Justiça

Reviravolta na delação de JBS: para Gilmar, Janot é delinquente

O áudio obtido pela Procuradoria Geral da República incrimina o ex-procurador Marcelo Miller, que foi braço direito do procurador-geral Rodrigo Janot, em suposta “venda de influência” junto ao chefe da PGR na negociação de delação premiada. Miller teria se beneficiado, segundo a revista Veja, por um contrato de US$27 milhões (R$85 milhões) do escritório que fazia a defesa de Joesley Batista. O escritório e Miller negaram isso, após a revista citar os valores.

Segundo o colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder, antes que vazasse o áudio de quatro horas de conversa entre delatores da JBS, Janot tomou a iniciativa de expor a denúncia publicamente. O procurador-geral diz que a denúncia contra Miller não invalida provas, nem o instituto da delação, mas advogados apostam em anular a delação.

Marcelo Miller participou de reunião na Procuradoria-Geral como advogado da JBS seis dias depois de deixar sua carreira pública. Ele já se defendeu da acusação de “virar a casaca” em troca de dinheiro, afirmando haver observado os prazos constitucionais.

Gilmar Mendes detona Janot

Nesta segunda (04), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, convocou a mídia no início da noite para dar uma entrevista às pressas e relatar fatos gravíssimos em uma nova gravação recém-apresentada por Joesley Batista, dono da JBS-Friboi e delator da Lava Jato.

“O procurador-geral da República, mais uma vez, deu curso à sua estratégia de delinquente e fez uma chantagem com o Supremo Tribunal Federal”, disse nesta 3ª feira (05) o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes ao site Poder360. Gilmar Mendes está em Paris. Volta ao Brasil na 5ª feira (no feriado do 7 de Setembro). Acha que o STF precisa se posicionar rapidamente.

Nesse áudio de aproximadamente quatro horas, segundo Janot, o empresário implica o ex-procurador da República Marcelo Miller e cita integrantes do Supremo em 1 contexto que pode ser indício de irregularidades.

É a esse trecho que o ministro Gilmar Mendes se refere para dizer que Janot tenta fazer uma “chantagem” com o STF. Para Gilmar, a gravação pode ter citações aos magistrados do Supremo, mas nenhuma prova sobre algo que os comprometa.

Na interpretação de Gilmar, o procurador-geral percebeu que poderia ter cometido um erro grave no processo da delação de Joesley Batista – operação no início comandada pelo Ministério Público de maneira autônoma. Ao notar o eventual equívoco a que isso levou, Janot teria pretendido se antecipar ao fato e trazer mais atores para dentro do problema.

Enquanto o áudio não estiver disponível não será possível saber exatamente quais são as referências ao STF. Caberá ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, decidir como proceder sobre o sigilo do conteúdo da conversa – remetida ontem por Janot ao Supremo.

De Paris, Gilmar enviou uma mensagem para a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, sugerindo que o Tribunal se posicione a respeito do fato o quanto antes.

O ministro Gilmar acha que “os órgãos de investigação no Brasil terão de ser recompostos a partir desses fatos”. O ministro acredita que a jurisprudência terá de ser revisitada e os papéis do Ministério Público e da Polícia Federal precisarão ser mais bem delimitados.

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