Cultura

Elba Ramalho lança ‘O ouro do pó da estrada’, 38º álbum da carreira

“Vamos pisar no chão!” É assim que Elba Ramalho abre a conversa com a reportagem do Estado de Minas. A frase não deixa de sintetizar o espírito do seu mais recente álbum, O ouro do pó da estrada, o 38º de seus 40 anos de carreira, disponível em todas as plataformas digitais. O disco físico chega às lojas em janeiro pela gravadora Deck.

A terra, o Nordeste, o amor, as preocupações com o mundo estão presentes ao longo das 13 faixas do projeto que tem produção e arranjos de Yuri e Tostão Queiroga, também responsáveis por Qual o assunto que mais lhe interessa? (2007). “O repertório tem muita força e muito a ver comigo. Fala do chão, das raízes. Quanto mais regional a gente é, mais universal nos tornamos”, afirma a cantora.

A canção de abertura é a potente Calcanhar, de Yuri e Manuca Bandini, mescla suingue, rock, uma pitada de manguebeat e conta com texto incidental do poeta Bráulio Tavares. Foi a escolhida para o lançamento do videoclipe. “Ela já é uma pancada. Mostra a que veio”, diz. A cantora paraibana faz dueto com Ney Matogrosso em O girassol da caverna (do cantor, compositor e poeta pernambucano Lula Queiroga, tio de Yuri).

Em O mundo (André Abujamra), convidou as cantoras e amigas Maria Gadú, a conterrânea Lucy Alves e Roberta Sá. “As meninas são minhas parceiras. Roberta, então, é uma pessoa que adoro. Queria comemorar e fazer este disco com pessoas que admiro e estão na estrada comigo”, conta. Apesar de ser de 1995, a composição não deixa de ser um retrato dos tempos de hoje. (O mundo – caquinho de vidro/ tá cego do olho, tá surdo do ouvido/ O mundo tá muito doente/ O homem que mata, o homem que mente/ Todos somos filhos de Deus/ Só não falamos as mesmas línguas.) “É sim uma visão da realidade. Várias dessas músicas são atemporais e sobrevivem a todos os tempos e ocupam todos os espaços”, acredita.

Elba Ramalho mostra a obra de autores contemporâneos como Marcelo Jeneci e Chico César, em Oxente, José, de Siba, além do estreante no ramo, o ator George Sauma. É dele a delicada Se não tiver amor, abertura de Pais de primeira, seriado que protagoniza na Globo aos domingos. “Temos algumas revelações em termos de composição como o próprio George. Achei a música dele linda. E tem também Areia, do Juliano Holanda, que é um compositor de Pernambuco maravilhoso”, elogia. (foto: Alexandre Sant’Anna/divulgacao).

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