Eleições 2018

Ciro Gomes viaja para a Europa e anuncia ‘apoio crítico’ a Haddad

Candidato do PDT e terceiro lugar no primeiro turno da disputa pelo Planalto, Ciro Gomes deve viajar nesta quinta-feira (11) para a Europa, o que preocupou a campanha de Fernando Haddad (PT).

O petista ainda tinha esperança de convencer o ex-adversário a integrar sua equipe, em uma tentativa de formar uma frente em defesa dos valores democráticos, contrapondo-se a Jair Bolsonaro (PSL).

A ausência de Ciro na saída do segundo turno, porém, foi entendida como senha pelo petista de que ele não quer participar de um movimento mais amplo contra o capitão reformado do Exército.

Nesta quarta (10), o PDT anunciou um “apoio crítico” a Haddad e o presidente da sigla, Carlos Lupi, sinalizou que Ciro não iria subir no palanque do candidato do PT.

A informação de que Ciro viajaria por pelo menos uma semana para o exterior foi confirmada pela Folha pelo irmão dele, Cid Gomes. A assessoria do agora ex-candidato afirmou que ele iria “tirar uns dias para descansar e cuidar da saúde”.

Aliados, por sua vez, disseram que Ciro não queria ter sua imagem associada à do PT neste segundo turno tão polarizado.

Ciro teve mais de 12% dos votos válidos no primeiro turno e pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta mostra que muitos deles migram para Haddad. O petista hoje tem 42% frente a 58% de Bolsonaro.

Desde o início da semana, auxiliares de Haddad têm criado pontes com o ex-governador do Ceará. Jaques Wagner, senador eleito da Bahia que assumiu a coordenação política da equipe petista, e Camilo Santana, governador reeleito no Ceará, estavam em contato com Ciro e Cid.

Com o apoio dos partidos de centro-esquerda -PDT, PSOL e PSB- formalizados, Haddad quer ampliar seu arco para outros setores e atores da sociedade e, assim, formar a frente em defesa dos valores da democracia.

Comentário do site:

A notícia sobre a viagem de Ciro vem logo em seguida à reunião do PDT, que decidiu por um ‘apoio crítico’ a Fernando Haddad neste segundo turno. Nunca uma decisão foi tão correta, correspondendo à maioria dos ciristas e pedetistas. Não é uma questão de mágoa, mas uma questão de lógica e até mesmo de dignidade. Não tem como não lembrar das mil tentativas de o PDT se apresentar como alternativa da centro-esquerda e ser ignorado pela cúpula do PT; não tem como não lembrar da frase da senadora Gleisi Hoffman (presidente do PT) sobre a possibilidade do seu partido não lançar candidato e apoiar Ciro: “nem com reza brava”, disse Hoffman; não tem como não lembrar da interferência do PT-Lula para que o PSB não se coligasse com o PDT-Ciro, prejudicando sistematicamente a estrutura de campanha do pedetista e contrariando a própria vontade de maioria dos socialistas. Além disso, não faltaram avisos, inclusive das pesquisas, de que Ciro seria o candidato mais forte no segundo turno, mas nada disso foi levado em conta pela cúpula do PT. Egocêntrico, o partido insistiu com uma candidatura fadada ao fracasso, notadamente pelo antipetismo reinante no País. Portanto, a decisão de Ciro não nos traz nenhuma surpresa. É mais do que justa, porque não existe um cidadão ser tão ignorado e agora ser cobrado a ser sócio de uma derrota iminente. Vai Ciro! Vai descansar na Europa. Deixa que Gleisi Hoffman resolve as coisas por aqui… inclusive a ameaça à democracia.

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