Cultura

Uma viagem pelo novo disco do grupo Cordel do Fogo Encantado

A viagem resolveu seguir. O fôlego, após o hiato de quase uma década, se renovou. Neste novo percurso, o destino é certeiro – seguir rumo a um coração e, enfim, à filha do vento – após incursões por veredas que davam conta de um fogo encantado (primeiro disco), um certo palhaço de um circo sem futuro (segundo CD) e, por fim, o indício de um recolhimento que soou apenas como pausa (terceiro disco).

Lirinha (voz e pandeiro), Clayton Barros (violão e voz), Emerson Calado (percussão e voz), Nego Henrique (percussão e voz) e Rafa Almeida (percussão e voz) lançaram, no último dia 6 de abril, sua Viagem ao Coração do Sol. Lirinha conta que a ideia do retorno surgiu a partir de reuniões da banda para a organização da discografia do Cordel do Fogo Encantado, principalmente para disponibilizá-la nas plataformas digitais.

“Nos últimos anos, estávamos sendo procurados porque os discos físicos também viraram uma espécie de raridade. Então, se fosse para voltar com esse material, que a gente viesse com uma nova mensagem. Resolvemos produzir e, nessa reunião, já resolvemos algumas situações para uma provável volta da banda”, afirmou o vocalista. Viagem ao Coração do Sol possui os pés fincados, em parte, nas terras de Iracema. Com produção musical assinada por Fernando Catatau (Cidadão Instigado), o trabalho dividiu-se em gravações em estúdios de São Paulo (El Rocha) e Fortaleza (Totem) e já possuía, de acordo com Catatau, um esboço pronto. “Eles já tinham as músicas e eu cheguei ajudando, dando caminhos para eles escolherem. Foi muito legal porque me deram total liberdade. Foi massa”, explicou o músico cearense, que já havia participado do primeiro disco solo de Lirinha, Lira (2011).

Num total de 13 faixas, o cheiro do sertão permanece a brincar com os ouvidos e a imaginação: a força percussiva de Emerson Calado, Nego Henrique e Rafa Almeida, a magia ancestral dos encantados e do povo Xukuru, os acordes de Clayton Barros, as letras cujos títulos enaltecem o estilo adotado pela literatura de cordel. Tudo ainda está lá.

Parte do repertório, inclusive, encontrava-se guardada durante esses oito anos. “Já existia um embrião. Modificamos umas letras e arranjos por conta de uma narrativa. Todas as músicas giram em torno disso, dessa viagem em busca da ‘filha do vento’ chamada ‘liberdade’”, reforçou Lirinha. A faixa O Sonho Acabou dá início a essa jornada pela fictícia “Interlândia”. As participações especiais são novidade nesse novo momento do grupo.

“Tem a (atriz e poetisa) Nataly Rocha, que faz comigo o poema de uma faixa muito importante para a banda (Eternal Viagem). O Manassés participa na última faixa. É um ídolo da banda e, através do Catatau, realizamos esse encontro. Existe uma música que não é da banda – e isso também é novidade – feita por Maviael Melo e Alisson Menezes (Destilações)”, destacou Lirinha.

Além de Liberdade, a Filha do Vento, que tem sido até agora o carro-chefe do trabalho com direito a videoclipe (gravado em 360 graus com direção assinada por Marcela Nunes e Felipe Barros), Lirinha chama atenção ainda para Raiar ou O Vingador da Solidão, que entoa os versos “Chegou a hora de raiar, raiar/ A bela hora de raiar, raiar”.

“Muita coisa mudou e isso aparece muito na musicalidade da banda. Mas eu acho que esse tempo foi necessário. Acho que o som é diferente, mas é aquela coisa, né? Não consigo não gostar do Cordel. Eu gosto muito do som deles e me emociono muito com esse disco”, concluiu Fernando Catatau que, neste CD, participa de quase todas as faixas tocando guitarra, guitarra tenor, violão de aço ou teclado.

O início da turnê acontece oficialmente no próximo dia 21 de abril, em Salvador (BA); em Fortaleza, a previsão é para o dia 15 de junho. Nos palcos, enfim, a grande viagem: “Estamos muito ansiosos porque o objetivo da banda é o espetáculo. Concentramos toda a força artística nessa relação com o público. O show será impactante, forte, com o mesmo iluminador desde o começo da banda. Estamos construindo e confeccionando adereços, cenário, irá ter umas projeções e reunir as músicas da nossa história e essas recentes”. O aviso está mais que dado. (Fonte: Jornal O Povo).

 

 

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