Política

Ato de Lula em Curitiba tem cordão de isolamento e hostilidade

Tal qual aconteceu ao longo de toda a caravana de Lula pelo Sul do país, o ato com o ex-presidente Lula em Curitiba, na noite desta quarta-feira, foi marcado também pelo clima de tensão. Um pequeno grupo de manifestantes contrários ao PT postou-se a cerca de 100 metros da praça onde o petista discursou para a militância. Os manifestantes levaram para o local pelo menos 70 caixas de ovos, na intenção de lançá-los contra o ex-presidente, o que não aconteceu.

Para evitar confronto em Curitiba, uma vez que também era esperado um ato promovido por grupos de direita, um cordão de isolamento foi formado por cavalos da Polícia Militar para separar os manifestantes pró e anti-PT. Convocada pelo Movimento Brasil Livre (MBL), a manifestação contra o líder petista estava programada para acontecer na Praça do Homem Nu, a cerca de 800 metros da Praça Santos Andrade, onde Lula discursou. Mas o grupo decidiu se reunir numa esquina a menos de cem metros do ato petista. Policiais da Rotam, um batalhão de choque da PM, montaram uma barreira no local. Os manifestantes anti-PT gritavam “Lula ladrão, seu lugar é na prisão”.

Ao encerrar a caravana, Lula voltou a afirmar ter sido alvo de uma “denúncia mentirosa” no processo que investiga a compra do apartamento tríplex no Guarujá, litoral paulista. Lula, diante de milhares de militantes, desafiou a Justiça e o TRF-4 (órgão colegiado que confirmou sua condenação e aumentou a pena de prisão para 12 anos e um mês) a “provar um crime que eu tenha cometido”. Lula foi condenado no TRF-4 por unanimidade.

“Desafio (o juiz Sergio) Moro, a justiça, o TRF-4 a provar o crime que eu tenha cometido”, disse ele, para, em seguida, destacar provas encontradas contra o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, e o ex-ministro Geddel vieira Lima.

“Foram na minha casa, levantaram meu colchão, abriram meu fogão e não encontraram nada. Foram na casa do Cabral, e encontraram. Foram na casa do Geddel, e encontraram”, disse ele, emendando: “não acredito que serei preso”.

Durante o discurso, o ex-presidente também ironizou os ataques e pedras e ovos do qual foi alvo em algumas cidades no Paraná e Santa Catarina. “Deixa para gastar rojão na minha posse. E não joga ovo não. Tem tanta gente que não tem ovo nem para fazer um omelete”, disse, que chegou a ter o discurso interrompido por fogos de artifício lançado por manifestantes contrários ao PT.

Lula também criticou a imprensa ao comentar sobre os ataques sofridos pela caravana. “A imprensa foi conivente com isso (clima de tensão) o tempo inteiro. O culpado desse ódio, o estimulador desse ódio chama-se Rede Globo”, disse o presidente, que, em Chapecó (SC), na semana passada, afirmou que daria “porrada” se não fosse respeitado.

Por causa do atentado contra aos ônibus da caravana, o PT decidiu ampliar o ato. Lideranças nacionais e parlamentares do partido e de legendas aliadas foram chamados a Curitiba. Com o objetivo de tornar o evento suprapartidário, os pré-candidatos a presidente do PSOL, Guilherme Boulos, e do PCdoB, Manuela D’Ávila, também compareceram.

Como foi rotina durante os dez dias de caravana por causa de manifestações e fechamento de estradas por parte de opositores, Lula também se atrasou para chegar. Apesar de não ter enfrentado protestos desta vez, o ex-presidente subiu ao palco com quase três horas de atraso.

João Pedro Stédile, da coordenação nacional do MST, também participou do ato. Conclamou os presentes a não deixar Lula ser preso e a assumirem compromissos a favor do petista. (Colaborou Vinicius Sgarbe, especial para O GLOBO)

 

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