Cultura

Instituto Anísio Teixeira promove amplo debate sobre capoeira e Educação Física na BA

O Instituto Anísio Teixeira (IAT) viveu mais um dia de glória na sua história nesta terça-feira (24), com o sucesso do I Seminário Baiano de Educação Física, Capoeira, Processos Tecnológicos e Cultura Afro-Brasileira: Todos na roda! Como diz o título, o evento, que aconteceu durante todo o dia, promoveu um extenso debate sobre a capoeira e a educação física, com foco na Bahia, com importantes autoridades da área.

O evento, aberto pelo diretor geral do IAT, Desidério Bispo de Melo, contou com a participação de autoridades como Paulo César Lima (Presidente do Conselho Regional de Educação Física), Odilon Daltro de Góes (Mestre de Capoeira e Professor Doutor em Educação Patrimonial), Paulo Magalhães (jornalista e Contra Mestre de Capoeira), Neuber Leite Costa (Mestre de Capoeira e Professor Doutor em Educação), Antônio Olavo dos Santos (Cineasta), além de José Fernandes (da Secretaria de Educação).

Após apresentação da Orquestra de Berimbaus de Lauro Freitas, do Mestre Reginaldo, aconteceu uma palestra proferida por Dr. Odilon Góes, seguida de uma videoconferência, direto da Alemanha, com o professor e mestre de capoeira, Michael Stagnari, conhecido como Formando Bebê, que faz parte do grupo de capoeira Costa do Dendê, com sede em Taperoá/BA. As duas com mediação da jornalista Lúcia Correia.

Roda de Conversa

O evento prosseguiu com uma Roda de Conversa, com discussões sobre as leis 10639/2003 e 11645/2008 no contexto da capoeira, tendo como facilitadores os mestres Duda Carvalho e Neuber Costa, com mediação do jornalista Paulo Magalhães. Os debatedores levantaram uma forte polêmica no auditório do IAT ao discordarem da profissionalização da capoeira, que havia sido defendida antes por Dr. Odilon Góes.

“O importante é o bom senso, o debate, mas acho que a profissionalização é importante e de direito. Meu discurso é programático e técnico. A formação de direito lhe dá o status quo”, defendeu Dr. Odilon Góes, colocando a formação do mestre em capoeira como elemento de conquista econômica e social. “A capoeira está dizendo que não quer acordo com a profissionalização e formação. O que nos habilitou como formadores e como sujeitos políticos foi a capoeira”, defendeu mestre Duda Carvalho.

Mais debates à tarde

Se na primeira mesa, durante a manhã, já havia acontecido debates quentes, à tarde não foi diferente. Além das oportunas explanações dos facilitadores, a participação do público enriqueceu mais ainda as discussões, que se prolongaram até o inicio da noite.

Fazendo um contraponto, o cantor, compositor e mestre de capoeira Tonho Matéria e o mestre Jairo Francisco (Jairão) criticaram a regulamentação da capoeira, mas não se opuseram à formação com a mesma ênfase. “A capoeira por si só já é regulamentada, não precisa de ninguém para dar ordem”, disse Tonho Matéria, que não entrou no mérito sobre a formação do mestre. “A formação é uma questão de oportunidade. O ‘capoeira’ também é mestre, pois tem escola de vida”, defendeu Jairão, sem polemizar.

“O importante é o resultado de tudo, o esforço que fizemos para a realização deste seminário, que para mim foi de grande importância. O debate sobre a formação da capoeira foi oportuno, mas as batalhas ideológicas vão continuar, elas vão estar por aí, pois é um debate que não se esgota, mas foi possível vir até aqui”, disse o diretor do IAT, Desidério Melo, fazendo uma avaliação positiva do evento.

Por Evandro Matos/ Fotos: Liviane Barbosa/ Roberta Rodrigue e Fábio

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