Política

Site diz que Jaques Wagner será candidato do PT no lugar de Lula

O meu cenário básico é o de Jaques Wagner como candidato a presidente do PT em 2018. Há várias razões para se trabalhar com este cenário. Algumas merecem destaque: a provável inviabilização da candidatura de Lula, o igualmente provável aprendizado de Lula em relação à escolha de Dilma, o fato de que quem não tem sua própria base eleitoral não tem condições de ir além dela e a capacidade de agregação de Jaques Wagner como proxy de seu traquejo político. A informação é do site Poder 360.

Sérgio Moro foi célere no envio da condenação de Lula à 2ª instância da Justiça. Os prazos, ao que parece, conspiram contra o ex-presidente, mas não apenas eles. O presidente do tribunal que julgará Lula, o desembargador de nome aristocrático, Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, praticamente já condenou o ex-presidente ao afirmar que a sentença de Moro é irretocável, e ao dizer que com certeza o tribunal por ele presidido irá proferir a decisão antes da oficialização das candidaturas. Trata-se de sinais fortes de que Lula será condenado em função da lei da ficha limpa, não podendo, assim, ser candidato em 2018.

Igualmente elevada é a probabilidade de que Lula tenha aprendido uma lição importante na escolha de Dilma como sua sucessora: a de que o Brasil não é governado adequadamente quando conduzido por pessoas com pouca ou nenhuma experiência política. A gestão de Dilma foi muito ruim para Lula e o PT. Ambos se encontram na atual situação porque ela tomou decisões erradas na política e na economia.

Acima de tudo, ela não foi capaz, porque não foi treinada para isso, de agregar, de ouvir as diferentes forças políticas e seguir pelo caminho de menor resistência. Errar uma vez é humano, errar duas é burrice e isto está muito longe de ser uma característica de Lula. Assim, é bem possível que o candidato preferido por ele seja alguém com sólida experiência política, alguém diametralmente oposto ao que representa Dilma. É aí que entra Jaques Wagner.

Cenários básicos podem ser modificados. É óbvio que se Lula puder ser o candidato, tudo escrito aqui cai por terra. Assim, é possível que este e outros acontecimentos venham a mostrar que Wagner não será o candidato do PT. A ver.

Contudo, de acordo com o site, a candidatura de Jaques Wagner só será colocada na 25ª hora, nos acréscimos do 2º tempo. Não há dúvidas, portanto, de que elementos importantes do atual contexto o colocam em uma posição bastante forte para que ele venha a disputar a eleição contra, provavelmente, Geraldo Alckmin pelo PSDB. As outras candidaturas virão para dar mais emoção ainda a esta disputa.

Perfil de Wagner

Sendo ele filho de imigrantes judeus poloneses, carioca de Cascadura, ex-aluno do Colégio Militar, ex-futuro engenheiro, ex-sindicalista, fundador do PT, deputado federal por três mandatos, candidato derrotado uma vez para prefeito e outra para governador, ex-ministro, o que se destaca na carreira de Wagner foi o fato de ter sido eleito e reeleito governador da Bahia e de, em seguida, ter feito o seu sucessor.

A sua primeira vitória, em 2006, foi no primeiro turno com 53% dos votos. Em 2010 ele teve 64% dos votos e derrotou Paulo Souto, do DEM, pela 2ª vez consecutiva. Souto seria derrotado mais uma vez em 2014 pelo candidato do governador, Rui Costa, que teve 54% dos votos válidos.

Além disso, a coligação de Jaques Wagner elegeu os dois senadores em 2010, Walter Pinheiro e Lídice da Mata, e elegeu Otto Alencar senador em 2014. Em todas as eleições que venceu ele costurou uma coligação ampla. Ele cede espaço para os aliados. Em 2006 tal coligação incluía PPS, PTB e PSB e o seu vice era do PMDB. Em 2010 a coligação tinha como vice um político do PP e, dentre outros, o PSB e o PDT.

Em 2014 o candidato ao Senado era do PSD e na coligação estavam PTB, PR e PDT, também dentre uma miríade de outros partidos. Passados muitos anos da eleição de 2006, depois dos recentes acontecimentos com malas de dinheiro na Bahia e o consequente enfraquecimento de seu principal líder, é possível que o PMDB regional volte a pensar em se aliar a Jaques Wagner.

 

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