Política

Ex-ministro Geddel diz ter sido ‘lançado no vale dos leprosos’

O ex-ministro do governo Michel Temer Geddel Vieira Lima disse, em depoimento à Justiça Federal, em Brasília, na terça-feira (6), que as ligações feitas por ele para Raquel Pitta, esposa do corretor Lúcio Funaro, tido como suposto operador de propinas do MDB na Câmara, eram amigáveis e buscavam prestar solidariedade. Ao contrário do que diz o Ministério Público Federal (MPF) no processo, Geddel negou ter pressionado para que Funaro ficasse em silêncio e não partisse para acordo de colaboração premiada.

“Falei algumas vezes com ela, eram telefonemas amigáveis. Ela (Raquel) me mandava fotos da filha, mensagens, correntes de orações. (Minhas ligações) eram uma solidariedade pessoal (à prisão de Funaro)”, afirmou. O emedebista se disse abandonado e fez um desabafo sobre sua prisão. “Vejo amigos de longa data me lançarem no vale dos leprosos”, destacou.

Geddel lacrimejou quando lembrou ao juiz que foi preso pela segunda vez no dia do aniversário do filho de 8 anos. O ex-ministro chegou a citar Deus. “Ela (Raquel) perguntava pela minha filha, eu respondia. Essa é a verdade, ela sabe, Deus sabe. Resolvi me abraçar completamente à verdade. As conversas que tinha sobre Funaro tinha também sobre José Dirceu e sobre qualquer pessoa que tivesse nesse redemoinho (de casos envolvendo a Justiça). Nunca tratei organizadamente sobre isso”, disse.

No processo, Geddel é acusado de obstrução de Justiça. A suspeita é que ele tentou atrapalhar a delação de Lúcio Funaro, na fase em que ele estava em tratativas com a Procuradoria Geral da República (PGR). Na denúncia, o Ministério Público Federal cita as ligações de Geddel para a esposa de Funaro. Para os investigadores, as ligações intimidavam indiretamente o corretor apontado como operador financeiro do grupo político do qual Geddel faz parte, o MDB da Câmara. As acusações foram formuladas no âmbito das operações Sépsis e Cui Bono?.

Arrependimento. Geddel decidiu fazer uma retificação em seu depoimento original e recuou em relação ao número de ligações que teria feito para Raquel Pitta. Para o MPF, Geddel se arrependeu das declarações, e isso deve ser explorado por parte da acusação nas alegações finais do processo.

“Ele se arrependeu, quis retificar. Mas vamos confrontar todos esses depoimentos e aí apresentaremos as alegações com mais detalhes. (Inicialmente) ele disse que não se lembrava de quantas ligações havia feito, disse que eram mais de dez ligações e menos de 20. Agora, na versão final (do depoimento), ele diz que não se recorda”, afirmou o procurador Anselmo Lopes Cordeiro.

“É um curto período de tempo. Desde a prisão de Funaro, ele vem se comunicando com a Raquel, coisa que ele não fazia anteriormente. O período que tem de prova pericial é curto. Nesse corte, houve uma periodicidade de uma ligação por dia. É isso que vamos explorar nas alegações finais”, pontuou.

Lopes explicou que Geddel Vieira Lima será acusado com base na Lei das Organizações Criminosas (Orcrim), tendo como referência o artigo 2º da legislação, que fala em pena de três a oito anos de reclusão para quem “impede ou, de qualquer forma, embaraça a investigação de infração penal que envolva organização criminosa”.  (Informações de O Tempo).

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