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Cirurgia de Bolsonaro durou sete horas, foi complicada e de riscos

O Planalto disse que foram sete horas na mesa de cirurgia, mas na verdade foram nove horas, o mesmo espaço de tempo que Adib Jatene levou para operar o coração do então senador Antonio Carlos Magalhães, que estava desenganado. No caso da retirada da bolsa de colostomia do presidente Jair Bolsonaro, segundo o porta-voz da Presidência da República, general Rego Barros, as aderências no intestino exigiram uma “obra de arte” por parte da equipe médica que atuou no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

A Cirurgia do Presidente durou mais de sete horas

“O procedimento ocorreu sem intercorrências e sem necessidade de transfusão de sangue”, diz o boletim do hospital, que foi uma ótima notícia, comprovando que não houve sangramento, que seria um problema adicional.

SITUAÇÃO ESTÁVEL – Bolsonaro foi encaminhado para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) depois da cirurgia em situação “clinicamente estável, consciente, sem dor, recebendo medidas de suporte clínico, prevenção de infecção e de trombose venosa profunda”, afirma a nota do hospital.

Bolsonaro durante exames, antes da cirurgia nesta segunda

O fato concreto é que houve complicações na cirurgia. Não se sabe se foram provocadas pela falta de cuidados de Bolsonaro, que jamais se comportou como portador de uma doença grave, chegou a fazer flexões em público, no sábado agarrou na porta do helicóptero para ver melhor o rompimento em Brumadinho.

Esta foi a segunda vez que marcaram a cirurgia. Na primeira tentativa, não foi possível que Bolsonaro estava com infecção. A quantidade de antibióticos que tomou desde a facada é impressionante. E continua tomando.

MUITO REPOUSO – É óbvio que um paciente impaciente como Bolsonaro precisa ser obrigado a ficar em repouso. Previa-se recuperação em dez dias, caso não houvesse problemas na cirurgia. Ou seja, o presidente deverá ficar pelo menos duas semana ainda em repouso. Por isso, essa ideia de retomar logo o poder e começar a despachar no hospital é uma tremenda maluquice.

Bolsonaro e o núcleo duro do Planalto precisam entender que se trata de uma doença grave. Segundo apurou O Globo, os riscos variam de 5% (em pacientes com boas condições de saúde, como as de Bolsonaro) a 20% (diabéticos e desnutridos, por exemplo).

Diz o especialista Carlos Walter Sobrado, professor de Coloprotoctologia da Faculdade de Medicina da USP, o risco maior ocorre na primeira semana após a cirurgia, quando o paciente começar a evacuar.

AINDA HÁ RISCOS – Pelo fato de o intestino grosso ter pouca vascularização, podem ocorrer problemas de cicatrização. O mais temível é a fístula, ou seja, uma abertura no local suturado com pontos.

Se houver rompimento da sutura e vazamento de fezes na cavidade abdominal, é preciso abrir novamente o paciente. “Aí a gente perde tudo o que foi feito. É preciso refazer a colostomia”, explica o professor Sobrado.

Outro especialista ouvido por O Globo reforça a afirmação:  “Já tive paciente que fez fistula com 21 dias após a cirurgia. Isso não é culpa do cirurgião ou do material utilizado. É um risco intrínseco a uma cirurgia de intestino grosso”, afirma Diego Adão Fanti Silva, cirurgião de aparelho digestivo da Unifesp. (Por Carlos Newton / Tribuna da Internet).

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