Eleições 2018

PT fecha acordo com PSB, prejudica Ciro Gomes e mata candidaturas de Marilia e Lacerda

A Executiva Nacional do PT reuniu-se na tarde desta quarta-feira, dia 1º de agosto, em Brasília, para anunciar os termos de um acordo eleitoral com o PSB. O PT vai retirar a candidatura da vereadora Marília Arraes ao governo de Pernambuco, o que levará o partido a um apoio ao governador Paulo Câmara, tratado entre os socialistas como a joia da coroa.

Do mesmo jeito, o PT exigiu a retirada da candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, ao governo de Minas Gerais, obrigando-o a se recompor com o governado Fernando Pimentel.

Com isso, o PSB deverá optar pela neutralidade na disputa nacional, liberando os seus diretórios a se aliarem a candidatos do PT em cerca de 14 Estados, inclusive em Minas Gerais. “Com esse gesto do PT, não vai ter nenhuma disputa no domingo.

Posso garantir que vamos optar pela neutralidade”, disse o deputado Júlio Delgado (PSB-MG). O PSB marcou sua convenção nacional para domingo, dia 5, para decidir sua posição nas eleições de 2018.

O acordo representa um revés para o candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, que tentava fechar uma aliança com o PSB, já tendo,

inclusive, o aval de oito diretórios estaduais, entre eles os do Distrito Federal, Ceará, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Ciro perdeu também o apoio do Centrão para o presidenciável tucano

Em São Paulo, o governador Márcio França (PSB), candidato à reeleição, ficará liberado para apoiar o pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, o ex-governador Geraldo Alckmin.

Apesar das tratativas, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, disse à reportagem que uma decisão do partido só será formalizada neste domingo, na convenção nacional da sigla. “Ainda não decidimos nada, o que o PT nos pede é o apoio e só vamos decidir isso no dia 5”, ressalvou.

Reações nos estados

A decisão de direção nacional do PT provocou reações em alguns estados. Em Pernambuco, a vereadora recifense Marília Arraes classificou como “ataque especulativo” a divulgação do acordo entre as direções nacionais do PT e do PSB, querendo acreditar que nada seria oficializado.

Depois de informada, Marília Arraes avisou que não desistiria da postulação. “Temos o apoio massivo da sociedade de Pernambuco. Essa candidatura vai ser discutida até as últimas consequências”, avisou Marília, ao lembrar que seu grupo político entrará com recurso requisitando sua candidatura, em entrevista coletiva realizada na sede da CUT.

Nesta quinta-feira (2), será realizada uma reunião de apoiadores de Marília, às 15h, além de manter um novo encontro, às 17h, num hotel no bairro do Pina. A deputada Teresa Leitão lembrou que o PT “não faz direto a convenção”. “Temos um processo que elegemos 300 delegados eleitos na base, a convenção do PT é meramente homologatória”, disse Teresa.

Perplexidade e revolta em Minas

Em Minas Gerais, o ex-prefeito Marcio Lacerda, que era candidato ao governo pelo PSB, reagiu com revolta à decisão do seu partido em fazer a aliança com o PT.  Em carta aberta aos mineiros, Lacerda recebeu com “indignação, perplexidade, revolta e desprezo”, a comunicação de que uma aliança havia sido fechada e ele não seria mais candidato a governador de Minas.

“Fui surpreendido pelo meu partido, o PSB. A mim foi oferecida, como alternativa à candidatura ao governo do Estado, a candidatura ao Senado em uma composição com o Partido dos Trabalhadores, sugestão com a qual prontamente discordei. Recebi esta comunicação com indignação, perplexidade, revolta e desprezo”, diz um trecho.

Na carta, Lacerda fala de sua caminhada por Minas, onde conseguiu viabilizar uma terceira via em detrimento à polarização entre PSDB e PT que já dura duas décadas. Ele, inclusive, cita as pesquisas recentes onde aparece bem cotado para ser o vencedor do pleito.

No Distrito Federal, governador critica

O acordo que o PT fecha com o PSB para garantir o apoio da maioria dos estados do Nordeste a um nome do PT à Presidência da República caiu como um balde de água fria sobre os planos do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, de levar os socialistas a fecharem o apoio a Ciro Gomes (PDT).

“Nesse momento delicado da vida política nacional, um partido com a história do PSB não se posicionar claramente por uma candidatura, é um erro. Estamos contribuindo para manter a polarização PT-PSDB, que não fez bem ao Brasil. O PSB tinha uma oportunidade de ter uma posição que permitisse construir uma alternativa a essa polarização que colocou o Brasil nessa situação. O PSB poderia cumprir um papel decisivo nessa eleição e optou por um papel secundário. Eu vou continuar tentando construir uma aliança no campo progressista, com PSB, PV, REDE, PDT E PCdoB. Eu aqui farei a campanha de Ciro Gomes. A aliança com o PT jamais passaria (numa convenção nacional). Hoje, o PSB está entre duas alternativas: Ou apoiar Ciro Gomes, que no meu entendimento é a mais correta, ou liberar, o que no meu entendimento é um equívoco. O partido tinha que ter uma posição”.

(Da redação do Interior da Bahia, com informações da Folha de Pernambuco, Estado de Minas e Estadão).

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