Esporte

Regras do futebol mudam para deixar o jogo mais dinâmico

Deixar o jogo mais dinâmico e reduzir a perda de tempo. Esses são os objetivos das mudanças nas regras do futebol aprovadas no inicio do mês pela International Board, que entrarão em vigor no dia 1.º de junho. São 12 alterações, sete delas mais profundas, que visam aumentar o tempo de bola rolando — a Fifa considera que o ideal é pelo menos 60 minutos –, e também oficializaram situações comuns no futebol.

Há desde medidas que exigirão uma mudança de comportamento em campo, como a que determina que jogadores do time que vai cobrar uma falta fiquem a pelo menos um metro da barreira e a que prevê que atletas substituídos deixem o gramado pela linha mais próxima de onde estiverem (leia a arte abaixo), até as meramente esclarecedoras. É o caso da que estabelece que cartão amarelo aplicado ao jogador na comemoração de um gol será mantido mesmo que o gol venha a ser anulado.

Néstor Pitana, árbitro argentino, durante a final da Copa do Mundo entre França e Croácia. Foto: Damir Sagolj/Reuters

“As mudanças darão mais dinâmica ao jogo, é um fator importante. Outro benefício é dar mais transparência”, analisou o ex-árbitro e comentarista Arnaldo Cezar Coelho, sobre as decisões da International Board, órgão que regulamenta as regras do futebol. “Eles focaram muito na perda de tempo e isso é positivo. Não vai mais ter tanta enrolação (por parte dos jogadores)”, aprovou Marcos Marinho, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF.

SINAL POSITIVO

As mudanças nas regras foram bem aceitas por membros de comissão técnica, jogadores e especialistas ouvidos pelo Estado. É o caso, por exemplo, do ex-técnico e agora comentarista Muricy Ramalho. “A gente sempre critica a Fifa, mas temos que reconhecer que algumas dessas mudanças é para deixar o jogo mais rápido e com mais gols e aprovo isso. O basquete, o vôlei, todos os esportes mudam as regras e chegou a hora de do futebol mexer também”, analisou o comentarista do canal SporTV.

Com seu jeito peculiar, Muricy deixou claro qual foi a mudança de que mais gostou. “A do cartão para técnico. Tem que ter cartão mesmo, porque tem muito técnico que é insuportável! Eu não era chato assim, tanto que fiquei uns 15 anos sem ser expulso. Mas tem técnico que fica falando com o quarto árbitro o tempo todo, querendo apitar o jogo.”

Marinho, o chefe da arbitragem na CBF, também aplaude essa medida, que inclui os demais membros da comissão técnica que estiverem no banco. “Isso vai permitir ao árbitro um controle maior do banco de reservas. Hoje, cria-se polêmica, há desgaste para arbitragem.”

PÊNALTI

Há, entre as mudanças, algumas que apenas legalizam situações já existentes. É o caso da que permite ao goleiro ficar com um pé fora da linha do gol nas penalidades máximas. Especialista desde os tempos da base em pegar pênaltis, o goleiro Rafael, do Cruzeiro, acredita que não haverá tanto efeito, pois os goleiros já não ficam com os dois pés em cima da linha. Arnaldo concorda: “Eles oficializaram uma coisa que já se havia criado o hábito.”

Rafael gostou de poder sair jogando dentro da área no tiro de meta. “Teremos mais campo e aproximação dos jogadores. Isso facilita para sair jogando, sem precisar dar chutão.”

Um dos pontos que mais causaram polêmica foi o fim da barreira extra formada por jogadores do time que tem a falta a seu favor. Para Rafael, a mudança vai beneficiar o goleiro. “Os jogadores ficam na frente da cobrança para trombar com a barreira de verdade e tentar evitar que ela pule e ainda tira a visão do goleiro, que só vê a bola quando ela já passou da barreira”, explicou Rafael.

