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Devassa nas contas de Flávio Bolsonaro tem potencial ‘avassalador’

A abrangência da quebra dos sigilos fiscal e bancário do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e de outros 94 envolvidos chamou a atenção de políticos e magistrados que observam, de longe, o desenrolar das investigações no Rio. Integrantes de órgãos de controle chamaram de “avassaladora” a devassa de mais de dez anos nas contas do filho do presidente, de sua mulher, de empresários e de mais de 80 ex-funcionários, entre eles Fabrício Queiroz. A amplitude do material indica apuração de vida muito longa —e várias ramificações.

O ex-assessor Queiroz sumiu e deixou Flávio Bolsonaro sozinho

A quebra dos sigilos de Flávio, revelada pelo jornal O Globo, foi rapidamente associada por políticos ao “tsunami” anunciado por Jair Bolsonaro na semana passada. Integrantes de partidos de centro e centro-direita disseram que pai e filho, se antecipando à ofensiva, deram indícios de que houve vazamento.

Havia expectativa entre integrantes do Ministério Público do Rio que não atuam no caso de uma ação ainda mais incisiva sobre Fabrício Queiroz, como um pedido de prisão. Em local incerto desde o início do ano, Queiroz é apontado como a ponte entre o gabinete de Flávio e familiares de milicianos.

COMERCIAL DO BB – A Comissão de Valores Mobiliários foi acionada e abriu, na sexta-feira (dia 10), inquérito administrativo para investigar a suspensão do comercial do Banco do Brasil que foi tirado do ar a pedido de Bolsonaro. Vai apurar se os minoritários tiveram prejuízo com a derrubada da propaganda, avaliada em R$ 17 milhões.

Na Confederação Nacional da Indústria, um cenário em que Robson Andrade seja afastado em definitivo do comando entrou no radar de líderes da entidade. Ele foi obrigado pela Justiça a se ausentar do órgão por 90 dias, após ser alvo de operação da PF. O prazo expira na semana que vem e sua volta é incerta.

Há chances de uma decisão judicial renovar a ordem para que Andrade mantenha distância da CNI e, nesse caso, o interino Paulo Afonso deve ser confirmado no cargo. Sua missão seria cessar a guerra com o ministro Paulo Guedes (Economia), que criticou a gestão de recursos na entidade.

SEM QUORUM – Líderes de partidos de centro apostam que não haverá quorum na Câmara para debater as medidas provisórias do governo.

E no Supremo o ministro Marco Aurelio Mello fez crítica contundente ao anúncio prematuro de Jair Bolsonaro de que indicará Sergio Moro (Justiça) para uma vaga na corte. Com o gesto, disse que honraria compromisso que fez com o ex-juiz.

“É ruim para o candidato [Moro], para a Presidência da República, e para a instituição Supremo, porque parece que os cargos que lá existem são destinados a um troca-troca”, disse.

Em jantar no domingo (dia 12), em Curitiba, Moro disse a magistrados que foi pego de surpresa pela fala de Bolsonaro. Apesar de não ter demonstrado chateação com o presidente, fez questão de dizer aos colegas que não havia condicionado a ida ao Ministério da Justiça à vaga no STF, o que repetiu nesta segunda, dia 13. (Daniela Lima/ Folha/Painel).

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