Justiça

Vinte anos depois, assassinato de jornalista em Itabuna continua impune

Duas décadas depois da execução a tiros do jornalista Manoel Leal, fundador do jornal A Região, de Itabuna (BA), a impunidade prevalece: apenas um dos assassinos foi condenado (a 18 anos de prisão), mas outro, Marcone Sarmento, foi absolvido em um júri considerado escandaloso, já anulado pelo Tribunal de Justiça da Bahia. Manoel Leal foi executado na porta de casa.

O júri, considerado suspeito, era composto por funcionários da prefeitura de Itabuna e de um sobrinho do então prefeito Fernando Gomes, além de uma empregada e pessoas ligadas a Maria Alice Pereira, amiga íntima e protetora do réu Marcone Sarmento, que ganhou cargo de motorista na gestão do político.

A policia baiana ignora os pedidos do Ministério Público Estadual e a recomendação da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) e da Organização dos Estados Americanos (OEA) para reabrir o inquérito.

Denúncias motivaram o crime

Maria Alice, Fernando Gomes e o delegado de Salvador Gílson Prata, apesar dos indícios, nunca foram investigados como suspeitos de haver encomendado o assassinato de Manoel Leal, que os denunciava frequentemente, de maneira desassombrada. A gota d’água foram reportagens publicadas um mês antes do crime.

O jornal A Região acusou, em dezembro de 1997, o prefeito Gomes de haver pago a Gílson Prata e sua equipe para perseguir secretários da gestão anterior, seus desafetos e policiais que o incomodavam. Um ex-secretário morreu de infarto após ser humilhado.

O jornal acusou o delegado de promover perseguição a ex-funcionários da prefeitura e de haver recebido dinheiro “por fora” da prefeitura, apesar de ser servidor do Estado. Prata alegou que o dinheiro era legal.

Consequência
Um mês depois, por volta das 20h de 14 de janeiro de 1998, Manoel Leal seria assassinado com seis tiros pelas costas, ao chegar em casa. Testemunhas apontaram como executores Marcone Sarmento, Monzar Brasil e outro homem, Roque, que desapareceu.

Se eram robustas as provas e os rastros deixados pelos executores, maior ainda foi a habilidade da polícia em eliminá-las, lembra o jornal A Região. Os delegados que assumiam o caso são acusados de manipular o inquérito para acobertar os executores e mandantes.

O primeiro delegado, Raimundo Freitas, sequer isolou o local do crime, apesar de ter passado na frente dele minutos após. Jacques Valois, enviado logo depois, é acusado de manipular provas e testemunhos, ignorou ações básicas de investigação e engavetou outro crime ligado ao caso. (Com informações do jornal A Região).

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