Eleições 2018

Em Buenos Aires, Ciro admite incluir PP e DEM na sua aliança

O pré-candidato à Presidência do PDT, Ciro Gomes, participou de vários eventos nesta sexta-feira na capital argentina e antes de dar a última palestra do dia, na Universidade Nacional de Buenos Aires (UBA), assegurou que veio ao país apresentar sua ideia de liderar “uma ampla aliança de centro-esquerda” que poderia incluir os partidos DEM e PP, desde que antes seja fechado acordo com PSB e PCdoB que garanta “a hegemonia moral e intelectual” de uma eventual frente eleitoral.

Bem humorado e arriscando que na próxima pesquisa da Datafolha poderia ficar entre 10% e 12% das intenções de voto, Ciro evitou fazer comentários sobre o lançamento da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para evitar ser criticado “pela burocracia do PT”. No entanto, perguntado sobre possíveis cenários, reiterou que se vê disputando o segundo turno com o tucano Geraldo Alckmin já que “no meu cálculo, doído que seja, Lula não será candidato”.

A ALIANÇA – “O que está em discussão não é a sorte do PT e sim do Brasil. Não podemos correr o risco de ver um golpe de Estado e as forças que o praticaram serem legitimadas pelo voto popular” — declarou o pré-candidato, defendendo a necessidade de incluir a maior quantidade de partidos possíveis na aliança que está formando.

Consultado sobre uma eventual aproximação com DEM e PP, Ciro não descartou: “Quizás (quiça em espanhol) tudo… nesse primeiro momento minha prioridade são o PSB e o PCdoB. Se esta aliança se faz, posso avançar em partidos do centro à direita, porque a hegemonia moral e intelectual do rumo estará afirmada. Poderia incluir o PP e o DEM, desde que eu tenha o PSB e o PCdoB”.

O pré-candidato foi recebido nesta sexta pela vice-presidente da Argentina, Gabriela Michetti, já que o presidente Mauricio Macri viajou para o Canadá, onde participará de um encontro do G-7. Ciro também se reuniu com empresários e produtores agropecuários. No dia em que o PT lançou oficialmente a candidatura de Lula, a pergunta foi inevitável para Ciro, partindo até mesmo de jornalistas argentinos.

APOIO A LULA – “Há 16 anos, o presidente Lula assumiu o poder no Brasil e todos os dias, até hoje, eu o apoiei. E todas as vezes que fiz algum comentário que desagradou uma parte da burocracia do PT fui intensamente criticado, para usar uma palavra moderada. Por isso, compreendendo o trauma e pelo respeito pelo momento do PT, eu me reservo o direito de não fazer mais nenhum comentário sobre o PT e seus rumos estratégicos. O PT tem seu tempo a sua tática e eu tenho o meu tempo e minha tática” — explicou o pré-candidato do PDT, que disse ver em Alckmin seu rival natural num eventual segundo turno.

“Eu não rivalizo com Bolsonaro, rivalizo com Lula, e Lula, no meu cálculo doído que seja, não será candidato” — frisou Ciro.

SEM VICE – Para ele, a eleição presidencial não tem qualquer centralidade no Brasil hoje e isso explica porque os pré-candidatos ainda não anunciaram seus companheiros de chapa. Dois dias antes da divulgação da próxima pesquisa da Datafolha, Ciro reconheceu que “Alckmin tá lá embaixo, passando o pão que o diabo amassou, não decola, mas fatalmente crescerá. Pela minha experiência, o meu adversário do segundo turno é o Alckmin”.

“Bolsonaro tem sete segundos na TV e não tem candidatos a governador competitivos. É um projeto personalista, que poderá chegar a 18% ou 20%. Alckmin terá vários candidatos a governador, a senadores. Alckmin só tem a crescer, e Bolsonaro só pode cair” — avaliou.

CIRO E MARINA – Ele acredita que a pesquisa poderá colocá-lo empatado com Marina, o que representaria a conquista de um objetivo um mês antes do planejado.

“A greve dos caminhoneiros me ajudou, muita gente começou a falhar e eu tomei posição e isso me deu visibilidade” — disse Ciro, que também se referiu às turbulências no mercado cambial e ao clima de ansiedade entre investidores, que levou o Real a sofrer uma forte desvalorização esta semana:

“É uma fraude do mercado financeiro para ganhar dinheiro e dinheiro público… Hoje, apenas para provar a parte criminosa, o Real se valorizou em quase 6% em um dia. Por que, se eu sou o mesmo candidato? Porque o BC disponibilizou US$ 20 bilhões do dinheiro que pertence à nação para premiar os especuladores que especulam contra nossa moeda. É só jogada para ganhar dinheiro que falta nos hospitais, na infraestrutura, e comigo neste processo o brasileiro ficará sabendo disso em tempo real”. (Janaína Figueiredo / jornal O Globo).

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