Cultura

Filme conta a história do mítico médium brasileiro João de Deus

João é de Deus e, durante boa parte do filme de Candé Salles, fica dizendo aos fiéis que frequentam a Casa de Dom Inácio em Abadiânia, Goiás, que devem conciliar a experiência espiritual com tratamentos de medicina mais tradicional. O próprio João de Deus vem a São Paulo tratar um câncer agressivo. Há cinquenta anos João Teixeira de Faria pratica a mediunidade. O documentário que estreou nesta quinta-feira o acompanha em seu centro, em viagens internacionais — a uma Casa João de Deus na Suíça — e até garimpa velhos documentos, como o filme que registra o encontro do jovem João com o lendário Chico Xavier.

O filme é benfeito, bem montado. É obra de cunho hagiográfico. Em nenhum momento busca tensionar ou desmistificar o personagem. Os depoimentos apontam sempre na mesma direção. Ao centro em que realiza operações espirituais e físicas – com instrumentos tão rudimentares como facas de cozinha para operar os olhos de seus pacientes –, ele agrega outras casas de atendimento. Fornece refeições para quem tem fome, atende crianças carentes com material escolar e faz doação de enxovais a bebês.

Um tema é tabu – a operação financeira, a origem dos recursos que permite manter essa corrente do bem. E também, mesmo quando João relata como tudo começou, o filme não traz respostas para o mistério. O que faz com que certas pessoas sejam iluminadas, possuam o dom? Os depoimentos – gente de todo o mundo – dão conta de que a Casa João de Deus é um centro de acolhimento no mundo conturbado. Atende o espírito e o físico de quem precisa de ajuda. Até Marina Abramovic vai ajudar o médium, numa de suas operações. Cissa Guimarães faz a narração, dizendo que João de Deus não discrimina sexo, cor nem religião e busca conectar todos com o grande arquiteto do universo – Deus?

Gilberto Gil canta na trilha Se Eu Quiser Falar com Deus, e João, humildemente, se coloca como instrumento. Ele nada faz. Quem faz é Deus. Um letreiro informa. Para quem acredita, palavras não são necessárias. Para quem não acredita, elas serão insuficientes. Bonito como é, João de Deus – O Silêncio É uma Prece atinge os já convertidos. (Fonte: Agencia Estado).

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