História

13 pessoas compraram bilhetes, mas não embarcaram na lancha que naufragou na BA

Treze pessoas que compraram bilhetes de acesso não embarcaram na lanche que naufragou deixando 18 pessoas mortas na Baía de Todos-os-Santos. Alguns desses passageiros foram encontrados e compartilharam o alívio, como também o sentimento de compaixão com as vítimas da tragédia.

Um deles é o consultor financeiro Hélio Dias. Ele é morador da praia de Taipoca, que fica na Ilha de Itaparica. Diariamente, faz a travessia entre Mar Grande e Salvador por meio das lanchas. Na quinta-feira (24), dia do acidente, disse que teve um mau pressentimento e acabou descendo da embarcação antes da partida.

“Eu estava na lancha e quando eu desci na parte inferior, percebi que algumas pessoas vinham deitadas, alguns estudantes, e costumam não gostar quando se pede licença. Eu me senti constrangido. Quando eu olhei para cima, eu vi um amigo, aí subi. Tanto tempo que eu não via esse amigo. Mas me deu uma intuição, uma coisa de livramento de Deus. Junto comigo, outras duas garotas com duas crianças, me perguntaram: O senhor não vai não? Eu disse não e saltei da lancha. Um livramento de Deus”.

Com duas crianças, Ana Paula também desistiu da viagem. Ela diz que foi orientada por familiares a não embarcar e acabou seguindo para a capital baiana por meio do ferry boat. “Tava jogando [balançando] muito. Minha mãe mandou a gente voltar por causa das crianças. A gente veio de ferry”.

Uma mulher, que não chegou a se identificar, também deixou de embarcar por medo. “Quando vi que era muito pequena [a embarcação], eu disse eu não vou não. Voltei e troquei a minha passagem. Vim na lancha de 7h. Por isso, hoje estou aqui. Só Deus pode saber o que poderia ter acontecido. Aliviada por estar aqui. Emocionada pelas pessoas que ficaram lá”.

Tragédia

A lancha Cavalo Marinho I virou por volta das 6h30 de quinta-feira (24), cerca de 10 minutos após deixar o Terminal Marítimo de Mar Grande. A embarcação tinha como destino Salvador e estava a aproximadamente 200 metros da costa quando o acidente aconteceu. A viagem dura cerca de 45 minutos.

A lancha levava 120 pessoas, eram 116 passageiros e 4 tripulantes, que sobreviveram. Conforme os órgãos fiscalizadores (Agerba e Capitania dos Portos) a embarcação estava regular. A lancha ficou parcialmente destruída. As 18 pessoas que morreram no acidente eram 13 mulheres, dois homens e três crianças. Familiares e amigos das vítimas fizeram uma homenagem aos mortos no sábado, em Vera Cruz.

Além da Capitania dos Portos, a Polícia Civil também investiga o acidente. Até o final da tarde deste sábado, 73 pessoas, entre tripulantes, sobreviventes e testemunhas, prestaram depoimento na 24ª Delegacia, em Vera Cruz. O comandante da embarcação já foi ouvido, mas o teor do depoimento dele não foi divulgador.

A travessia Salvador-Mar Grande foi liberada na manhã de sábado. No entanto, só volta a operar na segunda-feira (28). A viagem entre a capital e Morro de São Paulo, destino turístico muito procurado na Bahia, foi retomada neste sábado. Já os passeios de escuna pelas ilhas da Baía de Todos-os-Santos, que saem do mesmo terminal de Salvador que as lanchas para Mar Grande, também serão retomadas na segunda.

A Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) informou que 89 pessoas haviam sido resgatadas com vida. Dentre os sobreviventes resgatados, 70 foram na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), em Mar Grande; 15 foram para o Hospital Geral de Itaparica; dois estiveram no Hospital do Subúrbio e dois no Hospital Geral do Estado (HGE), ambos em Salvador.

Em nota, a CL Transportes, dona da embarcação Cavalo Marinho I, lamentou a tragédia e se solidarizou com as vítimas do acidente, além de reforçar que a lancha estava regular, com todas as vistorias em dia. A empresa informou, ainda, que presta assistência às famílias das vítimas. (Por G1 BA).

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