Polícia

A. Gonçalves: Presidente de associação de trabalhadores rurais é morto a tiro

O presidente da Associação de Trabalhadores Rurais da comunidade quilombola Jiboia, José Raimundo Mota de Souza Junior, foi morto a tiros enquanto trabalhava no campo ao lado do irmão e sobrinhos. O crime, de acordo com a Polícia Civil, ocorreu na quinta-feira (13), no município de Antônio Gonçalves, no norte da Bahia, e onde está localizado o quilombo.

A polícia ainda não tem detalhes sobre autoria e motivação do crime. A Comissão Pastoral da Terra Centro Norte/Diocese de Bonfim, a qual a vítima integrava, informou que familiares relataram como José Raimundo foi abordado pelos criminosos. Segundo eles, o grupo se aproximou do local onde a vítima trabalhava, em um carro, e atiraram contra ela.

De acordo com a comissão, José Raimundo integrava a coordenação estadual do Movimento dos Pequenos Agricultores na Bahia, participou do Curso de Formação Liderar e de Juristas Leigos, além de participar de ações que pediam pela regularização do território quilombola da comunidade dele.

Por meio de nota, a Superintendência Regional do Incra na Bahia lamentou o crime ocorrido e se solidarizou com a família de José Raimundo, além das 224 famílias que vivem no Território Quilombola Jiboia.

Na sexta-feira (14), a ouvidoria Agrária Regional do Incra/BA enviou um ofício à Polícia Civil solicitando informações sobre o crime, e vai relatar o ocorrido à Delegacia Agrária do estado.

Conforme a superintendência, o território quilombola Jiboia possui o Relatório Técnico de Identidade e Delimitação (RTID) publicado. O RTID integra o processo de regularização fundiária da comunidade. O Incra/BA já notificou os proprietários dos imóveis rurais inseridos no perímetro.

Luto

A Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia (AATR) manifestou nota de pesar no perfil do Facebook.

“Estendemos a nossa solidariedade à comunidade remanescente de quilombo Jibóia, da qual Júnior era liderança, e ao Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), pela perda inestimável de um grande companheiro e militante social. Júnior estava cuidando da sua roça no momento em que os executores chegaram em um veículo preto e dispararam diversas vezes – um roteiro típico de execução e crime de mando”, diz um trecho da publicação.

Ainda na nota divulgada na rede social, a AATR pede investigação rigorosa do Estado. “Exigimos do estado, neste sentido, uma apuração rigorosa dos fatos, com a identificação e responsabilização de mandantes e executores deste crime bárbaro. Resistiremos e continuaremos a lutar pela demarcação dos territórios e fim dos latifúndios!”. (Do G1 BA).

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