São João 2018

Forrozeiro Jorge de Altinho em encontro com diretor da Jacuípe: ‘o forró no Nordeste vai acabar’

O forrozeiro Jorge de Altinho almoçou nesta sexta-feira (22) no restaurante Recanto Jacuípe, às margens da BR-324, saída de Riachão do Jacuípe para Feira de Santana. Durante o almoço o forrozeiro se encontrou com Evandro Matos, diretor da Rádio Jacuípe, e rolou um bom papo sobre o atual momento brasileiro e os festejos juninos em especial.

De passagem para Senhor do Bonfim, onde faria um show nesta sexta à noite, o forrozeiro pernambucano vinha do Distrito de Maria Quitéria, em Feira de Santana, após show realizado na noite anterior.  Na Bahia, conforme revelou, ele ainda se apresenta em Esplanada e Irecê.

Com apenas quatro shows na Bahia no período junino, Jorge de Altinho se disse satisfeito e se mostrou cético em relação ao forró e à festa junina, a mais popular do Nordeste. “Pra mim tá bom, vou fazer quatro shows e só venho assim, se fosse apenas um ou dois não viria, porque não compensa”, revelou.

Sobre o atual momento com a descaracterização dos festejos, Jorge de Altinho se mostrou conformado, mas, apesar do tom de crítica, não está disposto a lutar. “Não adianta, é uma situação que não tem como corrigir. Os prefeitos não acompanham e normalmente colocam pessoas de suas famílias, uma filha ou um irmão, para definir a programação, gente que normalmente não entende do assunto”, disse.

Mas o forrozeiro não culpou apenas os políticos para criticar essa situação. “O rádio também não quer tocar a música nordestina e a nossa geração é isso que está aí. Só quer ouvir Safadão, porque tem um rosto bonito, ou Marília Mendonça, Gustavo Lima e Luan Santana. Então, eu não vou ficar remando contra isso”, acrescentou.

Indagado se não valeria a pena lutar, Altinho continuou o seu discurso pessimista. “O Alcymar (Monteiro) está nessa, junto com Flávio José, mas não adianta, cara. Eu vou fazendo meus shows, fazendo minhas misturas, porque viver só de forró não dá mais não. Campina Grande e Caruaru não têm mais forró, na Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, poucas cidades fazem São João. Então, eu acho que eles estão certos”, disse, encarando tudo como uma mudança de comportamento da sociedade.

Depoimento de Luiz Gonzaga

Antes de falar dos seus projetos, de como vai seguir conduzindo a sua vida artística, Jorge de Altinho mostrou um vídeo que guarda no seu celular com um depoimento de Luiz Gonzaga sobre o comportamento das emissoras de rádio do Nordeste e o pouco caso que elas dão à cultura nordestina. “Então, é difícil, não tem como lutar contra isso”, explicou.

“Viver de shows nessa situação é muito difícil. Eu não vou gravar mais CD, ninguém quer comprar. Já gravei dois DVDs, mas Flávio José luta pra gravar um e até hoje não conseguiu. Vou continuar fazendo os meus projetos para shows em parceria com o SESC lá em São Paulo, com a Chesf aqui pra cima, porque é como a gente pode ir levando. Quero cantar para quem quer me ouvir e não num espaço com muita gente, mas esperando a apresentação de um artista da moda. Não quero muita correria mais, não. Tenho minhas coisinhas que consegui com quase 40 anos de carreira, troco meu carro todo ano, então não vou ficar remando contra isso que está aí”, concluiu.

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