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Meio Ambiente

Brumadinho: Rejeitos contaminados da Vale chegam ao São Francisco

Neste dia 22 de março, quando se comemora o Dia Mundial da Água, a Fundação SOS Mata Atlântica divulgou uma má notícia para os mineiros: os rejeitos da barragem Córrego do Feijão, da Vale, rompida há quase dois meses, já contaminaram o rio São Francisco.

Expedição da Fundação SOS Mata Atlântica no rio Paraopeba (Foto: Gaspar Nóbrega)

O alerta foi divulgado junto com o relatório “o retrato da qualidade da água nas bacias da Mata Atlântica”, que trouxe índices de qualidade de vários rios do país e aproveitou para apresentar os resultados de uma segunda expedição pelo rio Paraopeba até o Alto São Francisco feita pela SOS Mata Atlântica, entre os dias 8 e 14 de março.

Dos 12 pontos analisados pela organização, 9 estavam com condição ruim e 3 regular, o que torna o trecho a partir do Reservatório de Retiro Baixo, entre os municípios de Felixlândia e Pompéu até o Reservatório de Três Marias, no Alto São Francisco, com água imprópria para usos da população.

Nesses pontos, a turbidez estava acima dos limites legais definidos pela Resolução 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) para qualidade da água doce superficial. Em alguns locais, esse indicador chegou a ser verificado entre duas e seis vezes mais que o permitido pela resolução. Além disso, as concentrações de ferro, manganês, cromo e cobre também estavam acima dos limites máximos permitidos na legislação, o que evidencia o impacto da pluma de rejeitos de minério sobre o Alto São Francisco.

A tragédia afetou toda a região próxima a Brumadinho-MG (Foto: G1)

“Logo que fizemos nossa primeira expedição, diversos setores da sociedade nos perguntavam sobre o rio São Francisco. Não tínhamos a intenção de voltar à região agora, mas, diante dos questionamentos, decidimos analisar o impacto na região para informar a sociedade”, afirma Tiago Felix, biólogo e educador ambiental da Fundação SOS Mata Atlântica.

Os dados comprovam que o Reservatório de Retiro Baixo está segurando o maior volume dos rejeitos de minério que vêm sendo carreados pelo Paraopeba. Apesar das medidas tomadas no sentido de evitar que os rejeitos atinjam o rio São Francisco, os contaminantes mais finos estão ultrapassando o reservatório e descendo o rio e já são percebidos nas análises em padrões elevados.

Rios de Minas

Em Minas Gerais, foram observados sete rios, além do Paraopeba, em Belo Horizonte, Juiz de Fora e Rio Acima. Todos eles apresentaram resultado regular ou ruim. “Os indicadores medidos apontam que não houve recuperação ou melhoria na qualidade das águas analisadas nos ciclos 2018 e 2019, permanecendo todos os pontos com índices regular ou ruim, o que mostra comprometimento do IQA [índice de qualidade da água]”, diz o relatório.

Veja abaixo:

  • Ribeirão do Onça (BH) – regular
  • Córrego Bonsucesso (BH) – ruim
  • Córrego Cercadinho (BH) – regular
  • Córrego Ponte Queimada (BH) – regular
  • Ribeirão Isidoro (BH) – ruim  
  • Ribeirão das Rosas – Juiz de Fora – regular
  • Rio das Velhas (Rio Acima) – regular

Outros rios

O relatório traz o balanço das análises feitas pelos voluntários da ONG em 103 municípios dos 17 Estados da Mata Atlântica. Foram 278 pontos monitorados com 2.066 análises de indicadores internacionais que integram o Índice de Qualidade da Água (IQA), composto na metodologia desenvolvida pela SOS Mata Atlântica por 16 parâmetros físicos, químicos e biológicos. 

Dos 278 pontos de coleta de água monitorados em vários rios do país, 207 (74,5%) apresentam qualidade regular. Em 49 pontos (17,6%) a qualidade é ruim e, em 4 pontos (1,4%) péssima. Somente 18 pontos (6,5%) apresentam qualidade boa na média do período de monitoramento e nenhum dos rios e corpos d’água tem qualidade ótima. A qualidade de água péssima e ruim obtida em 19% dos pontos monitorados evidencia que 53 pontos estão em rios indisponíveis – com água imprópria para usos – por conta da poluição e da precária condição ambiental das suas bacias hidrográficas.

“Os rios brasileiros estão por um triz. Seja por agressões geradas por grandes desastres ou por conta dos maus usos da água no dia a dia, decorrentes da falta de saneamento, da ocupação desordenada do solo nas cidades, por falta de florestas e matas ciliares que protegem os rios e nascentes e por uso indiscriminado de fertilizantes químicos e agrotóxicos. Nossos rios estão sendo condenados pela falta de boa governança“, afirma Malu Ribeiro, assessora da Fundação SOS Mata Atlântica, especialista em água.

Os dados divulgados para a sociedade neste Dia Mundial da Água foram produzidos pelo projeto Observando os Rios. A iniciativa conta com a participação de 3.500 voluntários que monitoraram 220 rios, de oito regiões hidrográficas do Brasil, entre março de 2018 e fevereiro de 2019, etapa que contou com o patrocínio da Ype e apoio da Coca-Cola Brasil. Em 2019, o projeto contará com patrocínio da Ype e apoio da Sompo. (Informações jornal O Tempo/ Foto: Gaspar Nóbrega / SOS Mata Atlântica e G1).

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