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História

Riachão: Amigos e admiradores relembram mais uma ano sem o ex-prefeito Valfredo Matos

O ex-prefeito de Riachão do Jacuípe, Valfredo Carneiro de Matos, completou mais um ano de morte no último sábado (05). Valfredo nos deixou no dia 05 de janeiro de 2005, há 14 anos, portanto. A ex-prefeita Tania Matos, viúva de Valfredão, como ele também ele conhecido, convidou amigos, parentes e admiradores do ex-prefeito para uma missa na Igreja Matriz.

Apesar da velocidade do tempo, afinal já se passaram 14 anos, é como se tudo tivesse acontecido hoje. No dia 05 de janeiro de 2005 a população jacuipense recebeu com muito pesar a noticia da morte do ex-prefeito Valfredo Matos. Ele estava internado no Hospital Santa Isabel, em Salvador.

A noticia parou a cidade praticamente por dois dias, com o comércio fechado e luto nas residências. O seu sepultamento atraiu uma multidão, calculada em mais de 20 mil pessoas. Valfredo havia administrado o município até o dia 31 de dezembro, mas antes disso já havia se afastado para cuidar de problemas de saúde.

Milhares de pessoas compareceram ao sepultamento, apesar do sol escaldante

Já durante a sua gestão ele apresentou os primeiros problemas de saúde e os médicos lhe recomendaram uma parada para tratamento. Contudo, mesmo doente, Valfredo prosseguiu à frente da Prefeitura, vindo a sofrer consequências depois.

Sinal de despedida

Apesar disso, internado no hospital, muitos avaliaram que o quadro de saúde do ex-prefeito teria piorado quando ele passou a ter algumas informações sobre o município. Triste e decepcionado, a sua vontade de viver parecia ter chegado ao fim. “Não havia motivo para ele morrer, sua doença não era tão grave assim. Ele deve ter sentido muito desgosto”, revela um amigo, que prefere não se identificar.

Entre idas e vindas ao hospital, no dia 30 de dezembro, seis dias antes de vir a óbito, ele retornou a Riachão do Jacuípe, mas, por recomendação dos médicos, não era para fazer contatos políticos. A orientação foi compartilhada pelo sobrinho Carlos Matos, que aconselhou ao motorista levá-lo direto para a casa onde ele iria dormir.

Apesar da recomendação, na chegada a Riachão Valfredo pediu ao motorista que passasse pelo centro a cidade, dizendo: “Passa pelo centro que eu quero ver Riachão pela última vez”.

“Aquilo parecia ter sido um aviso de despedida. Ele poderia ir por outro caminho, mas fez questão de passar pelo centro, como se estivesse se despedindo de todos”, disse Carlos Matos, que testemunhou a cena e confessou à nossa reportagem.

A saudade                                          

Tal revelação pode soar como um mistério, mas não há como duvidar em se tratando de um político que deixou um legado que ultrapassa a razão do próprio tempo. Afinal, ainda é comum ouvir pessoas desabafarem e deixarem lágrimas escorrerem pelo rosto quando se recordam ou participam de conversas que remetem a “Valfredão”.

Foto na parede de residência, na região de Chapada

Dono de um discurso eloquente e com uma simplicidade natural, Valfredo conquistava aliados e admiradores a todo instante. Até hoje, é comum ver fotos suas em residências e muitos “valfredistas” continuam a lhe venerar pelos seus feitos e “pelo grande homem que foi”. “Para mim, não teve e nunca terá um político igual a ele em Riachão, pela sua habilidade e bondade no coração”, diz uma valfredista que pediu para ocultar o seu nome. “Morre o homem, mas fica o nome”, emenda outro.

O legado

Valfredo foi prefeito de Riachão do Jacuípe durante dois mandatos. Foi suplente de deputado estadual e só não se elegeu por causa de um erro de numeração junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), fazendo com que centenas de votos a seu favor deixassem de ser computados em municípios como Santa Bárbara e Serra Preta por não haver fiscal para acompanhar.

Com grade visão política, Valfredo fez duas administrações que revolucionaram o município numa época em que os recursos eram escassos e sem ajuda do estado ou federação. Abriu e recuperou dezenas de estradas vicinais (sempre bem cuidadas), construiu e reformou dezenas de prédios escolares, e construiu dezenas de campos de futebol pelo interior do município.

Mas as obras que mais repercutiram nas duas administrações de Valfredo foram a construção do Hospital Municipal (um presente para a população pobre), o Estádio Municipal (hoje Arena Valfredão), o Centro Administrativo, a Avenida Eliel Martins, a urbanização total da Rua J. J. Seabra, o Palco Fixo com a criação do São João, entre outras.

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