Cultura

Em ‘Carta Aberta’, Associação de Produtores e Cineastas da Bahia cobra Editais ao governador

A Associação de Produtores e Cineastas da Bahia – APCBahia, entidade representativa dos profissionais e empresas produtoras de conteúdo audiovisual no estado da Bahia, lançou mais uma ‘Carta Aberta ao Governador’ Rui Costa nesta quarta-feira (06), fruto da reunião com produtores baianos no dia anterior (terça-feira, 05), na campanha em defesa de Editais Anuais de Cultura para a Bahia. Confira abaixo o teor da carta encaminhado ao governador:

CARTA ABERTA AO GOVERNADOR RUI COSTA

Salvador, 06 de junho de 2018

Excelentíssimo Senhor Rui Costa

Governador do Estado da Bahia

Durante sua gestão, que se finda agora em 2018, tivemos apenas um Edital Setorial de Cultura. Com a ausência de editais, já deixamos de atrair investimentos federais para a Bahia na ordem de R$ 25 milhões. Se não tivermos Edital em 2018, serão R$ 40 milhões. Acreditamos que o descaso com a cultura, ignorando a potência artística, educativa e econômica do audiovisual, é uma marca negativa que seu governo ainda pode evitar.

Editais fomentam a cultura

Após um longo período de editais esporádicos, a partir de 2012 vivemos um breve ciclo de editais que efetivamente oxigenou a produção audiovisual do estado. Imaginávamos caminhar para a consolidação dos editais anuais, e isso funcionaria como base estruturante de uma política para o cinema e o audiovisual na Bahia. Porém, não foi o que ocorreu. Atualmente trazemos a lembrança já distante do último Edital Setorial de Cultura, lançado há mais de dois anos. Estamos adentrando o mês de junho sem sinais claros de que vá ocorrer edital em 2018, mesmo já havendo o depósito de uma das empresas mantenedoras do Fundo de Cultura.

É inegável que o audiovisual brasileiro vive um momento promissor, mas ele necessita de mecanismos estáveis para garantir a sua continuidade. Torna-se fundamental, portanto, que o governo da Bahia perceba o potencial de negócios do setor audiovisual e invista ativamente para que este ciclo de oportunidades não seja, mais uma vez, desperdiçado. Defendemos a realização anual de editais como centro de uma política de fomento ao audiovisual, porque compreendemos que a partir deles, outras ações e qualificações poderão se agregar, como o estímulo à realização de festivais; apoio à produção de publicações; implementação de um “Programa de Difusão de Filmes” e de um Circuito Alternativo de Exibição; formação de mão de obra qualificada para o mercado profissional e a formalização de convênios entre o Estado e instituições nacionais e internacionais.

Por tudo isso, afirmamos que EDITAIS FOMENTAM A CULTURA.

CULTURA DESENVOLVE A BAHIA

Apesar da crise que o Brasil atravessa, o setor audiovisual vive um momento de valorização, estimulado pela promulgação da Lei n. 12.485/2011 e pela criação do Programa Brasil de Todas as Telas da Agência Nacional de Cinema – ANCINE. O mercado audiovisual cresceu a uma taxa média de 9% nos últimos 9 anos, estabelecendo um contraponto positivo em relação ao recente desempenho da economia nacional. Os resultados representam um avanço significativo em nossa produção simbólica, produção esta, que está sendo lançada em salas de cinema e nas TVs, dentro e fora do país.

A Bahia faz parte desse cenário. O audiovisual baiano também se encontra em um momento de expansão de sua capacidade de produção. Se em 2010 éramos menos de 80 produtoras, atualmente são 315 produtoras baianas registradas na ANCINE. E são elas que vem atraindo um crescente volume de recursos federais para o nosso estado. Segundo dados da ANCINE, nos últimos dois anos (2016 e 2017) projetos baianos selecionados nas linhas de financiamento do Fundo Setorial do Audiovisual – FSA, captaram 64,8 milhões de reais. Essa verba foi investida, integralmente, em longas metragens, telefilmes e séries, produzidos na Bahia.

Os orçamentos anuais da ANCINE para o audiovisual brasileiro, nos últimos anos têm superado a casa de R$ 1 bilhão e a a Lei 12.485 estabelece que “no mínimo, 30% desse valor deverá ser destinado a produtoras brasileiras estabelecidas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste” do país. Somos competentes em atrair esses investimentos, contudo poderemos ampliar ainda mais nossa participação nessas linhas de financiamento, trazendo mais recursos para investir na Bahia se houver do Governo do Estado uma política audiovisual perene. Por não ter acontecido Edital Setorial em 2015 e 2017 a Bahia já perdeu a oportunidade preciosa de atrair R$ 25 milhões para serem investidas no Estado. Se não houver Edital em 2018, serão mais R$ 15 milhões, totalizando R$ 40 milhões perdidos.

Recursos aplicados em uma produção audiovisual acionam uma cadeia produtiva que é capaz de movimentar uma ampla rede de profissionais, gerando emprego e renda, consolidando um mercado interno, além de fortalecer relações afetivas e simbólicas, difundindo novas imagens da Bahia, no Brasil e no mundo, atraindo assim, atenções, investimentos, negócios e ações que contribuem para o desenvolvimento econômico e cultural do estado a curto, médio e longo prazos.

Por tudo isso, afirmamos que CULTURA DESENVOLVE A BAHIA.

Excelentíssimo Governador Rui Costa, a Associação de Produtores e Cineastas da Bahia – APCBahia, entidade representativa dos profissionais e empresas produtoras de conteúdo audiovisual no estado da Bahia, sempre buscou o diálogo e por isso já teve diversos encontros com várias instâncias do governo estadual. Lamentamos porém, que as promessas e expectativas não tenham sido concretizadas e por isso precisamos conversar com o Senhor, pois queremos apresentar propostas efetivas para o fomento ao audiovisual e construção de uma política pública para o setor. Na expectativa de um breve encontro.

Atenciosamente,

Associação de Produtores e Cineastas da Bahia – APCBahia

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