Eleições 2018

Apesar da força do PT em Pernambuco, maioria do PSB deve fechar com Ciro

Com a divisão interna sobre o apoio a Ciro, a aliança com os petistas ou a neutralidade “deixando os estados livres para acordos”, o partido tenta se antecipar aos votos dos dirigentes nacionais para evitar o racha definitivo no dia 30

O PSB tem seis dias para definir qual caminho seguir durante a campanha eleitoral. A reunião do Diretório Nacional ocorre na próxima semana, mas a tendência de racha assusta os caciques. Com a divisão interna sobre o apoio a Ciro Gomes (PDT), a aliança com petistas ou a neutralidade — que deixaria os diretórios nos estados livres para definir as próprias alianças —, o partido tenta se antecipar aos votos dos dirigentes nacionais para evitar o racha definitivo na reunião prevista para o próximo dia 30, em Brasília.

Um levantamento feito pelo Correio revela que, apesar da força política do PT na bancada de Pernambuco, a maioria da legenda tende a fechar aliança com o ex-governador do Ceará. Como não há um consenso, as lideranças de 27 estados decidirão, individualmente, pelo futuro do partido na próxima segunda-feira. Ao todo, são 137 votos. Com maior número de dirigentes, Pernambuco soma 19 representantes na reunião e segue a tendência de apoiar o PT. Assim como Acre (2), Bahia (4) e Rio Grande do Norte (1). Apesar da indecisão, a Paraíba não descarta uma possível aliança com o candidato petista.

Em contrapartida, a favor de Ciro estariam Rio Grande do Sul, que reúne 12 dirigentes, Espírito Santo (11), Distrito Federal (10), Minas Gerais (9), Rio de Janeiro (6), Piauí (7) e Goiás (1). Algumas lideranças, inclusive, já declararam apoio ao pedetista. O governador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) afirmou ao Correio que acredita que partido vai fechar com Ciro. Na terça-feira (25), o governador da Paraíba Ricardo Coutinho (PSB) e o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), se reuniram em Brasília.

Outros estados têm tendência a seguir pela neutralidade para que cada político faça as próprias coligações de acordo com conveniências regionais. Uma das especulações é que a neutralidade seja uma maneira de evitar um mal-estar dentro da legenda, já que as correntes estaduais são muito fortes. A prioridade da sigla é apostar nas eleições nos estados, ou aumentar a bancada dentro do Congresso.

Para o cientista político Wladimir Gramacho, se o PSB optar pela neutralidade, isso não significa que o partido será prejudicado, pois poderá ser um sócio importante na formação da nova legislatura. “Há políticos de várias inclinações ideológicas. Se Ciro ganhar, o PSB estaria ainda assim no governo. Comporia para dar sustentação legislativa. Assim como, por exemplo, se Marina Silva (Rede) ganhar. O problema é se o eleito for Jair Bolsonaro (PSL), aí as chances diminuem”, explicou.

Segundo Gramacho, faz menos “sentido” o PSB apostar todas as fichas agora em um só candidato. O que indica que a posição do partido, atualmente, é “confortável”. “Todos vão querer o partido em 2019, ainda que ele não queira a todos agora. A sigla vai ser importante no plano nacional, só que, para eles, é mais importante formar uma bancada de numerosos deputados”, opinou.

Antônio Augusto de Queiroz, o Toninho, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, comentou que, programaticamente, o PSB tem todos os motivos para se aliar a Ciro, porque são partidos de centro-esquerda, com muito mais afinidades que com o PT, por exemplo. “Se o PSB seguir com o pedetista, certamente fechará uma aliança com o PCdoB. A legenda ganharia musculatura e passaria a ser mais competitiva, deixando o PT isolado, sem os potenciais aliados”, complementou. No entanto, acredita que a sigla seguirá na neutralidade, para contemplar todas as lideranças sem causar qualquer mal-estar.

 

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