História

Dia do Jornalista, em palestra na ABI, Meirelles critica ‘pragas’ do Judiciário contra a imprensa

domingosO jornalista Domingos Meirelles acredita que ele e seus colegas de profissão são essencialmente contadores de histórias. E as que ele contou na sede da Associação Bahiana de Imprensa (ABI) nesta sexta-feira (7) fizeram parte de um desabafo, como ele mesmo reconheceu.

Com um largo currículo por grandes redações do país, Meirelles fez críticas ao modo como o jornalismo é praticado atualmente, mas também à atuação do Poder Judiciário como censor da imprensa. Ele destacou especialmente os julgamentos em primeira instância quando questionado sobre processos movidos contra jornalistas como os da Gazeta do Povo, do Paraná. “Os juízes de primeira instância tem julgado determinadas ações na contramão até do Supremo”, avaliou, classificando o impacto de determinadas decisões como uma “praga”.

mesadomingosO palestrante do dia na ABI chegou a levantar suspeitas sobre a imparcialidade de juízes em ações que envolvem a liberdade de imprensa. “O Judiciário tem se colocado a serviços de interesses que não são os melhores para a sociedade”, criticou Meirelles, sem fugir do tom sereno que manteve durante toda a palestra, mesmo para as críticas mais duras.

Segundo o jornalista, que também presidente a Associação Brasileira de Imprensa, o cerceamento atinge não só os profissionais que são alvos dos processos, alcançando também faculdades de jornalismo: “O jovem já entra na redação com esse vírus da autocensura”.

Saudosismo 

Saudoso, o jornalista lembrou-se de como as bancas de jornal do Rio de Janeiro tinham diariamente uma variada oferta de publicações, enquanto atualmente a Rede Globo domina o mercado na cidade. Ele avalia que nas décadas de 60 e 70 os veículos impressos se organizaram, montmeirelesaram grandes redações e investiram em conteúdo para combater a concorrência da televisão, então uma novidade pra o mercado jornalístico. “Os anos 60 e 70 foram talvez os anos mais gloriosos da imprensa brasileira”, analisa.

Meirelles entende que as redações devem encarar de maneira semelhante o advento da internet e das redes sociais. “Há muita lenda que envolve a mídia em papel. Hoje já há um conceito cristalizado de que o papel vai acabar. A própria mídia impressa já enfrentou grandes confrontos no passado e conseguiu superar”, afirmou. No entanto, ele desconfia que quem herdou a administração dos veículos não possui a mesma competência de seus antecessores. “Nem sempre os herdeiros têm o mesmo talento do pai”, ressaltou.

Apesar da avaliação crítica sobre a imprensa atual justamente no Dia do Jornalista, ele acredita que a profissão pode encontrar uma nova carta náutica para seguir novos rumos. “Não sou uma pessoa pessimista, pelo contrário, [a palestra] foi um desabafo. Vejo o jornalismo de forma muito romântica. É uma profissão que ainda causa inveja”, disse. (Com informações do Bahia Noticias/ Fotos: Carol Garcia/GOVBA).

 

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