indefinição sobre os nomes que irão encabeçar as chapas, mais dúvidas pairam sobre a formação completa das chapas majoritárias. Além disso, ainda não se sabe quem ficará com quem e em que posição. Da forma como o quadro vem se desenhando, parece que estamos diante de uma estratégia futebolística, onde os treinadores não querem antecipar a forma de o time jogar para o adversário, ou dependem de outras situações para poderem escalar o time completo.

A influência de Brasília

No caso do futebol, são as contusões normalmente que atrapalham os planos dos treinadores. Mas, neste caso da sucessão estadual, são outros detalhes que impedem os comandantes anteciparem as suas escalações. Uns dependem das determinações de Brasília, de como vai girar a bússola dos palanques presidenciais. Outros dependem de situações locais, de como vai estar o tempo e o vento para poder montar as suas peças.

O dilema de Borges

Nesse jogo de empurra e espera uma das situações mais curiosas é do senador César Borges. Cortejado pelos três principais candidatos ao governo baiano, o presidente regional do PR pode se dar ao luxo de escolher qual o palanque vai subir, mas sabe se não fizer a conta certa pode ficar no meio do caminho. O sonho de Borges era unir os dois principais pré-candidatos da oposição (Souto e Geddel), com ele disputando o Senado. Como tem encontrado dificuldade para fazer o seu sonho virar realidade, ele dá tempo ao tempo para ver para onde o vento sopra para tomar a decisão.

O eclético Ronaldo

A principal indefinição do ex-prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho (Democratas), é saber em que posição ele vai jogar em 2010. O time será o da oposição, mas resta-lhe saber em que posição será escalado. Eclético, Ronaldo reúne repertório para compor a chapa de Paulo Souto como vice, admite disputar o Senado, mas trabalha intensamente a sua candidatura à Câmara Federal. Ou seja, há uma disposição forte para ajudar o time, mas ele não sabe em que posição irá atuar.

Vice ou Câmara para Nilo

Outro que deve estar vivendo uma eterna dúvida é o prefeito de Guanambi, Nilo Coelho. Recém-filiado ao PSDB, Nilo vem sendo cogitado para vice de Paulo Souto, mas antes de aceitar teria que refletir muito para deixar a prefeitura. Mas Nilo é homem corajoso, das bibocas do sertão, e não teria dificuldade em se desincompatibilizar por causa de mais dois anos de mandato. Contudo, paira sobre ele ainda a dúvida em emprestar o seu nome como vice ou buscar uma vaga quase certa na Câmara Federal. Essa, como outras, será mais uma resposta que só será dada no próximo ano.

O quebra-cabeça de Wagner

O governador Jaques Wagner vai romper 2009 com várias dúvidas sobre a sua cabeça. Quem escalaria para compor a sua chapa? Marcelo Nilo ou quem, para vice? Otto Alencar e quem para o Senado? Waldir Pires ainda seria um bom nome para disputar o Senado? E o que fazer com Lídice da Mata? E Nelson Pelegrino e Walter Pinheiro, bota no jogo ou deixa onde estão? Enfim, serão estas as dúvidas que Wagner terá para definir a sua chapa. Isso sem contar as cobranças do PP, que podem ser fortes.

Otto vai aceitar convite

Destes nomes, o de Otto é o que aparentemente está mais certo para compor a chapa governista. Faz meses que Otto recebeu o convite para disputar o Senado, mas só agora ele sinaliza objetivamente que vai aceitar o convite. Mas enquanto 2010 não chega, ele segue a refletir mais um pouco, se vale a pena voltar á cena política e trocar a tranquilidade do Tribunal de Contas dos Municípios pela poeira das estradas baianas.

Lídice é opção desde 2008

Diferente de Otto, que vacila entre o querer e o não querer, a deputada federal Lídice da Mata aguarda ansiosamente pela definição da chapa majoritária governista. Dentro do seu partido, o PSB, a deputada já trabalha com a hipótese de disputar uma das vagas ao Senado, mas sabe que vai depender de novas conversas quando 2010 chegar. Segundo lideranças socialistas, a vaga para Lídice foi assegurada desde a eleição para a prefeitura de Salvador, quando ela retirou a sua candidatura em favor de Walter Pinheiro, atendendo a um apelo do próprio governador Jaques Wagner.

Pinheiro x Pelegrino

Dúvidas também recaem sobre os ex-deputados federais Walter Pinheiro e Nelson Pelegrino, escalados este ano na condição de secretários estaduais para reforçar o projeto de reeleição de Wagner. Os dois tem reduto em Salvador e são eternos postulantes ao Palácio Thomé de Souza. Por isso, a definição do futuro deles em 2010 dependerá também do que for conversado sobre 2012.

Prefeitos e fidelidade

Para tornar mais nebuloso ainda o cenário eleitoral de 2010, é bom aguardar o que o PV vai anunciar no próximo dia 12. Aqui não paira dúvida: o deputado federal Luiz Bassuma quer e deve ser anunciado como candidato ao governo. Contudo, esta decisão vai confrontar com alguns integrantes do partido, que projetam outro cenário. Por fim, lembremos ainda da maioria dos prefeitos baianos, que seguem indefinidos sobre quem apoiar no próximo ano. A dúvida é tão forte que uns recebem Wagner pela manhã, almoçam com Geddel à tarde e telefonam para Souto à noite.    

Por Evandro Matos

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