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Bebianno sai do governo de cabeça erguida e Bolsonaro não sabe explicar a demissão

A deputada Janaina Paschoal (PSL-SP) está correta, ao indagar nas redes sociais qual a razão de o ministro Gustavo Bebiano estar sendo demitido? Ninguém sabe, até porque o presidente da República não se preocupou em dar à opinião pública uma explicação minimamente aceitável. O Planalto e a família Bolsonaro liberaram quatro versões diferentes, mas nenhuma delas se sustenta em fatos reais. Todas as tentativas de justificar a exoneração foram destruídas pelo chamado Princípio da Razoabilidade – a denominação que os juristas dão à lógica e ao bom senso.

Bolsonaro permite que os filhos tenham até “olheiro” no Planalto

Durante a campanha, da qual foi coordenador nacional, Bebianno era muito ligado aos filhos de Bolsonaro. Depois da posse, ele foi uma das vozes que defenderam que os filhos do presidente se afastassem dos assuntos do governo, e foi assim que seus problemas começaram.

OLHEIRO NO PLANALTO – Como secretário-geral da Presidência, cabia a Bebiano a responsabilidade pelo Planalto e ele era contra a presença de Léo Índio no palácio. Mesmo sem ter função no governo, o sobrinho de Bolsonaro tem crachá amarelo e circula livremente no terceiro e no quarto andar, onde funcionam a Presidência, a Casa Civil, a Secretaria-Geral e a Secretaria de Governo. Há restrições à entrada nesses andares, mas Léo Índio circula à vontade e até confere as agendas dos ministros.

Foi Léo Índio quem avisou a Carlos Bolsonaro que Bebianno iria receber o vice-presidente institucional da Rede Globo, que pedira audiência. A família Bolsonaro encarou isso como traição, embora não passasse de uma atribuição normal do ministro, que à contragosto teve de cancelar a reunião.

Depois, na terça-feira (12), o olheiro Léo Índio viu na agenda de Bebianno que ele iria ao Pará, para lançar o pacote de obras na Amazônia, e levaria jornalistas na equipe, junto com os ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Damares Alves (Direitos Humanos). Furioso, Bolsonaro mandou cancelar a viagem e decidiu demitir o ministro, a pedido dos filhos, que estavam loucos para se livrar dele e queriam aproveitar as denúncias sobre candidatas laranjas no PSL, embora Bebianno não fosse responsável por isso.

PRIMEIRA VERSÃO – No dia seguinte, quarta-feira (13) Carlos Bolsonaro desmentiu o ministro, que dissera ter conversado com o presidente sobre a crise do PSL, e começou a confusão. Bolsonaro apoiou o filho e convocou a reportagem da  TV Record, para dar a primeira versão, dizendo ter mandado a Polícia federal investigar o PSL, e adirmou que, se Bebianno fosse culpado, deveria “voltar às origens”.

Em sua ingenuidade, Bolsonaro e os filhos pensaram que Bebianno ia pedir demissão, mas isso não aconteceu. E os ministros militares do Planalto, junto com o vice Mourão e Onyx Lorenzoni, manifestaram-se a favor de Bebianno.

OUTRAS VERSÕES – Surgiram então as outras versões, vazadas pela família Bolsonaro. Uma delas alegava que o presidente ficara aborrecido porque Bebianno teria convidado a equipe de jornalistas a ir à Amazônia com ele. Mas essa justificativa era tão fraca que foi logo abandonada.

Foi também exibida a versão de que a causa seria a audiência que Bebianno aceitara dar ao vice-presidente de Relações Institucionais do grupo Globo, mas essa justificativa também foi sepultada, porque se trata de função inerente ao cargo do ministro, não havia irregularidade alguma.

A ÚLTIMA VERSÃO – Surgiu, então, a última versão, dando conta de que o chefe da Secretaria-Geral quebrara a relação de confiança com Bolsonaro “ao vazar áudios de diálogos entre os dois”.

Mas a versão era falsa. Bebianno não vazou nada a nenhum veículo de comunicação. Apenas mostrou as gravações a outros ministros, para provar que não havia mentido e realmente tinha conversado com o presidente pelo WahtsApp, na terça-feira.

Neste sábado, como não havia mais justificativa para atacar Bebianno, o filho Eduardo Bolsonaro entrou nas redes sociais para dizer que o ministro é “corrupto” e foi culpado pelas “candidaturas laranjas”. Além disso, chamou de “jumento e “idiota” quem faz críticas a seu irmão Carlos, vejam a que ponto chegamos.

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P.S. 1Eduardo  deu o fecho no festival de mentiras da família Bolsonaro e isso pegou muito mal no PSL  pois todos sabem que Bebianno não se envolveu em corrupção nem patrocinou candidaturas fantasmas, a responsabilidade era dos diretórios estaduais.P.S. 2Como se constata, a falta de caráter é mal de família. E Bebiano definiu bem a questão, ao dizer que o capitão, para salvar a pele do filho, “deu um tiro na nuca do soldado que lhe era leal”. (Por Carlos Newton / Tribuna da Internet).

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