O preparador de goleiros do Cruzeiro, Robertinho, ponderou, porém, que os atacantes também podem se aproveitar da mudança. “É bom para o goleiro mesmo, mas também para o cobrador de falta, pois ele terá um campo de visão mais limpo, sem aquela bagunça na frente. Será necessário um treino especial”, avisou.

CBF planeja adotar as alterações no mês de julho

A CBF planeja colocar em vigor as novas regras do futebol nas competições que organiza a partir de 8 de julho, após a retomada dos torneios, que serão paralisados de 12 de junho a 10 de julho por causa da Copa América –14 de junho a 7 de julho.. “A previsão é adotar nessa data para todas as competições da CBF, amadoras e profissionais. Então a gente vai ter tempo de explicar (as mudanças)”, disse Marcos Marinho, presidente da Comissão de Arbitragem.

Como as alterações passam a valer em 1º de junho, o Brasileiro da Série A terá três rodadas (da sétima à nona) sob as regras antigas, pois o campeonato só será interrompido após o dia 12.

O Brasileirão voltará em 13 de julho, assim como a Série B. A Copa do Brasil terá partidas em 10 de julho.

A data de 8 de julho foi estabelecida por ser uma segunda-feira. Marinho, porém, diz que desde já árbitros, federações, clubes, e por consequência jogadores, estão sendo informados sobre as mudanças nas regras. Desde quinta-feira estão sendo enviadas circulares com as informações das alterações. “Também vamos passar as orientações definitivas por meio de videoconferência e no portal dos árbitros”, disse. “E temos mini pré-temporada dos árbitros neste mês de março e em abril e vamos dar esclarecimentos a quem estiver com dúvidas.”

Quatro perguntas para Fernando Prass, goleiro do Palmeiras:

1) Você acha que a mudança da barreira pode beneficiar o goleiro nas faltas?

Acredito que a alteração deve ser positiva. Hoje, quando tem uma falta perto da área, o posicionamento dos jogadores adversários atrapalha muito a nossa visão. O goleiro praticamente não consegue ver a bola e a arrumar a barreira, porque fica aquele “empurra-empurra” e uma confusão. O goleiro ainda fica encoberto e o tempo de reação acaba sendo bem menor. Quando o adversário chuta, muitas vezes não dá para saber onde a bola está indo e a gente só vê quando passa pela barreira. Nisso, a gente acaba perdendo uns dois segundos que fazem muita diferença em uma falta perto da área. 

2) As substituições serem em qualquer linha vai agilizar o jogo?

Acho que é uma melhora, mas sinceramente ainda acho que poderiam pensar em algo a mais. Creio que não precisa parar o jogo para ter a substituição. Poderiam criar quatro zonas de substituição, sendo uma em cada lado da zona central do gramado e uma atrás de cada gol. O quarto árbitro acompanharia o jogador que iria entrar e o que iria sair enquanto a bola estaria rolando normalmente. A partida ficaria mais dinâmica e não teria tanta cera. Mais ou menos como existe no futsal. Mas, sem dúvida, é uma mudança que pode sim aumentar o tempo de bola rolando.

3) Agora teremos menos polêmica com a mão na bola dentro da área? 

Não sei se vai diminuir tanto assim. A polêmica vai continuar e é um assunto muito difícil de resolver. Enquanto houver lances que dependerão da interpretação do árbitro, vai ter muita reclamação. Interpretação é algo individual. O pênalti para mim pode não ser; para você pode ser. Espero que melhore, mas acho que vai ficar tudo na mesma em relação a esse assunto. 

4) O goleiro poder ficar só com um pé na linha deixa a disputa mais justa?

Até acho que fica, mas, na verdade, estarão colocando em prática algo que todo mundo já fazia. A gente sempre ouviu que, se colocasse um pé para frente para dar impulsão, não teria problema. É muito difícil conseguir ficar em cima da linha. Não é oficial, mas geralmente tem um bom senso por parte da arbitragem nesse sentido. Então, estão só ratificando algo que já fazemos. (Fonte: Estadão).

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